Sem sentido
Pudesse eu conseguir dizer com toda a confiança que há sol depois de mais uma tempestade. Pudesse eu saber que há um caminho que me destina a uma paz que parece já fictícia. Pudesse eu dar-me a mesma dose de esperança que consigo aconselhar. Que fosse leve, tão mais leve do que hoje, do que ontem, do que todos estes meses de pausa sufocante. Que pudesse eu já respirar o ar da minha liberdade, e não o que por vezes, só às vezes, cada vez menos, entra pela janela. Soubesse o mundo deste mundo, e talvez tudo lhes fizesse mais sentido. Mas sei eu deste mundo em que vivo, e nem por isso lhe entendo um sentido. Pudesse eu sentir, tão facilmente, um fascínio com destino. Talvez ruim, fosse cada vez mais anónimo. Talvez um rumo fosse mais caminho. Talvez pesassem mais as qualidades, do que os desatinos. E talvez, mais um de incontáveis momentos perdidos, levassem a mais um só, que fizesse todo o resto do sentido.