Há lugares que ficam como d'antes. Como se esperassem sempre, de braços abertos, os regressos dos que o deixaram. Na realidade o sítio não mudou com as presenças, mas com as ausências, as despedidas, as árvores cortadas, as paredes reconstruídas. O sítio mudou quem por lá esteve. Há um banco de pedra, que faz paralelo à casa, um banco que só se vê quase todo ocupado uma vez por ano. Mesmo vazio e sozinho, mantém o muro seguro, brinca com as cores, com as teias, com o meio, e faz-se cheio por si só. Há lugares que esperam, sempre, para que voltes, para que mais uma vez, te dêem algo para te lembrares com um aperto de saudade quando já não lá estiveres. E quando fores, volta. Porque não há outro ar que respires tão puro como aquele que te deixou ser criança.
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A mostrar mensagens de 2015
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Quando cuspo palavras em fogo e a incitar o caos, não estou intencionalmente a criar uma tempestade. É apenas um acumular de palavras, segredos, lágrimas, desilusões. É que há tanto injusto que ainda paira, tanto errado, tanto que me revolta e algo me suprime e me cala, me pára. Não me conformo, mas guardo, e acumula-se, por vezes tanto, que nem se despeja em palavras. Marcaram-me, mais do que os marquei. E isso é demasiado pesado, são marcas que não se aliviam. É suposto ser equilibrado, o quanto te marcam e o quanto és marcado. É cruel, é sina? Não sei. Faltam-me abraços. Faltam-me pedidos de desculpas, tantos. Pedidos que sei que nunca vou receber e ter de perdoar por mim só é amargo. Sou eu a ter de aceitar que eles erraram, eu a ter de batalhar o rancôr, a vontade de lhes gritar qual foi a puta da essência que os fez assim, assim que nunca vão achar que o que fizeram foi errado. A minha essência está estilhaçada, está num farrapo, porque puxaram demasiado, de muitos lados. Sabem c...
Meu pequeno brilho
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Às vezes sinto-o, como uma discreta comichão, que não incomoda. Ainda estou cá, mas é tão fugaz, tão incorpóreo. É como beber água e nunca preencher a sede. Ainda está cá, o pequeno brilho, no meu abrigo, mas na sua maioria, adormecido. O que o acorda são as alterações dos batimentos, o álcool na corrente, a ilusão de que é reconhecido. Onde estás na maioria dos meus dias? Em coma, adormecido. És pequeno porque eu não te sinto, mas lembro-me de quando foste tão massivo, quando atraíste abraços nunca esquecidos. Ainda tenho roupa com os teus vincos, o teu cheiro característico gravado nas gavetas do meu roupeiro antigo, as fotos que são prova do que radiavas à tua volta. É fraqueza achar que alguém me pode ensinar a ter-te sempre comigo? No meu ombro, meu amigo. Já dei tanto aos outros, já os mudei, e está na hora de calhar-me alguém assim, quase assim também. Acho que o vi, não digas a ninguém, mas não sei se me viu da mesma maneira também. Ele viu um pouco de ti, na sombra que não me ...
Pela manhã
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No nevoeiro só se vê quem se lembra, quem lá está, sempre ou em vez de. Sei bem a definição de avós, porque sempre estiveram, enquanto avós, enquanto pais, mesmo quando falhei, mesmo quando fui, desde que vou até que volto, esperam, estando onde estiver, esperam como sempre estiveram aqui. Em qualquer tempo ou disposição, serão.
Infinitos anos de vida
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Se te disserem que cumpriste a tua sina, Vais soprar as velas pela última vez? Dar como cumprida a missão que te fez nascer, Quando podias mais, Querias mais disto Se juntasses as estrelas como fases superadas, Radiariam mais que a lua Não dês como terminada a jornada Quando o universo é infinito Pois mais nada se sabe, Mesmo que tenha fim, Está longe desta parte Ainda há pontos de luz para alcançares, Enquanto não souberes, Enquanto ninguém souber mais, Enquanto for dia após noite, As velas estarão à espera que as sopres, Depois destas Vem agora, não vás embora, outra vez Cai e fere, Dói e chora, Ergue o que te faz ser E mesmo não sabendo, Assume como infinito, Por infinito tudo o que não saibas ver, Sem fim, possível, no teu limite, Para sempre, sempre ser.
Vais perdê-los para te encontrar
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Nunca foi cheia de graça, nem de vivências, nem de luz inesgotável, mas em cada face da lua identificava partes de si, porque ela era de fases, era inconstante, e por mais discreta que fosse aos que a rodeavam, a sua luz continuava presente, invisivelmente a preencher os vazios dos outros. Disseram-lhe um dia que olhá-la, dava dores de cabeça e azar, mas isso nunca a impediu de olhar, até lhe deu mais vontade de a apreciar, de se embebedar naquela luz branca hipnotizante, que saciava temporariamente a vontade de um corpo quente abraçado ao seu, que acalmava a irrequieta alma viajante que queria experimentar e ver todos os lugares antes de decidir-se por um em que ficar. Nunca foi de certezas, nem de demonstrar o que sente, mas ontem adormeceu e viu pela segunda vez a lua cheia de perto, e fê-la feliz, fê-la querer mudar para voltar a sentir aquilo, para voltar a sentir que está perto da vida. Mudar para poder ver a lua mais de perto, ter alguém mais perto do peito. Mas também a avisar...
Acertar de mente
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Quando se é vazio em si, quando já nem me oiço, nem me vejo, nem me apercebo que existo... faz sentido que ninguém note. Já nem tenho ninguém por perto que testemunhe que sou real. Queria poder dizer adeus, de vez, e saber que nunca iria voltar a ser o de agora ou que nunca ia a voltar a ser, estar ou não estar onde estou ou com quem estou, despedir-me e encerrar esta conta, de vez. É solitário e revolucionário e invisível, é intocável. São as vozes a dizerem para me agarrar a algo que está para vir. E às vozes digo que, há anos que estou a tentar, porque seria diferente agora? Porque não encerram de vez? Não há portas para eu abrir, assumam, eu já assumi. A saúde está débil, a mente está instável, é a ideal combinação para a ruína total. Empurra o que resta cair, resume-me de vez a pó. Vá, faz. Sem ressaltos entre isto e aquilo sem nunca ser nada de concreto, de vez, desta vez, define-me escrupulosamente, atira, o alvo está à espera, acerta-me.
Fica
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Quanto tempo passei rodeada disto, aqui, tardes inteiras depois da escola, noites em que não queria ir para casa porque era demasiado fria e ruidosa. Ali era aconchegante, era um abrigo, era onde estava quem preenchia ou tentava preencher um vazio insubstituível, havia calor. Ali não se notava tanto a falta de quem nem me lembro ter um dia estado em minha casa. Só me lembro de ver em ante-porta aquela pessoa, e nunca com um sorriso, e nunca por afeto, e nunca por saudade, por obrigação. Passado anos a ser lidada como um "tem de ser", é inevitável que estas ideias não me assombrem, quando quem partilha do meu sangue, nem o sente pulsar. Eis que herdo isso, farta de sofrer com faltas, com ausências já contadas, na esperança de um convite, de uma resposta afirmativa, que foi não, que é quase sempre não. Agora sou eu que quase não sinto, que ao mínimo sentir, recuo. Se nem o sangue foi suficiente para fazer ficar por perto, quem é que vai querer ficar perto de mim? Quem é que...
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Compaixão. Com muita paixão, curar-nos da ignorância, do ódio, para poder começar a curar o mundo. Não se lute com as mesmas armas, não haja revolta que não seja por amor, por humanidade pura. Estes últimos dias foram sobreexpostos, se os nossos olhos estavam tapados antes e só agora vêem, que se altere a projeção dessas luzes para onde nos esquecemos de olhar, de assimilar e assumir. O mundo está assim. Acredito no poder da humanidade, e se a maioria viver consoante o bem,será possível combater sem violência, vencer sem crueldade, para permitir e garantir que todos tenham direito à mesma liberdade de vida. Que não se subestime o poder do bem, se o alimentarmos tanto como alimentaram os que têm cometido estas brutalidades cruas, podemos ter o mesmo impacto. O poder do contraste, o poder da luz sobre o manto de luto, por todos os que foram, por todos os que fogem, por todos os que salvam, por todos os que acreditam num bem maior, pela salvação da humanidade.
Entre a Vista: Como seria o...?
