Realmente pele
Agarra-se, arranha e sangra. Tento curar, procuro, questiono, revolto-me, rendo-me, adormeço. Acordo. As feridas ainda estão por sarar, ainda ardem, infectam-me. Em gozo, deixo-me ver o sol, talvez difarce, talvez não se veja, talvez passe despercebido, eu não os noto, talvez eles não reparem também. Lida, aceita, faz assim, não faças! muda, mas aceita, muda, queima, mas isso é defeito?! Não, foi feito assim - não sei se quero queimar a pele por não ser socialmente aceite assim ou por já não conseguir sequer olhá-la sem nojo.
Humilhei-me à procura de respostas e soluções, apenas encontrei olhares contorcidos - «faz como toda a gente...» - mas quase ninguém é assim. Deixo-me repousar, num acto envenenado de aceitação própria, estagno, hiberno, deixo de me sentir para não estar perante um caos de destruição.
A pele que me protege, é a mesma que me esfola, que me quer atear. As camadas visualmente estranhas, ásperas, rugosas, cicatrizes, marcas, quebras, queimaduras, manchas sobrepostas de erva. Quanto mais me tento incluir, mais tenho de me disfarçar, a única cura possível é mental, mas assim a pele não muda e o que é não deixa de ser, apenas se aprende a lidar para não atormentar, como não o consegui fazer até agora, abstraio-me e embebedo-me de planos fictícios para não confrontar isso porque todas as vezes que olho o espelho, vejo-as revoltadas a olhar para mim, a lutar contra mim.
A medicina não cura isto, não há nada que mude genes, então como vou eu conseguir aprender a viver durante o meu tempo permanentemente com feridas despidas?
Pensava que já tinha chorado tudo por ser como sou, ainda choro, sufoco em lágrimas que nunca escorrem.
Humilhei-me à procura de respostas e soluções, apenas encontrei olhares contorcidos - «faz como toda a gente...» - mas quase ninguém é assim. Deixo-me repousar, num acto envenenado de aceitação própria, estagno, hiberno, deixo de me sentir para não estar perante um caos de destruição.
A pele que me protege, é a mesma que me esfola, que me quer atear. As camadas visualmente estranhas, ásperas, rugosas, cicatrizes, marcas, quebras, queimaduras, manchas sobrepostas de erva. Quanto mais me tento incluir, mais tenho de me disfarçar, a única cura possível é mental, mas assim a pele não muda e o que é não deixa de ser, apenas se aprende a lidar para não atormentar, como não o consegui fazer até agora, abstraio-me e embebedo-me de planos fictícios para não confrontar isso porque todas as vezes que olho o espelho, vejo-as revoltadas a olhar para mim, a lutar contra mim.
A medicina não cura isto, não há nada que mude genes, então como vou eu conseguir aprender a viver durante o meu tempo permanentemente com feridas despidas?
Pensava que já tinha chorado tudo por ser como sou, ainda choro, sufoco em lágrimas que nunca escorrem.
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