Mensagens

A mostrar mensagens de 2020

Um dia nasce

 Nasce um dia novo, nem os raios de sol deslumbram a sombra que páira. Numa casa sem casos, em caos. Num ano que começou com as minhas melhores conquistas guarda simultaneamente o derrubar das mesmas. O próximo, será voltar a reerguer essas peças que tinha conseguido montar numa harmonia que nunca pensei existir, que agora deixei de conseguir acreditar estar reservada para mim. Mas todos os dias, uns mais que outros, é para lá que caminho, é por esse destino que enfrento estes dias. Mesmo nos dias em que a esperança não acorda, nas semanas em que falham sorrisos, em que falta o ar puro. Era bom ter a meu lado aqueles que me fazem sorrir o mais simples e banal, conviver. Nas palavras há um refúgio, impossível de moldar por restrições ou normas ou politicamente correto. Irei relê-las um dia e conhecer de mim um passado que pensava não conseguir ultrapassar. Talvez escreva como prova, talvez para fossilizar um presente que deve passar de vez a história. Nunca quis tanto virar uma pági...

O ciclo da inspiração

Todos os que (con)vivem com a criatividade, seja por gosto ou trabalho, já se depararam por certo com as diversas fases que fazem parte da construção deste caminho. Os primeiros passos em território desconhecido, as ferramentas nunca vistas na vida, os erros, as tentativas frustradas, o lidar com o ego a sussurrar para deitar tudo ao lixo e nunca mais tentar. A traiçoeira comparação, o mergulho pela busca de inspiração, o deslumbramento pelo que se encontra, a admiração pelo talento abundante que cohabita à nossa volta. A primeira vez que se sente a paixão a arder, a criação a derramar da fonte para o suporte, o impulso de continuar. E daí se estabelece um ciclo, onde nenhuma dessas fases desparecem, tornam-se cada vez mais um desafio em proporção com o desenvolvimento de cada capacidade. Quanto mais desvendamos a panorâmica, mais temos com o que lidar. Há outra fase muito bonita, quando o orgulho saudável se impõe ao ego, e partilhamos com o mundo o que criámos, e chega a alguém, que ...
Há muitas portas bonitas por aí, que guardam lugares ainda mais deslumbrantes que a fachada. Muitas dessas, em que falho ao crer que não sou digna de entrar. As crenças são uma força avassaladora, que nos sustêm, impulsionam ou destroem. Na grande maioria das vezes, a minha falha foi a falta da crença mais básica que estabelece as fundações para tudo o resto na vida; de que sou alguém capaz. Capaz de confiar em mim, capaz de fazer pelo que quero, pelo meu bem e por quem bem me quer. Há portas que conhecemos tão bem que até às escuras as conseguimos destrancar. Às vezes a rotina dá lugar ao comum, e torna aparentemente banal que não estar bem ali é normal desde que se esteja num lugar. É a rasteira que nos entrelaçada no caminho que nos corrói, na casa que não nos pertence por falta de espaço para evoluir, espaço para um futuro, espaço para crescer num solo sem químicos. Tenho de reprogramar um sistema que funcionou na frequência errada durante demasiado tempo, e primeiro vou ter de fin...
Enquanto o tempo escorre pelos dedos, pelos raios de sol que fogem das paredes, é fácil perder a noção do sentido de ser. Quando se vêem as mesmas paredes de dentro, as mesmas pessoas da semana, quando o círculo é restrito e o cerco aperta, é fácil que toda a energia seja consumida pela rotina e pelas obrigações porque não deixam espaço para refletir sobre esta núvem que páira. Às vezes, é mais fácil não pensar porque não se corre o risco de escorregar na espiral que leva ao fundo, e consome sem regra nem previsão. Esta semana, nem à música tenho prestado atenção. Refugiei-me automaticamente na rotina. Percebi agora que, por vezes, ao tentar controlar não sentir algo em específico, deixo de procurar o que naturalmente me faz sentir, e deixo de sentir de todo, e tudo. Esta semana senti apenas o corpo; senti cansaço, sono, fraqueza, enjoo, senti o sol quente abraçar-me a pele, senti o calor das mantas, senti o frio que guarda a sombra, o corpo a ressentir a falta de treino, senti a colun...
Recebi um convite para ir a um hotel no Porto.  Convidada por alguém de quem já me esqueço mais do que me lembro. Ainda assim pergunto-me, porquê ele? E, mais ainda, porquê o Porto? Se os sonhos se baseiam nos detalhes que nos prendem, no que nos rodeia ou naquilo em que estamos constantemente a pensar, porque sonhei com elementos que não fazem parte da minha realidade em nenhuma dessas formas? Hesitei em aceitar, quando ainda não tínhamos conversado verdadeiramente. Mesmo em sonho, como em realidade, não chegámos a falar. E eu não cheguei a ir ao Porto.
Não nos conhecemos. Talvez tenha sido apenas a solidão de cada um. Talvez tenha sido a vontade de quebrar a rotina. Talvez tenha sido a carência, a sensação de parar o tempo. Mas nada nem ninguém existe apenas nas pausas, se não forem seguidas de cada presente. Não foste tu quem conheci, nem me conheceste a mim. Talvez tenha sido um futuro não alcançado. Um futuro que não foi feito para se cumprir.
I'm the next chapter. Mine. And yours if you dare. I'm the roaring of an awaiting and eager future looking for its place in this present moment. So what if I'm too sensible, too quiet, too anxious?  I know that there's a place for me, the one that I'm creating. I know the people who are meant to be part of my life will understand what I feel, will know about the unspoken and will share the same wonder for life. So what if it's okay to have failed? Because it is. Because it has taught me, it has proven me what isn't mean to be.  What's meant to be will always find you. And so I will find myself aswell.

