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A mostrar mensagens de março, 2015

Misto de istos com os outros

É apenas o meu segundo ano de me relacionar com o mundo, os nervos roubaram-me uma noite e quase todos os dias, não sei de onde veio a força para quebrar laços venenosos, não sei se não consigo chamar-lhe coragem por não o ter sido ou por não acreditar que sou capaz. Depois de liberta, caíram baldes de humilhação e a solidão amadoreceu, tive muitas vezes de pôr o orgulho de parte para perguntar se podia ter alguém como companhia, até que fui incluída, mas nunca sentido que pertencia totalmente, mas o suficiente para arriscar viver agora memórias e arrependimentos. O problema é que começo com impulso mas desvanece e, mais uma vez, trouxe toda a minha coragem inconsciente para viver num ambiente totalmente desconhecido, resultou, mas agora, está tão confuso e desencorajador, é injusto o que eu sinto afetar como os outros lidam comigo, é injusto que tenho de manter-me extrovertida e sorridente para poder ser considerada. Não é fácil, não é, especialmente que tenho sentimentos a ferver que...
Quero o teu sossego, o teu medo e o meu bem e longe, nós ao lado e em frente a ponte, mãos entrelaçadas ao deixar as correntes soltas, partir e correr, deixar ficar tudo o que fomos e fizemos de errado. Quero sentir o vento beijar-me a pele porque eu corro contra ele e não porque ele me abala, rir e saborear o sal no ar, ouvir os teus risos entre o teu respirar. Notas de mar a ir sem regressar, nós a cantar sem pensar e apenas ir sem nos deixarmos cambalear, apenas no embalo do fruto que amadoreceu à luz que tentámos escapar, o sangue finalmente elétrico do pulsar, nós a chorar, entre suspiros, dizendo adeus e sendo nós.
Enquanto a cadeira não se arrasta, o rasto que ficou para traz ainda está em braza, parte dele seduz e é ateado. Em que página se fecha um tormento? O sentido, o estado, o sentimento, o nervoso abafado é o medo disfarçado e o medo preso por um manto de nada, que ofusca, que anula. O sal não arde, o doce não saceia, as ânsias e desejos suprimidos levam a erros de julgamento, o que pensava querer não é o que me alimenta, estou esfomeada mas não encontro o que me preenche. À mínima emoção, reajo num impulso descontrolado e corro até me esconder debaixo do nada. Não tenho o controlo em mim, cansa-me e enlouquece-me ser parte deste nevoeiro, mas à possibilidade de o domar, petrifico e só reajo quando o medo toma conta de mim para pegar na minha mão e fugir, instintivamente, escondo-me. Estou sentada a respirar as cinzas de todos os erros que já fui para não me levantar.
Chuva que cais ilesa, a tua queda o teu poder, irriga as plantas dos meus pés para que os tenha assentes num solo fértil que me faça renascer.

Meios dias pela noite

Encostada a ferros tapados por um almofada, há palavras que já nem fazem sentido usá-las, são contradições porque não se aplicam ao que vejo e como experiencio. Importo-me, mas não o suficiente, magoa, mas não ao extremo, irrito-me mas não me revolta, quero gritar, chorar, arrancar esta máscara que está que nem pele, que arda, que sangre, mas que me deixe viver! Não há sentido nenhum, não há rumo que possa tomar como estou, como nada. Quis tanto, não sei o que quero agora, restam-me inseguranças atulhadas de vergonha, quero contar a alguém, sem receio de julgamento, sentada na areia a sentir a água gelada despertar-me, contar, sabes? Há muito que não me sinto eu, que não sinto sequer chego a duvidar que existo, que o que me rodeia é real porque não vejo realmente, não estou possuída, estou o oposto, vazia, como se eu não estivesse dentro de mim, como se me tivesse deixado, opaca, um cinzento a tentar passar-se por cores perante os outros para não estranharem, mas não consigo fingir ri...
Quando a verdade chega ao altar, já todos os meus pecados estão sentados, já a luz ilumina a pedra fria que toma conta do chão, já voam os pombos até aos anjos. Sempre senti a carpete que reveste os degraus demasiado pesada por baixo dos meus pés, talvez de todos os pecados que varreram para ali, piso hipocrisia em cima de repugnância e ódio. Isto nunca foi uma casa, apenas várias paredes feitas de mentes fechadas. Quando a morte mais me seduzia, aquilo não foi um abrigo, refúgio, salvação, o que poderia aconselhar alguém que vivia  consoante regras estabelecidas para controlar as massas? Viver a favor daquela 'causa'? Deixando cada vez mais para trás o que me constitui eu? Nunca me ensinaram a cultivar fé, tentaram ensinar-me a ser uma ovelha num rebanho guiado todo na mesma direção de forma a obterem o controlo total, pediram para decorar textos, recitá-los em grupo, dizê-los como uma oração a alguém com quem quase nunca senti ligação, à conta de toda a instituição que não o...

