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A mostrar mensagens de novembro, 2014
Entre este sonambolismo desperto E ilusões sentimentais Tristeza ainda ancorada E muito segura, A insegurança Esta mistura Faz-me querer muito E saber que não mereço nada Previ paixões Quis um amor ao lado de alguém que idealizei E apareceu Queria, mas sabia que não merecia Ele poderia ter alguém Mais bonita Mais deslumbrante Mais feliz Mais humana (E como iria lidar com um amor Se nem sei lidar com o meu?) Sou apenas um corpo danificado Preenchido de um alma feita de cinzas Um dia fui fogo Atiraram-me ao mar tantas vezes Deixei de saber acender-me E agora que sei O meu fogo queima-me em vez de iluminar Não quero tentar Dou por mim a chorar mais Porque já não consigo fugir da vida como antes Quero fechar-me Ela agarra-me e atira-me ao chão Desafia-me a tornar-me pessoa de vez A arder como o sol queima a minha pele A deixar-me revelar sob essa claridade Mas há tanto que me envergonha mostrar Estas imperfeições Tento escondê-las E querem-nas ilumi...

Correntes que impedem

Todos têm algo que até o presente nunca curaram, momentos que nos marcariam para sempre. Aquela marca que nos estragou "para sempre", para sempre é inexistente, mas não enfrentar os demónios que nos atacaram a certa altura faz sentir-nos o peso de palavras que nem são realistas. Na maioria dos dias, fingimos que não os ouvimos chamar por nós, mas não se evita alimentá-los, em cada momento de fraqueza, cada vez que sentimos que perdemos, eles ganham mais força e roubam a que de nós resta. Porque nos dispomos a ser escravos disto? Porque sabemos que vai custar enfrentar tudo isso e superar, a lógica é tão simples, conseguimos citar todos os passos para superar esses entraves, no entanto, ao tentar aplicá-la, torna-nos crianças outra vez, vemos um monstro gigante à nossa frente, olhamos para o lado oposto, sorrimos enquanto os pulsos se apertam nervosos e contornamos o monstro até nos deparamos com outro... o problema, é que quando o fazemos, eles não ficam para trás, esquecidos...

Momentos Fictícios

Ei, gosto do teu olhar, do brilho que parece cruzar-se com o horizonte quando o sol nasce, gosto quando sorris de vergonha e deixas-te ser vulnerável. Gostei quando nos sentámos à beira mar de madrugada, ainda embebidos naquela noite de excessos, enquanto desvanecia a dor de cabeça, as palavras despiam-se e refletiam-se nas ondas que morriam aos nossos pés. Por sabermos que iriam ser levadas pela maré, dissémos tudo sem hesitar, disse-te que queria voltar a ver-te, disseste que podias não ter tempo, não tive medo de me deixar parecer apegar, assim, entrelacei-me nos teus braços, fechei os olhos e esperei que me afastasses, como um teste, contei um, dois, três... dez segundos, estava ainda coberta pelo teu abraço, abri os olhos com medo, como quem receia o impacto da claridade depois de um longo momento de escuridão, olhei ligeiramente para cima e deparei-me com a claridade que não incomodava nunca, o teu sorriso, e o sentir do teu beijo poisar na minha testa. Imaginara tantos cenários ...
Deixei de me lembrar, mas ainda espero, manifesto em silêncio discreto que quis um momento muito mais prolongado, por temporário que fosse, mais um dia, mais uma noite... estaria disposta a aceitar a condição de uma despedida fria em troca de mais trocas de olhares, marcas aconchegantes, palavras honestas, audíveis no espaço mais ruidoso, quando me tiraste do chão quis ficar mais tempo a voar, mas não fomos feitos para isso e apenas tive tempo para te deixar de mim sorrisos e o tempo assim o quis. Os planos que sugeriste, o que entre risos planeámos, sem garantias mas com esperança num futuro, esperava ter ficado na capital mas uma minúscula quis levar-me daí, não era para ser, tenho de me relembrar e forçar pensar assim pois parecia e ainda parece que era isso o certo e é uma linha que nunca saberei onde me iria deixar, que teria paragem perto de ti, a carruagem seria a mesma, mas... o comboio que apanhei veio para bem longe e aí ficaste e suponho que esqueceste ou te arrependeste de ...
Traz a escada, para eu subir e conseguir ver o passado lá em baixo, desço, permaneço, sento-me e deixo o caos voar à minha volta, cravar-me irrigações de sono, não sou eu, são as minhas incertezas a parasitarem-se do meu medo. Traz a escada, outra vez, vou aqui ficar sentada a olhar para trás, a chorar o que suprimi, a deixar-me sobrecarregar pelo passado contigo a meu lado, um dia terei que te abraçar e amar para o meu temporário sempre. Somos tão cruéis um com o outro, mas sei que me queres feliz contigo, quero estar assim também, mas preciso de tempo, já perdi tanto, quero abrandar o passo. Sê um pouco mais frio, arrogante, enquanto me agarras na mão, leva-me contigo para aquele caminho que sabes como certo, deixas-me querer em ilusão e acabas tantas vezes por me levar a algo distante do que queria, termino a estar contente mas porque quase sempre não me surpreendes com o que quero? É por não ser o melhor para mim? O destino traçado? Traços em que tropeço... Não me peças para ter ca...
Atacam confusos sem redes, rendem-se sem saber que mal lhes querem. Que se quebre tudo o que é inoxo, vazio, tóxico, expele tudo e deixa o mundo cuidar de renovar esse ar, o teu respirar, profundo, os teus olhos fechados, braços poisados em pernas cansadas, o teu respirar, o teu respirar, inspira o som profundo, ao ritmo do teu coração, entrega-te às pulsações que percorrem a tua corrente. Corre ouro em ti, canta para o fazer brilhar, acende-o, deixa-te viver e ser tu, não te escondas em sombras, deixa-te iluminar.
O que gosto mais numa saída à noite é alcançar o estado desejado de beber, dançar sem querer saber de quem olha e do ridículo que se faça parecer. O pior é quando esse estado se envolve no fumo do tabaco e se perde por aí, entra o cansaço, fico enjoada do ambiente e esqueço-me que ainda falta mais uma fase para vir, aquela em que sou eu, honesta, sem aditivos, sem sangue corrompido, e há sempre alguém comigo que me fala e desta vez disse-me que vou conhecer alguém para sempre, mas não sei se estou pronta para esperar, não percebo como essa fase passa tão rápido, por ser a melhor talvez, leva-me a falar da vida, sem máscara, quero sempre abraçar quem fica a meu lado, porque sim, porque somos duas pessoas que estão no mesmo, deixaram a máscara no passeio e deixaram ver as olheiras que trazem de forçar sorrisos, forçar viver, admitiram que custa não ter alguém seguro, que nos abrace como nos queremos amar e ambas sabemos que temos de confiar no que somos, na vida que temos, mas concluimos...