Acordar e Mudar de Vaso

Estas últimas manhãs tenho acordado mais cedo que o normal, e a luz do dia tem-me recebido como um abraço. Atravessa pelas cortinas brancas recém estreadas, leve e clara, reflete as portadas ou os eixos dos vidros. Manhãs que não ansiava ver, agora fazem-me antecipar como será o próximo acordar. Tem sido com paz, e um sentido de arte natural. Como se soubessem o quanto preciso dessa magia simples, desse abraço, dessas obras que se refletem quarto a dentro. Que me convidam a sair, a renovar, a olhar de novo, para um novo. Talvez saibam que as paredes ainda não têm quadros, talvez saibam que estou presa a uma moldura que não me serve, muito menos para me fechar cá dentro. A arte vem de fora, mas a luz vem de dentro. Talvez saibam que alguém me iludiu de noite e desiludiu os dias, e por isso me relembrem que devo viver debaixo da luz do céu acesa. De noite até se podem revelar certos esconderijos no embalo do silêncio e penumbra, mas há verdade mais transparente e valiosa do que aquela qu...

Foi só uma paragem

 Acordar, e agradecer. Apesar de tudo, e devido a tudo, estou aqui. A meio do caminho para o próximo capítulo. Sei que tenho tudo para estar bem, mas não tenho o que preciso para ser feliz. Talvez tenha sido um erro atirar-me para o mundo sem estar equilibrada, mas já tinha deixado de viver há meses para continuar tantos outros assim. Conheci um outro lado, uma outra maneira de outro ser que não sabia existir. Que há quem me abrace sem me sufocar, que me fale sem denunciar, que não me consuma o que sou, que tenha a calma de uma manhã de sábado. E por isso só, talvez tenha valido. Para me fazer crer que nem todas as pessoas são como aquelas que me magoaram e ainda hoje me magoam. Que há um lado de fora, fora deste avesso cá dentro, que não me quer roubar o brilho, apenas ver-me brilhar. Que não é só a tempestade dentro destas paredes, que essa sim assusta, e corrói, e polui-me. Se eu confiar mais no mundo, ele vai revelar-se. Eu sei que o mundo nunca magoará tanto quanto esta casa m...