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- Teria de ser majestoso, imponente, imparável, crescente, intenso. Tudo o que nunca foi, e sempre mais. O começo, esse aí, teria de ser como papel antes de ser tirado da embalagem, o mais intocável e puro possível. Espera, risca isso. Teria de ser raíz, o ponto de partida mais puro, mais susceptível, mais sensível. O menos visível é o mais autêntico, por isso, teria de partir daí, o deslumbramento teria de começar lá e continuar aí. O presente é sedento, nunca bebeu de uma fonte, sempre foi das garrafas de plástico, que se amachucam assim que ficam vazias, depois vão fora, são recicladas, para saciarem outros. Se fosse da fonte, quando acabasse, acabava de vez, dali não floresceria mais, para ninguém. Gosto disso, da crueza dos humanos, que deixa transparente as fraquezas, os segredos expostos, e que são, de alguma forma, partilhados. Percebi isso quando alguém se demonstrou assim, inicialmente estranhei bastante. Espera, lembrei-me agora, daí nunca ouvi um “olá, tudo bem?” e isso diz...
O antídoto sempre foi a verdade
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Será que aquela irrigação ainda está ligada a um humano? Não sei como é que alguém consegue mentir tantas vezes sem tormentos ao adormecer. Tinha vontade de chegar mais perto e mostrar que existo, mas cada vez menos valia a pena tentar mostrar um sentimento a alguém que não o procura. Esteve sempre um passo a mais e um a menos. Algumas verdades mantiveram-se, surpreendentemente, as palavras não pararam de chegar. Ensinaram-me indiretamente, não sabem que apanho as manhas e os tiques rápido. Apanhei aquele "sotaque", e que bem, se era para jogar, aprendi e tracei uma estratégia sem passos definidos, mas com um objetivo. Na segunda noite em que saí, estive feliz outra vez e, como fui honesta na primeira, fui também nessa, disse tudo o que estava ainda em segredo. E não sobrou mesmo nada. Deixei todas as provas na mesa e fui embora. Fui embora, fui mesmo, de vez, acredita. E por maior que seja um ego, acho que desta não recupera, os mentirosos esqueceram-se que o antídoto semp...
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Ei, agora a sério . Fala sobre o tempo, sobre aquelas merdas que te irritam diariamente seriamente, sobre aquele gajo chato, mas sempre presente quando precisas, sobre aquele pôr do sol feito de algodão doce que viste pôr-se um ou dois segundos antes de desvanecer. Sobre aquela vez que te apaixonaste a sério e doeu para caraças, como nunca pensaste que gostar de alguém doesse. Percebes? Fala sobre a vida, o que se passa? Não sabes conservar ou é assim que tens de forçar? Porque é que a conversa flui mais com um desconhecido qualquer? E desde quando é que é normal eu saber mais de um desconhecido do que vice-versa em vários meses? A vontade dita muita coisa e se a tua realmente falasse, se a tua fosse esta, se fosse isto, se fosse eu, falavas de tudo menos de uma coisa. E de uma só coisa é precisamente do que falas. 2NOV.
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Talvez tenha sido idiota, com certeza não disse toda a verdade, mas tinha motivos para isso. Não é suposto ser tão fácil, certo? Não é suposto ser logo metade quando nem foi começo. Não é suposto, ser eu a perguntar, eu a tentar, eu a tentar perceber em vão, porque sei que estou a manter uma linha ligada a uma extensão. As paredes têm um interior, sabes? Mas ninguém as conhece se não as destruírem. E por mais que se pintem, da cor mais mórbida à cor de torrada, o interior vai continuar a ser o mesmo. Eis que vejo uma parede em construção, sem querer cobrir o que é. É suposto ser assim, não é? Mas era suposto visitar a que construí, se fosse para ser. Parece que apenas me deparo, e nunca ao contrário. Então mais vale ir comprar pão, manteiga vegetal, torrar isto tudo e deixar queimar, ou comer.
Solstício
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Quis curar-me da dor, mais que isso, redimir-me, agir por um perdão que sabia que nunca ia receber. Tinha as mãos manchadas de culpa, do peso de um corpo vazio nos meus braços e tinha algumas opções, ficar fechada a deixar-me consumir ou dar de mim por uma causa que precisava de alguém. Deixei-me ir contra os meus princípios e cedi, sem volta a dar. Decidi redimir-me, tentar, e o conforto que não dei como devia, dei-o onde era preciso. Já não o faço por perdão porque, algures nestes meses, o peso aliviou, e sei que não posso alterar nada do que deixei acontecer, mas talvez possa salvar uma vida. Ninguém me apontou como culpada mais do que eu e, apesar de tudo, fui perdoada, por ele, que nunca me apontou como tal, e, por fim, por mim, Algo ou alguém guiou-me para o fazer. Mas que se lixe isso agora, ainda tenho saudades e se pudesse voltar atrás, voltava porque este tempo que dispenso de mim, era suposto tê-lo dado a ti.
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Para além de acreditar e viver diariamente consoante ideologias, é preciso (vi)vê-las de perto, experimentar, provar, sentir os cheiros, tocar, sentir, estar. Estar em várias realidades. Então, por mais longe que esteja de regressar a mim, continuo a respirar, a ir, a visitar, a conversar, a sentir. A conhecer novos sítios, novas pessoas, a fazer o que me dá gosto. A falhar, a tentar, a não fazer e a tentar outra vez. E, se me esquecer, ou se me perder de vez, terei fotografias, se perder a voz, terei gravações, se desaparecer, haverão pessoas que estiveram comigo nesses momentos que sabem que lá estive, que poderão comprová-lo. E, por enquanto, é isso, é o melhor que sei fazer. De qualquer modo, vou e faço. Vou, mesmo quando a minha mente não consegue processar tudo o que me rodeia, mesmo quando o tempo passa muito mais depressa do que eu o acompanho. Sei que há mais fundo do que a minha imagem, mas ainda tenho um resto de mim como tenho uma réstia de esperança que um dia volte, n...
Bera
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Todos os pedaços em que sou feliz São apenas abraços, progressos sem espaço para ti E o teu começo crasso simultâneo com a minha descontinuidade inconstante tamanha, São talvez premissas de que isto não tem começo sem catastrófico fim. E o meu ritmo vago seria um regresso para ti, O teu abraço é demasiado apertado para mim. Desde que a conversa ficou honesta, apenas eu fui sincera Que bera rara arara, se ficasse mais tempo e o tempo não acabasse, Talvez se esgotassem as frases Como se esgota sempre a paciência. Talvez fugisse, por medo de ser verdade, com receio de ser mentira.
A ponderar...
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Ao longo de todo o tempo, o que nunca parei de fazer foi escrever. Nunca expus como expõem quadros, não menciono por acaso, desde que escrevi, foi revelado apenas entre paredes, com cortinas opacas e só algumas pessoas sabiam que era, de facto eu. E receber reconhecimento das poucas vezes que alguém lia algo, era e é uma das poucas coisas que me aconchega, escrever é algo de que me orgulho, não sinto que seja um esforço, simplesmente faço e flui. E, por mais tempo que já tenha de vida, só há pouco é que conclui isto e usei-o como termo de comparação ao caminho que segui. E questiono se vale a pena fazer disto público. Se as pessoas precisam de escrita emotiva, para se espelharem e saberem que há mais além de textos lamechas de amor com que se relacionar. Vale a pena? Vale a pena eu investir a sério em partilhar isto? Este impacto, é necessário? Se fosse, seria tanto benéfico para mim, como para os outros e é entusiasmante ter algo assim, seria, mesmo. Até que ponto valem mais u...
Mas
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Algo descarrilou e todas as carruagens foram saíndo do caminho. O sangue há muito que não o sinto positivo. Faleço a cada tentativa, por mais que ingira, atira-me para o resto de chão. Caiem-me mais que fios, têm caído todas as linhas interligadas de mão cheia. Está tudo tão desfocado, cinzento, afastado. Quanto mais intenso, mais me perco, mais me esqueço. E os sentimentos passam, marcam-me e só me deixam os estilhaços cravados. E os raios de luz? Também os tive, mas e essas réstias? Parece que foi tudo cortado, a intensidade, a consciência. Que imunidade é esta à realidade? Que oculta a percepção, me atira possibilidades, pessoas, momentos, mas não me deixa ser preenchida de tudo isso. Desde quando é que os sonhos parecem mais reais do que a própria realidade? O que detonou a estabilidade, a saúde, a realidade? Precisamente, qual foi o passo que errei? Porque não sei como voltar a sentir que sou e não sentir a minha existência está a desvanecer tudo o que me rodeia, tudo o...
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A maneira de entrelaçar planos, perdoar danos e sorrir depois de derramar. Como enquadrou o que disse num futuro e manchou a coerência. E depois, tirou-me do chão. Essa maneira de agarrar e desapegar, de dizer que me quer voltar a ver e eu rir porque diz que fica chateado se não o fizer. E eu é que fiquei chateada porque ele não voltou e eu, voltei, para encontrar alguém assim, mas desde aí, nunca mais encontrei alguém com a mesma... luz. Mas pelo menos sei, que há alguém assim, só espero que existam mais. Foi tão improvável, tão doce depois de um longo trago amargo que foi a última vez que colei as minhas palavras em alguém.
