Enquanto a cadeira não se arrasta, o rasto que ficou para traz ainda está em braza, parte dele seduz e é ateado. Em que página se fecha um tormento? O sentido, o estado, o sentimento, o nervoso abafado é o medo disfarçado e o medo preso por um manto de nada, que ofusca, que anula. O sal não arde, o doce não saceia, as ânsias e desejos suprimidos levam a erros de julgamento, o que pensava querer não é o que me alimenta, estou esfomeada mas não encontro o que me preenche. À mínima emoção, reajo num impulso descontrolado e corro até me esconder debaixo do nada. Não tenho o controlo em mim, cansa-me e enlouquece-me ser parte deste nevoeiro, mas à possibilidade de o domar, petrifico e só reajo quando o medo toma conta de mim para pegar na minha mão e fugir, instintivamente, escondo-me. Estou sentada a respirar as cinzas de todos os erros que já fui para não me levantar.
Linha correspondente
Entre linhas soltas Entrelaçados De cores diferentes Realmente separados Se esta parede não cai Caio eu Se a luz não entra Apago-me Se a voz não me alcança Eu calo-me Isolo-me E canto Em tom médio Será que se ouve ao lado? Não como podia, Como temo ser ouvida, canto Até as cordas entalarem o som E as cordas não soam acordo vontade Quero que acordes agora Deixes de tentar reanimar memórias Que foram apenas um momento E o rasto que te deixaram foi temporário Então solta a linha, Pois está solta do outro lado Só por um momento foi mútuo, Agora separado, Agora nada, Nada. Se o sol não atravessa a janela Sai Se a parede separa a realidade Sai Se não te falam Fala Diz Se cantar te magoa Canta como podes No tom que devias Não temas Não temas não obter resposta Um dia terás E pode não ser da mesma linha Ou na mesma linha, Mas irá corresponder, Responde ao que tu sentes Não esperes ser remetente
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