Realmente pele

Agarra-se, arranha e sangra. Tento curar, procuro, questiono, revolto-me, rendo-me, adormeço. Acordo. As feridas ainda estão por sarar, ainda ardem, infectam-me. Em gozo, deixo-me ver o sol, talvez difarce, talvez não se veja, talvez passe despercebido, eu não os noto, talvez eles não reparem também. Lida, aceita, faz assim, não faças! muda, mas aceita, muda, queima, mas isso é defeito?! Não, foi feito assim - não sei se quero queimar a pele por não ser socialmente aceite assim ou por já não conseguir sequer olhá-la sem nojo. Humilhei-me à procura de respostas e soluções, apenas encontrei olhares contorcidos - «faz como toda a gente...» - mas quase ninguém é assim. Deixo-me repousar, num acto envenenado de aceitação própria, estagno, hiberno, deixo de me sentir para não estar perante um caos de destruição. A pele que me protege, é a mesma que me esfola, que me quer atear. As camadas visualmente estranhas, ásperas, rugosas, cicatrizes, marcas, quebras, queimaduras, manchas sobrepostas...
Ajustou-se, aniquilou o que era, aqueceu, queimou, tornou-se pedra. Antes de não ser, o que era? O fim, não existe. O começo... não me lembro. E o que sei? Fecha o que vês, de vez, desta vez, dorme tudo o que falta para acordares no que te resta. Restos de ti que de magoam, apazigua-os, despede-te, adeus. Sente o que és, toca no que mais te repulsa, contradiz os maiores defeitos, apodera-te dos fracassos, comanda em ti, o teu corpo são ossos e músculos e pele como os deles, não és menos, és tu, és. Então, sê. Enquanto fores, não te escondas onde mais te encontras. O que nos resta? Olha para mim. Olha sem receio e ama-me, porque sou quem tens completamente. Eles destruiram-te, mas não tudo, cria-te por tudo o que doeu, que sangraste, que ouviste, que guardaste, que sedaste, deixa-me sentir, deixa tudo isso ressoar cá dentro, é o ritmo, é a prova da tua vida e apenas assim poderás voltar a saborear para poderes sarar.
Onde foi o passado, Onde está, Poderá ser... Não queiras o total, a confiança Medo assombra-me, se me podes ver Escondo-me quando mais quero correr Não iludir-me, agir perante o que desejo Quero-te, quero-te, Mas quero mais em mim crer Desespero, suspiro, onde está o que me faz ser? Tiros perdidos que razam a camada O meio, o principal, a tela pura, Pinto-te no escuro, De dia não se vê Um daqueles poemas que escrevi prestes a ir domir já mais inconsciente que acordada, nem eu ao passar isto a limpo percebo bem o que escrevi.

Já estava cá

Por mais tempo que tenha passado a acreditar que não tinha lugar neste mundo, nem me adaptava aqui, consigo perceber que ele sempre esteve à espera de me receber, apenas eu não sabia manifestar e impor-me, ainda hoje não sei como o fazer e duvido muito mais do que acredito mas sei que muito do sentir parte do impulso que lhe dou, em mim, aqui. Acho que é o medo que se esconde com esta máscara tão bem colocada, tão bem disfarçado que nem quase o consigo detetar, a insegurança, essa é descarada ao ponto de já não ter vergonha de se assumir perante o mundo, nem consigo filtrá-la ou impedi-la, escapa-me da boca, já se despiu, assumiu o meu corpo, o meu diálogo. Quando falo, não sou eu, são as minhas inseguranças que me fazem crer que são defeitos, são os meus desconfortos que me fazem sentir deslocada em qualquer espaço, quando escrevo, sou eu, sou mesmo eu e não sei definir-me mesmo assim, não sei analisar-me, descontruir-me, perceber de que sou composta, então não me vejo como uma paisag...
Sinto-me uma memória distante no meu próprio presente.

A todos os sonhos que nunca foram mais que isso

Não encontro palavras, não chegam até ao que quero descrever, porque não sei o que quero. Estagnei sem ter alcançado algo que me faça sentir para além do nada, ansiei a vida adulta e um curso que me entusiasmou ao ponto de me sentir feliz, tenho parte disso, não o sinto. Ontem, enquanto estava deitada a ponderar sobre mim, cheguei à conclusão que não tenho ambições ou sonhos e preocupa-me, porque não é algo que se escolhe ou cria, uma paixão não é calculada, é descoberta e desperta em nós a vontade de a ter, de a viver, sem isso, sou mas não sinto nada, não sinto pelo que faço. Faço porque tem de ser, por ser responsabilidade, por ter investido dinheiro nisto, irei até ao fim. Eu nunca tive um grande sonho, um talento, uma grande paixão, acho que foi por isso que nunca encontrei a ânsia de viver, sempre foram pequenas coisas de momento. Nem quando era criança, quando me perguntavam o queria ser quando 'fosse grande' eu dava a resposta de pintora, porque era o que esperavam de m...