Apostas para o Futuro

 É hora de almoço, e escrevo fora do chão. Trabalho numa área gráfica, mas a minha visão é sentimental. Então esta não é uma previsão visual e literal do futuro, é o que sinto saber do rumo a que nos leva este ritmo. Mais de meio ano depois do começo desta loucura viral, fomos todos desafiados a repensar hábitos e relações. A luz clínica, dura e fria, incidiu sobre o melhor e o pior das nossas vidas. Obrigou a passar um pente fino em tudo, e a largar o que não poderíamos trazer para esta realidade. Passámos a dar o devido valor às pessoas e ao que sentimos, mais do que as coisas, do quanto trabalhamos, e nos falta tempo. Pessoalmente, nunca me fez tanta falta o convívio que tinha reconquistado. Percebi o quanto é importante estar e partilhar momentos, é algo que dá sentido às rotinas por cativar a vontade de as quebrar para fugirmmos ao mesmo tempo. São as piadas que surgem no momento, as conversas sem rumo e sem nexo. Foi tentar aplicar o que as amizades à distância me obrigaram a...
A ver se perdemos o norte, E encontramos o rumo A ver se a sorte, Renasce da morte De mais uma falsa promessa encantada.

Os que fazem falta

Ter amizades à distância é doce e amargo, é saber e viver o poder de uma verdadeira conexão, mas ter de sustentar a distância. É não existir um até já, até logo, ou até amanhã, mas um "até um dia" que se vai cumprir. É alinhar os fusos horários, e estarmos online ao mesmo tempo para nos vermos, pelo menos, lado a lado num ecrã. Sou tão grata por ter encontrado estas pessoas, e pelo momento em que todos nos cruzamos no mesmo caminho, e sorrimos. Nem me lembro bem de sermos estranhos, o destino fez cumprir o propósito de sermos amigos, de vida, e até onde a vida nos levar. O invisível é tão estranho e intocável, existe no que nos separa, existe no que nos une. Existe nas mensagens, nas traduções instantâneas, existe nos planos de viagem, existe nas mensagens de voz em que deixamos parte de nós.  Hoje fizeram-me rir até chorar como se estivéssemos lado a lado, como se só existisse um lugar, aquele momento que partilhávamos.  Fazem-me falta, mas sei que estão aí, como eu estarei ...

Sem sentido

Pudesse eu conseguir dizer com toda a confiança que há sol depois de mais uma tempestade. Pudesse eu saber que há um caminho que me destina a uma paz que parece já fictícia. Pudesse eu dar-me a mesma dose de esperança que consigo aconselhar. Que fosse leve, tão mais leve do que hoje, do que ontem, do que todos estes meses de pausa sufocante. Que pudesse eu já respirar o ar da minha liberdade, e não o que por vezes, só às vezes, cada vez menos, entra pela janela. Soubesse o mundo deste mundo, e talvez tudo lhes fizesse mais sentido. Mas sei eu deste mundo em que vivo, e nem por isso lhe entendo um sentido. Pudesse eu sentir, tão facilmente, um fascínio com destino. Talvez ruim, fosse cada vez mais anónimo. Talvez um rumo fosse mais caminho. Talvez pesassem mais as qualidades, do que os desatinos. E talvez, mais um de incontáveis momentos perdidos, levassem a mais um só, que fizesse todo o resto do sentido.

O que perdoo

​Desculpa-me as promessas que sufoquei com o medo. Desculpa-me todas as vezes que me neguei a viver. Desculpa-me todas as vezes que não afirmei a minha verdade. Desculpa-me o pó que não limpei, desculpa-me todas as vezes que cheguei atrasada para ser feliz. Nunca acreditei ser possível ser tudo ou algo só sequer. Quero corrigir-me, alinhar-me e lutar por aquilo que mereço. Quero ser inteira. Por mim, pelo meu bem, e para que quando chegar o dia em que terei dado vida a alguém, saber rodeá-lo de um amor tão inteiro que transborde, e que para onde vá, saiba sempre que poderá nadar de volta. Um amor por inteiro começa pelas partes que cabem em nós. Um amor por inteiro não precisa de ninguém, mas quando tem alguém, é mais, nunca menos, nunca a metade, é mais do que tudo o que já era. Já tive de reviver vários episódios, corrigir o enredo, aprender de vez a lição para lá de cada erro. Há meses que não escrevo a sério, e hoje enquanto oiço um novo álbum, as palavras escorrem-me. Vêm do passa...

O que não faz mal, não faz bem.

