Mensagens

A mostrar mensagens de setembro, 2016

Vou

Sabes onde não me sinto? Aqui. E sabes o que vou fazer? Vou embora. Mesmo. Não estou em mim ou não caibo cá dentro com toda a bagagem que insisto em carregar; o passado, os remorsos, as mágoas, as palavras, as memórias... o meu impasse é ter de deixar grande parte disso para trás, a minha proteção. Que aliás, protege-me do mundo exterior e do alcance autêntico dos outros mas faz ricochete das minhas inseguranças e pesadelos. Agora não tenho hipótese. Estou nervosa. As pessoas desejam-me sorte, desejam-me boa viagem, abraçam-me, sorriem de uma forma brilhante. E eu estou nervosa e ansiosa. Penso nos que não se despediram de mim. Penso nos que não sabem que vou embora, naqueles que não vão sentir a minha falta. E penso naqueles que me vão fazer chorar. Ainda estou aqui mas nunca estive realmente. Por isso já não devia ter medo, acho que não tenho realmente. Apenas receio que me abstraia mais do que já estou. Preciso de um foco e talvez este seja aquele que eu preciso de conhecer. Al...

Lancei um livro?

Atirei-o aí para o meio do caos virtual. Por mais que me segure ao passado enquanto mau hábito, é algo que quero largar e estou cada vez mais perto de não ter hipótese de escolha. Este livro não foi escrito nem de seguida, nem de propósito. Surgiu num âmbito académico porque tive a liberdade de o fazer. Então peguei em textos antigos, reescrevi, escrevi e entreguei-o para avalição. Aquilo que não conto a ninguém; entregue a um professor, num âmbito formal. Agora que o leio, são para aí umas quarenta páginas de lamentações, falta de auto-estima e festa da peninha. Tem uma sequência básica, responde a perguntas que ninguém fez, apenas diz e diz sobre coisas que me fizeram quem sou e como sou agora. Tenho sentimentos que se disputam em relação a este livro, azeda-me o paladar e ao mesmo tempo quero abraçá-lo, despedir-me. Tenho algures um eco em mim que quis contar tudo aquilo a alguém, ou a ninguém. Não sei porquê tinha um sentimento de dívida com algo ou alguém, como se tivesse m...
Hoje pensei nisto com mais calma e decidi partilhá-lo porque pode chegar a alguém a quem faça sentido. Porque foi algo em que falhei e gradualmente estou a corrigir; Ignorar o que se gosta de fazer e como o que nos rodeia pode esconder ou enaltecer isso. Desde que tive uma máquina fotográfica comigo quis capturar algo que ficasse comigo para sempre e fotografava tudo o que queria, sem pensar no resultado ou na importância que podia vir a ter, apenas porque gostava. Só assim consegui fazer da nostalgia uma qualidade. Até uma altura em que deixei de fotografar, outras confusões sobrepuseram-se, perdi-me, e esqueci-me. Há quem torne todos os gostos em sonhos, o que não é o meu caso, então ao não ter nada à minha volta que me impulsionasse para isso, deixei. Foi preciso anos mais tarde, estar num âmbito que me desse a hipótese de o fazer, mas não foi um reencontro imediato, foi preciso deixar de lado o medo e as comparações e deixar-me gostar e fazê-lo como queria. Tive dois âmbitos em que...

Transição

Estou num período de transição, de tratar de burocracias e fazer malas. Está um silêncio desconcertante aliado a uma falta de acontecimentos que me atordoa. Já falta pouco. Pouco para tanto. Despedi-me da maioria dos que me querem bem de uma forma tão simples e bonita. Despedi-me do meu lugar de infância. Vi sorrisos tão recheados de genuinidade, palavras cheias de coragem, recebi abraços já cheios de saudade. Tive pessoas apenas conhecidas a desejarem-me boa sorte, - daquela sincera, e olhos preenchidos de brilho. É pena que o sinta poucas vezes, mas por isso valorizo-o mais. Percebi de vez que a minha casa faz-me menos do que sou, é um mero ponto de passagem. A minha casa é onde sou melhor. Já encontrei várias, espero conhecer mais uma. Sou um pouco mais cada vez que saio daqui. De uma forma não amarga digo, que no dia que esta casa já não seja uma passagem, é porque estarei dona de mim; das minhas vontades, das minhas qualidades, do meu bem-estar. Vejo que há pessoas de bem algur...