Logo agora
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Acho que já não falta muito para saber o que é ser mais que desejada por involuntária vontade e logo agora que já passou a fase em que ficavam presos os batimentos. E logo agora, que ainda me sinto cinzenta, sem conexão à realidade. E logo agora, que não é quem me chama quem eu quero, pois é sempre da mesma forma e eu quero algo sincero.
Ficar de vez com
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Alguém para abraçar de frio rir de calor chorar de importância irritar por gosto discutir por valor Estar por querer ficar por aceitar ficar, ficar, ficar e continuar. Quebrar copos, limparmos estilhaços entre lençóis sentir raios quentes em dias de chuva. Chamar o nome. O meu. E saber que és tu sem olhar, ficar e ficar de vez.
Ponto de pressão
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E isto fervilha Mesmo quando já não há água para cozer E tento pensar noutra coisa, Há tanto mais onde me focar Mas o que é isto, De que fujo e volta sempre ao mesmo? E eu tentei ver certo, tentei mesmo Já não espero por nada Já não me comprometo a nada Já aceitei que não há caminhos para sul Então de que vale agora mais testes? Se tudo o que havia para provar, já foi Não volto a tocar onde sei que me vou queimar, Não volto a tocar onde sei que vou ceder, Não volto a ser água onde sei que me vão ferver. Que bem que se estava hoje No átrio do terraço Onde caíam gotas mórbidas Que derretiam fachadas Desenlaçavam enredos Fustigados em tempos E num entrelaçar de dedos, Ficaram sem nada para sofrer. Que bem se estava agora, Sem segredos ou cenas por dizer, Nas escadas para um palco sem nada a acontecer Ao lado de quem, pergunta sem querer E sem crer, se sente mais que sentado a ouvir.
A sorte que me resta dar
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Não agarres, pega. Sorri pelo que sentes, não só pelo que vês. Abraça-a, despede-te e revê-a a ir. Voltem a um sítio comum, encontrem um só para vocês. Vai onde ela estiver e ela irá até ti. Diz-lhe mesmo o que sentes, vai valer a pena. Se te comprometeres, não fujas. Vais ser feliz, vais mesmo. Fica com os restos, não os quero. Vê se é desta que aprendes, porque foi desta que eu aprendi, agora é a tua vez. Vai e vai ser feliz.
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Fui a água que dissolveu o sal. Agora já é mar que chegue para amar. E é sempre assim, chego enquanto sorte, porque é que essa sorte não sobra para mim? Nem escolho ser amuleto, mas é assim que permaneço. Percebi que ninguém pára a tempo de ouvir o que tinha para dizer, então as palavras ficam guardadas enquanto não se desfazem, ou deito-as fora aqui. Era bom, que a sorte que eu trago, me trouxessem a mim. E acho que sei quem me possa dar, mas tenho receio de tentar, porque não quero iludir e deixar entender que quero e só depois perceber que não me altera. Sei que tenho resposta garantida, várias até, quem sabe, mais uma semana ou duas, volto a sentir. Só preciso de uma certeza e vou para onde não há água, mas há mais terra para percorrer.
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Detesto os intermediários, as incertezas. Aquilo que não é nem deixa de ser. Põem-me na mira, desviam-me. Não sei se evito, mas digo. Nem que seja em sussurro, eu direi o que me passa ou não em pensamento. Estou num caminho em que ocultos não podem estar, a pouca claridade que me resta está na sinceridade das palavras que ainda consigo controlar. Então eu digo, mas preciso de ouvir um retorno. Transparente, coerente, fixo.
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Costumava criar os meus sonhos de forma a serem paralelos aos de quem caminhava comigo. Quando me afastei percebi que não era os meus sonhos que carregava, mas reflexos de ambições que não me pertenciam. Desde que me lembro, sempre tive esse hábito automático, de carregar a bagagem dos outros. Tanta vez carreguei, que quando a devolvi, me deparei perdida, confusa, com a minha bagagem vazia, porém tão pesada de não ter nada. Acho que carrego os outros para não sentir o peso de carregar a minha consciência nula. Já nem consigo escolher, absorvo a dor, a mágoa e choro outras lágrimas. Se ao menos absorvesse o sol em vez do nevoeiro que todos carregam.
Consciências sintonizadas
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Trilha-me os sentidos Tempera-me a consciência Beija o fúnebre Encara-me ao sol E que seja o mais honesto E visto de mais perto Que se aceite em mútuo Que se faça festa do luto Que se gire à chuva das estrelas Encadeia-me os medos Revela-me os segredos Vingo-te as crenças Vinco-te do avesso E cairemos Num colchão na praia Que flutue de cais em cais Até mais Que menos sejam as incertezas Que menos sejam as desilusões Que sejamos inteiros mesmo distantes Que sejamos mais que cheios perante Que se interrompa o acelerar Que se pause um instante Que se prove um do outro Que se comprove que é, que seja.
Estreia de outubro
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Desejo que me tenhas cravada em ti, que quando queiras exfoliar o meu nome, apenas saia o perfume, que percebas de vez o que é evitar o sono com receio de que nem aí me tenhas. Que sintas a língua queimar quando tentares mentir, por perceber que é mesmo o que estás a sentir. Vais sentir-te acordar de um sonho e entrar noutro e tentar fugir para o que seja real, mas eu já não sou só outra, agora tens de dizer o meu nome. E eu volto? Não sei, porque me deixaste provas de que não és o que me dás a saber e eu não te percebo, mesmo assim, revelei os meus medos, mas eu tenho segredos e tu outros (a)casos. Sei que se cair no teu embalo, não irei conseguir sair. Por favor não me digas coisas que não estás a sentir, porque quando for a sério, já estarei na miséria e tu à minha espera, e eu não sei se volto, não sei se consigo, não sei se posso. Se não é a altura certa, não me digas o que não estás a sentir. Entre tanto, já me tens sem saber.
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Recorta-me, espalha tudo por aí. Deita-me fora, vai embora, nunca digas que sim. Grita-me, nunca me fales. Apego-me, largas-me. Mãos que não agarram sentidos, Agarram vontades. Reviver a mágoa e desilusão é voltar a sentir o azedo a fazer arder feridas. A boca pálida, os olhos secos, enquanto se jura que se podia chorar. As cordas nunca arranharam tanto enquanto se quer desembarcar da ilusão e partir do cais, a maré continua a puxar, mas o cais continua a amarrar-te.
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Vou estilhaçar-te, espezinhar-te e deixar agoniar, partir-te, rasgar-te, para te permitir amar. Já tiveste tanto pó de ouro atirado aos olhos que não te agarras a nada, a não ser para espremer o doce e partir para a próxima. Odeias-me, eu sei, também eu, por te deixar chegar tão perto, quando já sabia o desfecho. Já me tinham enganado assim, mas contigo, sabia, fizeste-me saber e eu deixei. Espero que o meu nome te tatue, mas sei que não vai, se já tiveste musas e não as foste capaz de manter, não sou eu prestes a ser. Fui um passa-tédio, foste um passa-choro e não é engraçado, não é de todo, como tudo se resume a ficar como era. Mas enquanto eu tenho de carregar o tempo perdido tu tens apenas um tempo esquecido. Podias ter-me usado, mas não devias ter-me manchado com o teu sangue. Não foi nada, já passou.
Eles irão perguntar
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Porque é que não disseste nada? Porque as vezes em que disse, ignoraste ou soltaste aquele sorriso amargo de quem se acha estar perante um louco. Porque foste? Porque apesar de saber que me estavam a iludir, era a única pessoa que me queria, mesmo de forma corrupta. Sabia que todas as palavras já tinham sido estudadas, gastas e usadas, as respostas eram certas porque tinha o jeito e hábito de ser questionado o mesmo. Porque enquanto tu saías, eu ficava em casa, à espera, de ninguém, de todos, à espera de nada acontecer. Passei o pior verão da minha vida, com os melhores momentos, mas não os senti quase nunca. É nessa prisão que me encontro e não me visitam. Faço que não sei que me enganam, que me mentem, que me usam, que sou um mero acessório e nem tentam disfarçar. Sinto pena de me ver chorar e ter de ser eu carregar-me quando me desmancho, carreguei as dores dos outros e, quando precisei, a minha caiu em silêncio. Tornei-me num poço de desilusões, falhas combinadas, faltas de memór...
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Pode ser que um dia Sem que por magia Se quebre o vitral, Que o sangue inunde o que passou Para que nunca mais passe Para aqui já sofrido. Neste andar A chuva não intimida, Desinibe. Desarma-me a rotina Desalma-me, Ficarei descontida. Será um dia em outubro Onde sou primavera Enquanto apenas vêem tons terra Estou certa, Que serei eterna Quente no frio Enquanto me desvio E faço sol.
