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A mostrar mensagens de março, 2019

Foi sem querer

Irei um dia morrer a dizer que está tudo bem. Não finjo de propósito, é inato. Assim que atravesso a porta para a realidade, estou em modo automático. Sou minimamente eu, o suficiente para não transparecerem as feridas, os dilúvios. Sozinha, o peso do mundo cai-me nos ombros, escorre-me piano abaixo e desalinha-me as teclas. Desafinada não canto. Sinto que carrego uma dor mórbida, que nem um sol de esplendor consegue ofuscar. Não sei de onde vem tanta dor, tanta mágoa, tanto ressentimento. Corrói-me, destrói-me lentamente de uma forma doentia. Por vezes, deixa que passe por mim um aroma de esperança, leva-me a acreditar que vou ser feliz. Depois arranca a cortina, e empurra-me para o nevoeiro. Ri-se. Abtraio-me. Ri-se. O meu eco desvanece poço abaixo. Há momentos de solidão em que me permito estar comigo sem abafar que existo, e sinto estar a viver o último dia da minha vida. A quem ligo? A quem digo adeus? A quem peço desculpa? Na verdade... nada me prende a não ser o meu medo ...

Sem corda

Ultimamente oiço a tua voz, e penso estar a ouvir ecos do fim. Oiço essa voz e é a que assumo como real. Se a tua voz me soa desesperada, eu acredito não ser capaz; de olhar para outro lado, e viver. Eu não sei se te cale de vez ou te ensine a falar como devias já saber. As luzes acendem-se, os palcos enchem-se de ritmo, e sinto que não pertenço ali, nem aqui, nem sequer a mim. Esta desconexão não é liberdade, é uma prisão invisível. Se falta propósito, falta-me razão. Se tenho razões, mas não ressoam no epicentro, não sei que mais faça para sentir, nem sei se tente, sinto que só falho. Lembro-me de rir até às lágrimas, do teu abraço apertado, das noites cheias de eco, da vista alta sobre aquela cidade,  do 'sim' ser corajoso, os sorrisos mais rasgados, e os olhares mais partilhados. Sabes? Tenho saudades e não digo. Porque estão longe de mim, e por perto, nem eu estou de mim. Estou mal, e disfarço com cansaço. Mas acreditam porque eu caminho, e continuo. Mas eu hesito, largo...

we belong to the present

and as tender as the warmth of the fireplace you hold me like all my pieces fit together and i love you like i should love myself you pulled the curtain out of the gray the light shined through you lead me to the window view  first i saw the stars through the reflections on yours eyes then i heard the sea calling me out we jumped and landed on the soft mattress of the past it didn't hurt we were grateful we headed south to the present now we belong together.