Viver não é só respirar
Já passaram mais de dois meses desde que hasteei bandeira branca. Quase ninguém sabe, e hoje eu conto. Desde sempre que travo uma batalha comigo. Uma que se prende com tantas outras, já todas dadas como perdidas. Normal para mim é não estar bem. Desde sempre que tive a sensação que estava pré-formatada para não ser feliz. E tudo em mim e à minha volta contribuía para que não fosse. Como nunca consegui curar esta âncora que me arrastava, adaptei-me às feridas que me causava, e a tantas outras que me foram atingido simultaneamente. Moldei-me à dor, deformei-me com ela, e eventualmente tornei-me estátua, estática e apática. Então o que se faz quando se é a própria pedra no caminho? Quando te dizem já ser tarde para apontar aos outros a culpa, mas que a própria culpa é demasiado pesada para ser carregada só por ti? Quando te dão como solução perdoares sem nunca ninguém ter pedido perdão? Quando te olhas aos espelho e repugnas o que reflete? Quando o vazio é tão pesado, e sufoca...