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Tenho estado a escrever sobre ti desde que adormeceste. A casa está tão cheia de inútil, de velho, venenoso e de um constante sufoco. Contigo podia respirar liberdade, inspirar uma saída. Podia ser real, podia sentir-me. Há quanto tempo não sou eu... Há mais de seis meses e eu não sei como voltar até mim. Como volto a um sítio do qual não sei como saí? Vomitei o que sou e fiquei para fora de mim. Quero ser eu. A vida não tem sabor. Sinto-te a dor, a agonia, a morte, mas o sol não me toca. O bom não consigo saborear mesmo estando de caras. Nada sacode esta embriaguez sonâmbula. Aquilo de existir e não sentir que se existe no corpo que se tem.
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Em todo o progesso, constantes regressos, renasço, descresço enquanto envelheço. Semi lua, um vazio incompreendido, porquê por preencher? As ausências deixaram marca assim como presenças tóxicas que ainda me cravam. A hora passa sem consciência de que foi embora e eu continuo e continuo sem saber o que sou.
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As madrugadas em que me encontro são projetos de outros dias, efémeros. Deito-me, encaixo-me, tento pertencer ao que sou, ao meu físico. A minha alma não entra, abstrai-se flutuando no véu que separa a vida da morte. Sem noção do espaço que habito e do que gravita à minha volta. Não houve êxtase nem dor forte o suficiente que me empurrassem para o que sou, humana. Uma constante disconcertante chacina, que é ruína do que construí. Não há calor que me desfigure ou raiva que me ateie, no meio dos meios, subterrânea, subhumana, sobrevivente. Vivendo num reflexo de uma inócua pausa.
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Encontrei um tal e qual igual que cheguei a acreditar que talvez não tivesse partido. Há "coincidências" de tirar o véu, de rasgar o céu. Os dias em que te faltei à atenção, carrego-os com espinhos de mágoa. Todas as lágrimas que chorei por ti, vi-as refletidas, por fim, nos teus olhos. Já nem me vias, talvez nem soubesses o que estava a acontecer, apenas sofrias sem lógica. Apesar de tudo, perdoaste-me e vieste de novo, como um destino que te foi traçado. Talvez não sejas mesmo tu, mas enviaste-o com uma parte de ti, como um teu. Só me resta fazer tudo para o ter nos meus braços, dar-lhe uma casa e um amor tão cheio como o que deixaste.
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Mesmo depois no mergulho naquele mar translúcido, cor de lágrimas felizes, mesmo depois de o sal temperar a pele e ancorar-se à penugem, depois da água doce o enxaguar, fica absorvida a sensação. Talvez por isso, ao flutuar num mar tão próximo de casa, mar de casa, já tão conhecido e há tanto, aconteça várias vezes sentir um regalo tão refrescante, como se fosse sempre a primeira vez, o sorriso de criança ataca o rosto e aquela inquietude inrequietante assalta todos os remorsos. É tão bom, tão doce de salgado que é. O sol refletido nas pequenas ondas que bailam e reluzem a cada vaivém. O som das ondas a desintegrarem-se na areia e a renascerem, sempre, sem fim. Pergunto-me, porque não voltei mais vezes aqui? Se estou certa que é das poucas coisas que me faz feliz. Absorvo-me tanto naquela núvem cinzenta e densa que me esqueço que tenho um rio mágico a poucos quilómetros do meu passo. De noite, de dia, ao entardecer. Todas as fases são-me prediletas e todas únicas. Nunca verei o mesmo ...
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Falo entre os silêncios das paragens de autocarros Em cantos esquecidos da cidade Onde raiam por entre as faixas Trilhos de possibilidades O sub humano na cidade O sub humano sob a liberdade Esquiva, num esquiço, escassa, Escapo. Praças sem latas lotadas Partidas e regressos em que me perco Sem nunca levar tudo de mim Nunca desfazendo o que trago Embarco em náus sem fundo Em que me afogo num sufoco
Às três e num quarto
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Acordas da sonolência que não consegues matar, com um dilúvio de culpa e ao som da chuva. As lágrimas caiem nessa almofada amassada, tristeza adormecida e cansada. O teu olhar não vê claro, certo, concreto e os teus lábios pronunciam sussurros discretos mesmo estando a arder para gritarem trovoadas. Desperta, cansada, sentada na cama de um quarto irreconhecível a esta hora da madrugada. A chuva cai, mas tu não. Os relâmpagos explodem e tu com eles também. Ali alguém ou alguns te falam em tom de sabedoria, como dizendo, "eu estou aqui, eu sabia". Eles sabiam e tu também, eles sabem aquilo que em ti vêem, para além do que expões à luz de um dia, eles sabem o que escondes e sabem onde te escondes, acompanham-te e apanham-te desprevenida, relembram-te que a vida é para ser vivida e há mais na vida que uma despedida. Chamam-lhe insónias, eu chamo-lhe coisas não resolvidas, uma mente pesada, é uma mente de noite viva e uma mente livre, tranquila. Chamam-lhe peso na consciên...
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Inconscientemente, tenho evitado escrever sobre ti, sobre o dia em que te deixei ir. A saudade desliza dos meus dedos e despeja-se em cima das letras. Desde aquele dia, tenho deixado uma marca desse aperto em tudo o que escrevo, as palmas das minhas mãos marcadas de culpa, de mor... Fico por aqui, não sei até que ponto escrever sobre isto me pode empurrar para ainda mais longe de mim, eu já tenho o medo fora do meu alcance a impedir-me de voltar. Não sei do que me protege, porque sentir eu sinto, a tua falta, há um espaço oco, que ecoa saudade. Continuo a fugir de mim, talvez um dia me apanhe, a tempo, espero, a tempo de voltar a correr com a minha vida, até ao dia em que nos voltemos a ver. Ursinho, estás aí, não estás? Não sinto que eu esteja. Ainda não é desta que te consigo homenagear.
As palavras que ficaram à mesa
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Clic, clac. O enconsto dos talheres nos pratos pouco fundos. Vozes cheias de silêncio, garfo a garfo, as pernas querem correr para fora dali. Um espaço fisicamente amplo, mas claustrofóbico. Nesta mesa, caíram lágrimas, cuspiram-se gritos, contemplou-se o passado, com muita saudade, com muito remorso. Mas agora, é como uma prisão, em que há regras e limitações, à conta de um centro de mesa que não deveria lá estar. Senta-te aqui, num lugar onde tens de esconder as lágrimas. não só comer mas engolir o orgulho e respeitar quem não te respeita. Falta alguém. O equilíbrio, a paz. Eras tu quem a impunha, nem aquele centro ignorante se conseguia impôr a ti. Eras tanto e eu sem ver isso durante tanto tempo, sem te sentir. A tua qualidade não era chamar à atenção e ser carente, era seres o silêncio no meio da confusão, o recosto, o encosto. Eras aquilo que eu precisava de ser, serena perante agressões infernais e ataques que não me deviam alcançar. Tiveste de ir? Não tinhas, eu tive de te deix...
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Fui retratos de agonia Em telas vazias no roupeiro Na roupa lavada engelhada por todo o meu quarto Fui fotografias forçadas Sob lágrimas inconstantes Incoerência Rebelde Reverência Fui gritos e gritada Rebaixada Silenciada Por uma defesa não assumida Defendi quando ninguém o fez Defendi-os Porque o apego é maior que o râncor Dói tanto quando me é dirigido quando lhes és Por isso digo Que talvez não seja sina minha Ser algo para mim Eles viram o que sofri E as marcas Por vezes, vincaram-nas Mas e agora, que o que tenho não se nota? Sufoco, afogo-me tão lentamente Que nem eu reparo As poucos Me desfaço.
Lembrete invisível
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Precisava de ti lá, em tantas fases em que sorri, sofri e mudei. Nunca soube como é perder, mas certamente sei o que é ser e não te ter. Quando saiste, assumiste uma separação à qual acrescentaste dois dos teus, para deixarem de ser. Não sei se foi isso que querias, mas foi isso que tu deixaste acontecer. Esta carência é tal que, depois de tudo, se voasses até mim, eu aceitaria, mas um dia, já não será assim e tenho mesmo muita pena, talvez mais por ti, porque tu é que terás a consciência sobrecarregada quando perceberes que atiraste fora o que um dia muito desejaste ter. Não serei o teu orgulho, ele não será o teu legado. Descartaste a hipótese de teres mais para amares, comprova-se assim que o teu amor é limitado. Porque é isso que o teu deixa-andar acarreta, não pertenceres à minha vida, e à dele, não saberes como somos todos os dias, o que nos faz sorrir, os disparates que dizemos, as angústias que nos sufocam, nunca serás o motivo do nosso sorriso, a memória num momento, o ar num ...