O que não agita, não amedronta, não desafia, não transforma, não preenche, não faz espaço para caber uma alegria. No que hoje se vive, de não se poder viver sem limites, de não se saber bem onde está o risco que não se deve pisar, acabei por deixar que as paredes se fizessem prisões, de mim para mim, e de mim para o mundo. Desconectei de tudo. Até o mais fútil e superficial não tem presença. Um dia passa a outro sem nitidez. E algures no meio, perdi a capacidade de encher esse espaço com o que me fazia sentir que estava a viver a vida, e enfrentá-la, a confrontá-la, a conquistá-la.

E ao terceiro mês, uma confissão

Há dias em que me esqueço de tomar os medicamentos de propósito. Numa espécie de auto-desafio, para ver se sinto algo para além de um estado neutro. Apesar de os tomar, tenho sentido a ansiedade a arranhar a minha porta para entrar e apoderar-se de mim. Já contaminou algumas das minhas rotinas. Antes de ficar fechada em casa, tinha finalmente encontrado um caminho iluminado e uma ânsia de o percorrer... hoje eu não sinto nada. Afoguei-me na rotina, e só três meses depois é que percebi que estou a fazer yoga no fundo do mar, e não estou a respirar de todo. Estou a viver dia a dia a arfar, por uma quebra na rotina, por algo que rompa este cinzento, e me vire do avesso, seja dor, raiva, ou extâse. Qualquer coisa que se manifeste e me faça sentir que ainda há em mim uma fragilidade de sentir a vida. Mas como se pode viver de novo, se dizem que não devemos tocar em nada fora de casa, nem sair da zona do conforto nem estar com alguém a não ser que se mascare? Irónico, como depois de meses a ...

Sobre quem

Quem me procura quando deixo de alcançar? Quem me encontra a meio caminho? Quem está disposto a correr sem destino desde que me alcance? Não é sobre quem te fala, é mais sobre quem precisa de te ouvir falar, de te ver, de te encontrar. É sobre quem quer o melhor para ti, e por isso quer ser o melhor de si. É sobre quem te desafia, quem te inspira, quem te faz atravessar a linha. É sobre quem te faz escrever a sorrir. É sobre quem te olha de volta e de transmite tudo sem precisar de dizer nada. É sobre quem te deixa adormecer sem medo que acordes com um vazio ao lado. É sobre quem te faz sentir, sem duvidar.

Prometo-me...

Continuar a andar, mesmo que alguém me prenda no tempo. Prometo largar as mãos de quem não me prende. Prometo deixar-me errar, e saltar, mesmo se com medo. E mesmo assim, perdoar os meus erros. Prometo aceitar-me. Mesmo nos dias em que faça tempestade cá dentro. Mesmo quando não sinta o que vejo. Prometo ser-me primeiramente fiel, E zelar pela minha felicidade. Prometo continuar, Mesmo nos dias em que não encontre a luz. Prometo deixar a janela aberta para o mundo, E não perder a esperança, Mesmo que ataquem o muro. Prometo olhar em frente, Mesmo que as lágrimas desfoquem o caminho. E prometo sorrir, Mesmo se sem sentido. A ouvir: Calgary - Bon Iver

Vai ficar tudo bem

Ainda não acredito que tenho a vida a abrir-se para mim, ou se fui eu que desisti de lutar contra as correntes quando estendi os braços à vida para fazer o que quisesse de mim, para me arrasar ou deslumbrar. Tentei por tantos anos ver florescer depois de todas as tempestades, tinha perdido toda a esperança; no destino, no caminho, nas pessoas que se atravessavam nele, em mim. Tinha-me resignado a tudo o que me calhou sem escolher. E que tudo o que me calhou foi por não merecer melhor. Até há poucos dias, estava em tréguas com tudo isso, a viver mesmo se sem sabor. Mas fui derrubada num instante. Caí com um estrondo que que nunca antes senti. Senti como se me tivessem cravado no peito, e o meu corpo abraçou essa dor. Que todo o oxigénio foi sugado. Acreditei ter perdido tudo de vez, que era o meu fim. Deixei de ver bem, de me equilibrar, de conseguir respirar, ao mesmo tempo que queria vomitar toda a minha vida. Achava que ter sido destruída, de vez. Achava que todos estes meses qu...