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A mostrar mensagens de junho, 2020

E ao terceiro mês, uma confissão

Há dias em que me esqueço de tomar os medicamentos de propósito. Numa espécie de auto-desafio, para ver se sinto algo para além de um estado neutro. Apesar de os tomar, tenho sentido a ansiedade a arranhar a minha porta para entrar e apoderar-se de mim. Já contaminou algumas das minhas rotinas. Antes de ficar fechada em casa, tinha finalmente encontrado um caminho iluminado e uma ânsia de o percorrer... hoje eu não sinto nada. Afoguei-me na rotina, e só três meses depois é que percebi que estou a fazer yoga no fundo do mar, e não estou a respirar de todo. Estou a viver dia a dia a arfar, por uma quebra na rotina, por algo que rompa este cinzento, e me vire do avesso, seja dor, raiva, ou extâse. Qualquer coisa que se manifeste e me faça sentir que ainda há em mim uma fragilidade de sentir a vida. Mas como se pode viver de novo, se dizem que não devemos tocar em nada fora de casa, nem sair da zona do conforto nem estar com alguém a não ser que se mascare? Irónico, como depois de meses a ...