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Traça, ponteiro a ponteiro, as horas que passaram desde que o silêncio poisou na tua boca, te envenenou. Adormeceste, sem descanso. Mergulhas nesse mar sem veres o fundo, receio em pedra, escadas incompletas. No meio, despertas, foge um sorriso, corre a alegria, a tempo de te agarrar a mão e te levar a nadar em plenitude. Juventude desperdiçada em constante solidão, há muito que não é a tua escolha, apenas se torna ocasião, afastaram-se, quando tu mais precisavas que te puxassem do quarto com persianas baixas, pouco chão onde andar. Há tão pouco onde andar como a tua presença. As lágrimas escorrem em vão, não há quem te desate os nós que atam os teus batimentos sufocantes. Pequenas manchas negras que nem sabes onde ganhaste, estrias novas sob brancas, manchas e camadas de tanto... inútil. Tenho uma intermitência a pulsar num canto recostado algures em mim, espasma lentamente, sem me conseguir despertar. Tenho medo de mergulhar em mim, por não ser claro o que há no fundo, por baixo de t...
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O tempo ficou suspenso, algures. Tenho os pés assentes na terra, contra a minha vontade. A névoa paira na mesma, chamá-la de proteção é crucificar-me mais ainda. Doeu na mesma e ainda dói. Os dias não acabam, parece sempre o mesmo. Rir não tem sabor, comer não sacia. Não foi alguém que bateu à porta desta casa, foi esta casa que o levou para outra porta. Talvez não tenha chorado mais porque chorei outras vezes e tanto antes daquele dia. Para mim, não foi o começo do verão, não foi o solistício, nem me lembrei que era isso, foi o teu último dia. Já passaram dois, parece-me o mesmo. Vai ficar para sempre a voz em mim, a dizer-me que eu podia tê-lo aguentado mais tempo, mais o verão pelo menos e depois gritam os racionais que foi para ele não sofrer mais e ainda a clínica que diz que é contra a política deles, quando se podia fazer mais. Nem sei se o que fiz foi despedir-me de ti, acho que já nem me vias, nem sei se pressentiste o que te fizeram, desculpa, desculpa, desculpa... Nunca sen...
Cuspo não cura dor
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Esse mememé cem vezes já mastigado Cruzado com chiquisse tiada de cravas intenções Para o raio que ta parta! Essa máscara consegue ser pior que a entremeada. Estou para contar quantas vezes conseguem repetir a mesma piada, Aquela que nem sequer inventaram. "Tamu junto" Estão pois, na mesma ignorância pegados. Falinhas mansas azedas, longe do meu braço. Ai de ti que toques no meu prato, Porque aí vais experimentar a minha mão repentinamente junta com a tua cara. Sim, estou um bocadinho chateada. Com a podridão das consciências, Com os hipócritas que dizem que tenho cara trancada, mas são piores por dentro do que eu por fora. Sofro de sensibilidade, de coração esponja. Essas conversas de chachada de chacina à chacota Não me dizem mesmo nada È que eles não me disseram mesmo nada Falaram sobre todos menos os que lá estavam Estou sim, estou chateada Revoltada, cansada Já chorei outra vez por medo que a morte bata na minha porta Não este verão, este não, m...
No dia em que te amar
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As folhas continuarão a cair, mas não irei chorar. O frio entrará mesmo de janela fechada e debaixo de três cobertores, não irei esconder-me, sairei à rua, deixarei o sol aquecer-me. Será automático manteres uma postura erguida, de caminhar sem receio de olhar em frente, irás ver o mundo e não o chão, deixarás de contar as pastilhas esmagadas, amassadas, passarás a contar sorrisos, sopros de riso e ondas de mar. Ao peito trarás agarrado um espelho, para veres sempre o que sentes, irás adormecer assim, sem medo de sentir. Essa rouquidão da alma será curada com a tua nutrição própria, terna, tenra, constante crescente. Poderás olhar a lua sem receio que fuja do dia, ela estará lá, tu também. As tuas pernas serão tão irrequietas quanto essa tua cabeça, correrás tal como quando estás embebida de desinibições. São más, mas revelam-te e essa és tu, nesses poços de arrependimento há pequenas poças refletem o melhor de ti, sim, és tu, és mesmo mesmo tu. Beija-a, leva esse sabor contigo para t...
Vou dizer-te o que está errado
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Essa mania que tens de acordar em modo automático, sem deixares que o sol te queime a visão e te deixes habituar à luz. Esse jeito de te esconderes no cabelo e escondê-los debaixo de roupa, a mania de desviares o olhar de alguém que te olhe. Tens medo que te vejam. Esse impulso que ganhaste de querer estar com pessoas, de interagir, de comunicar, esse não é errado, mas quando ficas à espera que te convidem e nada te dizem e te sujeitas a pedinchares indiretamente se podes ir, se eles te quisessem lá, eles diziam. Queres sair, mas com quem? Quem é que te convida sem teres de perguntar a todos se vão na esperança de um convite? E esse rancor que tens de carregar, de saberes que te deixaram de lado, que não és parte deles, está confirmado e ouve, lê bem, não invistas neles, investe em ti. Não corras atrás, corre por ti, sê por ti. Um ano passado desde o ano passado. Lembraste? Lembraste bem mesmo que a memória o tente suprimir pelo teu bem. Mais anos passaram desde pior que o ano passado...
Porque só sou eu quando nada se impõe?
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Superei mais de meio dia fechada numa escola até ao fecho da oficina, fixada num ecrã durante a maioria desse tempo. Sem jantar, sem dormir o suficiente, isto depois de ter tido um mau estar no dia anterior, começar a ver mal, forte dor de cabeça e enjoo. Os meus olhos ardem, o meu cérebro deve estar em piloto automático, assim como a minha voz e o meu raciocínio. O meu corpo queixa-se, tanto quanto eu, requer que durma e muito, mas ainda me falta um amanhã, final. A névoa adensou, ainda espero que se evapore, mas numa semana como esta, este correr para lá e para casa, não ficando cá dentro, sendo uma mera passagem nos lugares a que chego, sem nunca ficar, ainda não expirei a saturação. Talvez entre por estes caminhos a invisibilidade que se atira para os meus olhos, para me ajudar a ultrapassar estes episódios, mas é um atrofio amargo não sentir a porra da minha presença, a minha própria pessoa. Não dei o melhor de mim, na lista de desculpas estão: não houve tempo, cansada, sem ideias...
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Tanto tempo para nós, Nosso Este chão, aquele sofá A água fria que pisas com receio O luar que pouco vês por distração Qual foi a última vez que paraste? E bebeste de tudo o que te rodeava, Mataste a sede à liberdade... Deixei de contar as vezes que querias abraçá-los Deixei de contar-lhes o que se passava Nessa tua cabeça, que nada de oco tem Tão cheia de desperdício, vício e corrupção Sabes o que poderias ser se não o fosses E essa mão que estendes a tanta gente À espera que a entrelacem, Agarram-na e arrancam-te o perdão Derramam no teu ombro as lágrimas, revoltam-se O espelho vira, eles não estão lá O teu grito é em vão e abafado Os teus pecados são vistos sem fundamento Sei que vives em constante pesadelo E a tua fuga é dormir Porque é o mais perto de real que tens, De um abraço, de um sopro quente, de um riso, de luz ardente Temos todo o tempo do mundo Mas a tua demora não acompanha o passo Quando a disposição está, o momento já está gasto.
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Nas entorpecidas presenças, sinto-me mais perto da realidade ao fechar os olhos, ao tentar ver o que sinto em vez de sentir perante o que vejo. Aquele prato já não desejado, a ocasional chávena com café, o habitual gosto de estar fechada, já não cabem em mim. O mar evoca-me a estar perto dele, a água perto do toque, a brisa leve sobre a pele, embalam-me. Que martírio não poder sentir essas pequenas alegrias, não peço mais senão que sinta, que presencie. Neste semestre acho que tenho escrito demasiadas vezes as mesmas palavras, não encontro outras, estou perante o mesmo cenário ainda. Apenas sou mais eu quando estou livre de responsabilidade, de prazos, queria saber como estar assim descontraída mesmo estando com pilhas de algo para fazer. Quem corre por gosto não cansa, por isso quem não encontra o gosto, deterioriza-se lentamente.
