O ciclo da inspiração

Todos os que (con)vivem com a criatividade, seja por gosto ou trabalho, já se depararam por certo com as diversas fases que fazem parte da construção deste caminho.

Os primeiros passos em território desconhecido, as ferramentas nunca vistas na vida, os erros, as tentativas frustradas, o lidar com o ego a sussurrar para deitar tudo ao lixo e nunca mais tentar. A traiçoeira comparação, o mergulho pela busca de inspiração, o deslumbramento pelo que se encontra, a admiração pelo talento abundante que cohabita à nossa volta. A primeira vez que se sente a paixão a arder, a criação a derramar da fonte para o suporte, o impulso de continuar. E daí se estabelece um ciclo, onde nenhuma dessas fases desparecem, tornam-se cada vez mais um desafio em proporção com o desenvolvimento de cada capacidade. Quanto mais desvendamos a panorâmica, mais temos com o que lidar.

Há outra fase muito bonita, quando o orgulho saudável se impõe ao ego, e partilhamos com o mundo o que criámos, e chega a alguém, que por sua vez, se inspira. Esta é a beleza da partilha constante que nos conecta não pelo que parecemos ser, mas por algo que faz parte do que somos.

São estas linhas invisíveis que nos conectam ao mundo, que fazem os nossos conhecidos verem-nos mais de perto, e que os desconhecidos nos vejam pela primeira vez, não pelo que parecemos, mas pelo que criámos.

Muitas vezes, não é a falta que rede que nos deixa de fora, é ficarmos dentro sem nos ligarmos ao mundo.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Linha correspondente

Sê, É