Regressar a "casa casa"
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Está tudo tão imóvel, o tempo parou, enquanto, ao olhar, não sentir que estou viva, nada faz diferença, nem a maior alegria, nem a maior tristeza. As noites transicionam para os dias, sem nunca quebrarem, hoje é como se fosse ainda início de 2015, desde algures por essa altura que estou presa ao mesmo sintoma. Sistematicamente, a mesma postura, o tentar mudar, não me muda. Ensinaram-me a curar, disseram que tenho um bom suporte e uma boa energia, quem me dera que me pudesse curar, nem ao curar os outros eu sinto que o fiz. Ao sonhar, sinto-me mais desperta do que acordada. Quem me explica isto? Não, não me expliquem, ajudem-me. Digam-me concretamente, como é que eu desligo este sintoma da tomada, eu quero viver, eu quero viver. Pronto! Já disse, era isso que querias não era? Levar-me a este limite? Já cá estou, posso não saber o que quero, disto eu tenho a certeza, quero sentir a vida, pertencer-me. Vocês sabem, sabem ao tempo que estou assim, ao tempo que vos peço um pouco de consciê...
traços estrelares
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Revistei o pó das estrelas poisado nos meus ombros Faltou-me muitas vezes o fôlego para soprar Foi por muito tempo o único brilho que via Mas agarrava-se, embebedava-se de mim para permanecer presente Um misto de ódio e saudade Embriaguez de cansaço, num colo falso Inconstante, incoerente Esse casaco é demasiado pesado Um amontoar de vários trapos que nunca foram justos Ainda não tendo encontrado um, Prefiro arrefecer do que vestir um que não se ajuste Traçar a galáxia que me faz Para recuperar o brilho que se perdeu de mim foco foco foco As camuflagens foram apenas proteção Enquanto o coração amadurecer O topázio equilibrar Na almofada descansa o aroma Para viajar é preciso partir da terra Volta, recebo-te, todo este espaço é teu, todo este és tu
Quem se cala, não defende
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Reconheço à distância as presenças venenosas, piores são aquelas das quais me queria defender, mas não o posso mais fazer, por várias vezes já respondi e sei o quanto piorou. Pior do que ter de ouvir e calar, é ter de ouvir e ter outra pessoa sentada ao lado calada, em vez de "quem cala consente", eu diria no meu caso que quem se cala, não defende . Irrita-me, revolta-me, mas mais ainda, magoa-me. Se ela não me demonstra amor, que pelo menos não se limite a ver quando me atacam. Apenas quero, todas as semanas, chegar a casa e estar tranquila, mas há sempre aquela presença diabólica presente à mesa, em sussurros cuspidos, em gritos abafados por portas mal fechadas. Mãe, tira esse monstro da tua vida, já que não reconheces o mal que nos faz, reconhece pelo menos o mal que te trouxe e traz. Cada vez que tenho de ouvir de longe como te grita, como te fala, como te desrespeita, é como se fosse eu em frente a essas farpas, porque sou do teu sangue. Então porque não as sentes quand...
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Noto quando as estrelas se espalham demasiado, deixo de as ver. Às vezes nem a luz da lua eu avisto, não há nada que vista que me faça mais que isto. Há um amargo cravado debaixo da minha língua, que reveste o que sinto, como se fosse causar ardor a qualquer momento e receio o que irá doer. Reparo quando se afastam, dizem-me que sou eu que apenas vejo as coisas assim, por me sentir fora da parte, acho que não é ilusão. Uma pessoa dedicou-se vários dias a fazer-me indiretas, uma delas, que tentava demasiado. Se tentasse mais, não estaria assim, porém, o que tentei trouxe-me aqui. Essa conotação que associou ao tentar demasiado é complicada de descontruir. Não há mal em querer relacionar-me com mais alguém, querer conectar-me com o que me rodeia, fazer parte de vários momentos. É triste ser apenas uma vaga memória quase totalmente desvanecida, não é isso que quero ser. Às vezes sinto que sou a única a puxar a corda, insisto, sinto que por isso me rebaixo, me faço de ignorante, às vezes,...
Irreal
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Mordo os meus lábios enquanto troco olhares de relance com a dor, afasto depois o olhar e tento trancar o choro. As vezes que o fiz notam-se pela quantidade de cortes e peles que tenho nos lábios, pelas semi luas cavadas por baixo dos meus olhos, a forma como estou pálida perante quase tudo, guardei demais, interiorizei tanto de quase tudo que me perdi cá dentro, os meus olhos não me pertencem, vejo perante várias lentes que encobrem o que está à frente deles. A falta de gosto por mim revela-se em cravos, em estrias ainda não esbranquiçadas, na celulite que se acumula, demasiado cedo para uma menina da minha idade - dizem-me. Tentava sentir algo de bom através da comida, comia até ficar enjoada, cheguei a ficar doente desses ciclos constantes, acumulava-se a gordura saturada de repugnância. Horas replicadas diariamente em frente a um ecrã ignorando as janelas, as portas, o sol... quando o via tinha de arrancar tudo o que me cobria, para não se ver quando tivesse descoberto, à conta dis...
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Um dia não haverão mais cartas a escrever, os teus sonhos não estarão mais na almofada, mas no chão em que pisares. O cansaço arrasta-me para debaixo dos lençóis, ali pasmo perante o que nem sequer vejo em primeiro plano. A trovoada rompe e não me sobressalta, não sei como acordar na realidade. Tenho-a mesmo à minha frente, foi revelada em factos e verdades, a minha saúde deterioziou-se, a minha mentalidade encobriu-se, o meu corpo cedeu, apenas aqui moro eu, prestes a desvanecer, prestes a ir dormir e com receio de acordar e já não ver nada do que vê o meu corpo. Não há raio de sol forte o suficiente para desencadear a conexão entre mim e o meu corpo. Há quem deseje isto, o estado de passar pela vida como um fantasma para evitar dificuldades, eu preferia ter a depressão comigo, saberia lidar com ela, com isto, como é que lido com algo que me faz ver como se não existisse, como se eu não estivesse em nada do que presencio?
Até amanhã "ursinho"
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Conhecer alguém tão bem e ver os seus olhos já sem o brilho, baços, cansados e quase fechados deixa-me um ardor cá dentro... Já não me lembro do primeiro dia em que te recebi em casa, mas lembro-me de ser pequena e ignorante e chatear-te e tu nunca te assanhares comigo, pegar num atacador velho e encorajar-te a brincar, correr atrás de ti na brincadeira para depois te mimar. A forma como as tuas pupilas se dilatam quando algo te cativa a atenção, aquele miar doce e meio desesperado por um bocadinho de comida. Noites frias em que saltavas para a minha cama para ires enroscar-te debaixo das lençóis, deixares-me na posição mais desconfortável e picares-me com as unhas quando me tentava mexer, adormecer a ouvir o teu ronronar ou aquela vez em que estava a chorar e ficaste comigo até adormecer. Sei que te chateei muito, mas arrependo-me mais de, agora que estou longe, chegar cansada a casa e não ter tanta disponibilidade para ti, ceder ao teu mano mais novo porque é mais mimoso para mim, s...
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Só me fala quando vai contra uma das setas perdidas, quando precisa. Rasguei camadas, criei outras, corrompeu-se o inocente, nem por aí, não querem saber o que sinto. Se pergunto, é porque me preocupo, mas desgasta-me ter de fazer pergunta atrás de pergunta para conversar com o mundo, sem nunca retribuirem a questão. Preocupo-me e quero o melhor do mundo, mesmo assim, provocam, gozam, atacam, mas calam-se quando matam, assistem a humilhações e não se levantam. Nem levanto crenças à mesa porque se revoltam, revoltam-se contra alguém a querer fazer algo para tornar melhor o que se pode mudar, deixar melhor para quem venha e fique depois. De que vale terem uma fé se o único que fazem perante isso é ir a sítios e recitar? Não seguem as doutrinas a não ser aquelas que foram distorcidas pelos homens. Revoltam-se contra a vida de pessoas que em nada interfere com a deles, porém é a isso que escolhem levantar a voz com o ego cheio de falsa razão. Quando aclamam um laço de sangue como sujo e d...
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Não me conformo com a incoerência da ordem, engenhos inertes que me fazem questionar, silêncio que me atormenta, me desacorda enquanto tento não ouvi-lo. Refugio-me nos desejos provados que alimentaram ilusões, quando o medo me enrola, agarro-me como quando ele me levantou do chão, repito a memória desfocada que tenho do seu sorriso, do abraço, do adeus. Tento acalmar a revolução com quem nunca pertenceu à minha vida, apenas viajantes passageiros, quando vão embora, eu fico à espera que voltem, mas nunca regressam. Não devia esperar por ninguém, não deveria tentar salvar-me com coletes imaginários, deveria ter momentos meus como salvação, conquistas, orgulhos aos quais me pudesse prender para voltar a respirar. Não me satisfaço com ilusões, embora sejam centenas, apenas procuro com elas sentir realização, sei que nunca resultará. Sei a resposta, crava-se em mim e magoa-me, a sua essência nunca me alcança.
Misto de istos com os outros
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É apenas o meu segundo ano de me relacionar com o mundo, os nervos roubaram-me uma noite e quase todos os dias, não sei de onde veio a força para quebrar laços venenosos, não sei se não consigo chamar-lhe coragem por não o ter sido ou por não acreditar que sou capaz. Depois de liberta, caíram baldes de humilhação e a solidão amadoreceu, tive muitas vezes de pôr o orgulho de parte para perguntar se podia ter alguém como companhia, até que fui incluída, mas nunca sentido que pertencia totalmente, mas o suficiente para arriscar viver agora memórias e arrependimentos. O problema é que começo com impulso mas desvanece e, mais uma vez, trouxe toda a minha coragem inconsciente para viver num ambiente totalmente desconhecido, resultou, mas agora, está tão confuso e desencorajador, é injusto o que eu sinto afetar como os outros lidam comigo, é injusto que tenho de manter-me extrovertida e sorridente para poder ser considerada. Não é fácil, não é, especialmente que tenho sentimentos a ferver que...
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Quero o teu sossego, o teu medo e o meu bem e longe, nós ao lado e em frente a ponte, mãos entrelaçadas ao deixar as correntes soltas, partir e correr, deixar ficar tudo o que fomos e fizemos de errado. Quero sentir o vento beijar-me a pele porque eu corro contra ele e não porque ele me abala, rir e saborear o sal no ar, ouvir os teus risos entre o teu respirar. Notas de mar a ir sem regressar, nós a cantar sem pensar e apenas ir sem nos deixarmos cambalear, apenas no embalo do fruto que amadoreceu à luz que tentámos escapar, o sangue finalmente elétrico do pulsar, nós a chorar, entre suspiros, dizendo adeus e sendo nós.
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Enquanto a cadeira não se arrasta, o rasto que ficou para traz ainda está em braza, parte dele seduz e é ateado. Em que página se fecha um tormento? O sentido, o estado, o sentimento, o nervoso abafado é o medo disfarçado e o medo preso por um manto de nada, que ofusca, que anula. O sal não arde, o doce não saceia, as ânsias e desejos suprimidos levam a erros de julgamento, o que pensava querer não é o que me alimenta, estou esfomeada mas não encontro o que me preenche. À mínima emoção, reajo num impulso descontrolado e corro até me esconder debaixo do nada. Não tenho o controlo em mim, cansa-me e enlouquece-me ser parte deste nevoeiro, mas à possibilidade de o domar, petrifico e só reajo quando o medo toma conta de mim para pegar na minha mão e fugir, instintivamente, escondo-me. Estou sentada a respirar as cinzas de todos os erros que já fui para não me levantar.
Meios dias pela noite
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Encostada a ferros tapados por um almofada, há palavras que já nem fazem sentido usá-las, são contradições porque não se aplicam ao que vejo e como experiencio. Importo-me, mas não o suficiente, magoa, mas não ao extremo, irrito-me mas não me revolta, quero gritar, chorar, arrancar esta máscara que está que nem pele, que arda, que sangre, mas que me deixe viver! Não há sentido nenhum, não há rumo que possa tomar como estou, como nada. Quis tanto, não sei o que quero agora, restam-me inseguranças atulhadas de vergonha, quero contar a alguém, sem receio de julgamento, sentada na areia a sentir a água gelada despertar-me, contar, sabes? Há muito que não me sinto eu, que não sinto sequer chego a duvidar que existo, que o que me rodeia é real porque não vejo realmente, não estou possuída, estou o oposto, vazia, como se eu não estivesse dentro de mim, como se me tivesse deixado, opaca, um cinzento a tentar passar-se por cores perante os outros para não estranharem, mas não consigo fingir ri...
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Quando a verdade chega ao altar, já todos os meus pecados estão sentados, já a luz ilumina a pedra fria que toma conta do chão, já voam os pombos até aos anjos. Sempre senti a carpete que reveste os degraus demasiado pesada por baixo dos meus pés, talvez de todos os pecados que varreram para ali, piso hipocrisia em cima de repugnância e ódio. Isto nunca foi uma casa, apenas várias paredes feitas de mentes fechadas. Quando a morte mais me seduzia, aquilo não foi um abrigo, refúgio, salvação, o que poderia aconselhar alguém que vivia consoante regras estabelecidas para controlar as massas? Viver a favor daquela 'causa'? Deixando cada vez mais para trás o que me constitui eu? Nunca me ensinaram a cultivar fé, tentaram ensinar-me a ser uma ovelha num rebanho guiado todo na mesma direção de forma a obterem o controlo total, pediram para decorar textos, recitá-los em grupo, dizê-los como uma oração a alguém com quem quase nunca senti ligação, à conta de toda a instituição que não o...
Realmente pele
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Agarra-se, arranha e sangra. Tento curar, procuro, questiono, revolto-me, rendo-me, adormeço. Acordo. As feridas ainda estão por sarar, ainda ardem, infectam-me. Em gozo, deixo-me ver o sol, talvez difarce, talvez não se veja, talvez passe despercebido, eu não os noto, talvez eles não reparem também. Lida, aceita, faz assim, não faças! muda, mas aceita, muda, queima, mas isso é defeito?! Não, foi feito assim - não sei se quero queimar a pele por não ser socialmente aceite assim ou por já não conseguir sequer olhá-la sem nojo. Humilhei-me à procura de respostas e soluções, apenas encontrei olhares contorcidos - «faz como toda a gente...» - mas quase ninguém é assim. Deixo-me repousar, num acto envenenado de aceitação própria, estagno, hiberno, deixo de me sentir para não estar perante um caos de destruição. A pele que me protege, é a mesma que me esfola, que me quer atear. As camadas visualmente estranhas, ásperas, rugosas, cicatrizes, marcas, quebras, queimaduras, manchas sobrepostas...
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Ajustou-se, aniquilou o que era, aqueceu, queimou, tornou-se pedra. Antes de não ser, o que era? O fim, não existe. O começo... não me lembro. E o que sei? Fecha o que vês, de vez, desta vez, dorme tudo o que falta para acordares no que te resta. Restos de ti que de magoam, apazigua-os, despede-te, adeus. Sente o que és, toca no que mais te repulsa, contradiz os maiores defeitos, apodera-te dos fracassos, comanda em ti, o teu corpo são ossos e músculos e pele como os deles, não és menos, és tu, és. Então, sê. Enquanto fores, não te escondas onde mais te encontras. O que nos resta? Olha para mim. Olha sem receio e ama-me, porque sou quem tens completamente. Eles destruiram-te, mas não tudo, cria-te por tudo o que doeu, que sangraste, que ouviste, que guardaste, que sedaste, deixa-me sentir, deixa tudo isso ressoar cá dentro, é o ritmo, é a prova da tua vida e apenas assim poderás voltar a saborear para poderes sarar.
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Onde foi o passado, Onde está, Poderá ser... Não queiras o total, a confiança Medo assombra-me, se me podes ver Escondo-me quando mais quero correr Não iludir-me, agir perante o que desejo Quero-te, quero-te, Mas quero mais em mim crer Desespero, suspiro, onde está o que me faz ser? Tiros perdidos que razam a camada O meio, o principal, a tela pura, Pinto-te no escuro, De dia não se vê Um daqueles poemas que escrevi prestes a ir domir já mais inconsciente que acordada, nem eu ao passar isto a limpo percebo bem o que escrevi.
Já estava cá
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Por mais tempo que tenha passado a acreditar que não tinha lugar neste mundo, nem me adaptava aqui, consigo perceber que ele sempre esteve à espera de me receber, apenas eu não sabia manifestar e impor-me, ainda hoje não sei como o fazer e duvido muito mais do que acredito mas sei que muito do sentir parte do impulso que lhe dou, em mim, aqui. Acho que é o medo que se esconde com esta máscara tão bem colocada, tão bem disfarçado que nem quase o consigo detetar, a insegurança, essa é descarada ao ponto de já não ter vergonha de se assumir perante o mundo, nem consigo filtrá-la ou impedi-la, escapa-me da boca, já se despiu, assumiu o meu corpo, o meu diálogo. Quando falo, não sou eu, são as minhas inseguranças que me fazem crer que são defeitos, são os meus desconfortos que me fazem sentir deslocada em qualquer espaço, quando escrevo, sou eu, sou mesmo eu e não sei definir-me mesmo assim, não sei analisar-me, descontruir-me, perceber de que sou composta, então não me vejo como uma paisag...
A todos os sonhos que nunca foram mais que isso
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Não encontro palavras, não chegam até ao que quero descrever, porque não sei o que quero. Estagnei sem ter alcançado algo que me faça sentir para além do nada, ansiei a vida adulta e um curso que me entusiasmou ao ponto de me sentir feliz, tenho parte disso, não o sinto. Ontem, enquanto estava deitada a ponderar sobre mim, cheguei à conclusão que não tenho ambições ou sonhos e preocupa-me, porque não é algo que se escolhe ou cria, uma paixão não é calculada, é descoberta e desperta em nós a vontade de a ter, de a viver, sem isso, sou mas não sinto nada, não sinto pelo que faço. Faço porque tem de ser, por ser responsabilidade, por ter investido dinheiro nisto, irei até ao fim. Eu nunca tive um grande sonho, um talento, uma grande paixão, acho que foi por isso que nunca encontrei a ânsia de viver, sempre foram pequenas coisas de momento. Nem quando era criança, quando me perguntavam o queria ser quando 'fosse grande' eu dava a resposta de pintora, porque era o que esperavam de m...
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Revejo o que está espelhado As núvens penduradas num céu vazio É uma vista digna de admiração, Nem um sorriso me atinge Há espaço na cama Coisas paradas à volta Movimento lá fora Que não me comove Ceder já nem se aplica perante desilusão Apenas transiciona para o nada Como tudo de que faço parte Ao longo de um imperceptível dia A noite não me aflige O dia não me ofusca A luz incomoda-me Porque os meus olhos estão abstractos ao que realmente vêem Não sei onde está o meu olhar que absorve as experiências que vivo, Tornando-as em danças de diversos pesos Tudo o que me incomoda é físico, Estômago revoltado, costas dobradas, ombros pesados Cega perante a realidade O trilho de emoções dos momentos, anulado Por uma capa, Protegerá o medo? Ou o falhanço total caso se ausente?
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Os outros A família Os amigos Aqueles Eu Casa Campo Fora Praia Rua A única razão pela qual prefiro o inverno é por poder tapar o meu corpo sem ter de explicar porquê, a única razão que me faz odiar o verão é por ter de tapar o meu corpo e sufocar de calor, por querer ir à praia e não ir ou ir e ficar na toalha, fugir dos olhares até estar dentro de água, ansiar uma praia vazia ou esperar que a praia vaze, para não ter de me esconder ou estar longe o suficiente para que não notem o meu corpo, a minha pele. O calor força-me a escolher entre sofrer dele ou adaptar-me e sofrer de excesso de consciência e vergonha. As minhas persianas estão quase sempre junto do fim porque a luz ilumina tudo o que complementa o meu exterior, tudo o que me complexa, por isso evito sair, por isso agonia-me sentir o sol aterrar em mim; as marcas, as mossas, os cravos, as dobras, as covas, os trilhos rugosos, a derme, o interno, eterno eu. Estão a olhar, pensam, riem, olham, lobo - gritam, encolho-me...
O mundo perdido
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O mundo anda perdido, seria de estranhar se eu não me perdesse, por vezes, também. O mundo vai sem volta, os carros já não regressam, vão embora, tentam fugir. O mundo anda perdido, todos sabem onde está, estamos todos nele, aqui, mas poucos páram para tentar causar o menos de mal ao que nos sustem, aos que nos acompanham. Tenho medo de me perder junto com tantos outros, por agora, tenho estado perdida em mim, na minha própria núvem de nevoeiro. Tenho tanto medo, de me deixar demover pela pressão da maioria, de ignorar as minhas crenças, de abandonar o que sou para encaixar melhor na visão dos outros, na vida deles. Porém, mais depressa me abandonaria do que os princípios que me mantêm firme para não causar dor a ninguém, a nada, prefiro sofrer, prefiro ser desprezada, observada de rasto, eles com narizes franzidos e sobrolhos questionantes, não vou abandonar quem sou, mantenho o meu pára-quedas aberto, uma vez que o foi, não se voltará a fechar. Enquanto não sei quem sou, sei o que d...
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No mundo em que acordo O sol fica longe da minha cabeça O meu corpo está comigo Mas não o sinto A lua já nem a vejo Já nem subo as persianas Para deixá-la iluminar O escuro cá dentro Está guardado, Preso Esta roupa já é velha Não retoma o que era Tentei ser os outros Não consigo Nem sei ser quem sou As fotos, o espelho Que engenho têm eles que eu não tenho? Peles cativantes Ruínas ambulantes Talvez se entrelaçasse a minha mão na tua Aquecesse o meu coração
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Percebi que não é a aprovação de outros que eu preciso, que não é alguém que me ame para repôr o que me falta sentir por mim, arrependo-me de quando o desejei. Reconheço que ser amada por alguém por quem eu sinta o mesmo possa ser fatal para a minha melhoria, porque tenho receio de que me ampare demasiado nesse amor e deixe de nutrir o meu, mas tal como se revelou errado o que achava, também pode ser este o caso. Tornarei o arrependimento em aprendizagem, em coragem, em carvão para fazer arder o que falta queimar, iluminando o que me falta ver e derretendo o gelo que falta para me fazer sentir. Que venha a tempestade, as lágrimas, o aperto no coração, os gritos de agonia, para que surja o sol, para que se revele dia.
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Planta o caminho com o teu peso, como a certeza de que estás presente em tudo o que fazes. Perde-se tanto tempo e alegrias ao vaguear demasiado, ao sumir-se dentro da própria existência, perde-mo-nos dentro do nosso corpo. Sem dispensar o nosso ser, deveríamos abraçá-lo, ter a certeza que preenche cada canto do nosso produto exterior, deixá-lo ver pelas janelas, incentivá-lo a imperar perante o que parecemos. Há uma beleza que ninguém vê nos outros, a forma como interagimos no mundo a sós. Onde as pessoas se suportam, entrelaçam os seus braços à volta do corpo, se embalam e acalmam o choro. Deitam-se no sofá, tapam-se com uma manta, ao colo uma refeição quente e, perante o olhar, um gosto que tenham. Cuidam-se, nutrem-se, sozinhas. Acredito que é necessário estabelecer essa relação, de nos cuidarmos como um filho, temos o mesmo valor, pertencemo-nos. Saber dizer sem vergonha "hoje fico em casa porque quero estar sozinha", sem inventar desculpas de tanto ter para fazer, faz po...
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No dia em que tiver certeza de que quero tatuar os meus pulsos, beijar feridas e correr por aí, estarei eu feliz. O tempo assombra-me, grita-me e chama por mim, eu fico, fico aqui, com medo de ser, finjo ser alguém lá para fora, finjo ser alguém para mim, mas a fachada é fraca e desfaz-se. Não me posso continuar a construir a partir de restos de erros, de momentos passados, de mentiras que me alimentam para continuar. Eu continuo, continuo aqui, mas não quero estar, se eu deixar cair a máscara, eu caio e tudo cai comigo, tenho medo que quando me deixar sentir eu desabe sobre mim. Acho que estas paixões que sinto são distrações que sem querer arranjo para deixar de me sentir alguém, deixar de me sentir, constantemente à procura de um molde a que me adaptar, para ser aceite, mas eu nunca irei preencher um molde que não o meu, o problema está em não querer o meu, o meu não tem qualidade e eu não me quero preencher, então limito-me ao vazio, a rabiscos com canetas permanentes e as mágoas a...
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Hope is the hand that holds you as you close your eyes to cry It is the presence that sits still even when you push her away Even when you swear there's nothing worth fighting for anymore Hope is the embrace that carries you when you feel like falling At some point you stop believing it Hope destroys me because it makes me expect something that never happens Those are expectations Hope is not something you expect It is already there It is life inside you Making sure you're here to see every sunrise Hope is the light blurred by your tears at the end of the darkness calling for you It's what kept you going even when you couldn't see reasons to It's what brought you here You are here And she's right beside you
Altura certa
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O que desejo vem ter comigo nas alturas em que não estou pronta para o receber. Querer, quero, mas como estou, não iria resultar, quase que prevejo que iria ainda piorar mais. Tenho de pensar que é pelo melhor, certas coisas não acontecerem, o estado em que me encontro faz com que essas coisas regressem em ricochete, estou implacável enquanto não me conseguir estabelecer na vida. Acho que sempre estive assim, um sempre desde que estou presente no mundo, agora está pior porque estou mais consciente, porque já não há como fugir, ignorar, evitar, está lá, está aqui, o primeiro passo é admiti-lo. Enquanto tenho isto para enfrentar e curar, certas questões incomodam-me, será que estas oportunidades irão voltar, será que ficam em espera enquanto não é momento certo? Ou será que as perco? De momento eu deveria pensar que, mesmo que não volte a tê-las, irei ter melhores, de momento... não tenho esperança para pensar em assim, tudo está oco, vazio, sem sentido e enquanto assim o vir, não irei v...