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A mostrar mensagens de fevereiro, 2015
Sinto muito não sentir. Sinto muito não sentir nada. Sinto muito nada.
Revejo o que está espelhado As núvens penduradas num céu vazio É uma vista digna de admiração, Nem um sorriso me atinge Há espaço na cama Coisas paradas à volta Movimento lá fora Que não me comove Ceder já nem se aplica perante desilusão Apenas transiciona para o nada Como tudo de que faço parte Ao longo de um imperceptível dia A noite não me aflige O dia não me ofusca A luz incomoda-me Porque os meus olhos estão abstractos ao que realmente vêem Não sei onde está o meu olhar que absorve as experiências que vivo, Tornando-as em danças de diversos pesos Tudo o que me incomoda é físico, Estômago revoltado, costas dobradas, ombros pesados Cega perante a realidade O trilho de emoções dos momentos, anulado Por uma capa, Protegerá o medo? Ou o falhanço total caso se ausente?
Os outros A família Os amigos Aqueles Eu Casa Campo Fora Praia Rua A única razão pela qual prefiro o inverno é por poder tapar o meu corpo sem ter de explicar porquê, a única razão que me faz odiar o verão é por ter de tapar o meu corpo e sufocar de calor, por querer ir à praia e não ir ou ir e ficar na toalha, fugir dos olhares até estar dentro de água, ansiar uma praia vazia ou esperar que a praia vaze, para não ter de me esconder ou estar longe o suficiente para que não notem o meu corpo, a minha pele. O calor força-me a escolher entre sofrer dele ou adaptar-me e sofrer de excesso de consciência e vergonha. As minhas persianas estão quase sempre junto do fim porque a luz ilumina tudo o que complementa o meu exterior, tudo o que me complexa, por isso evito sair, por isso agonia-me sentir o sol aterrar em mim; as marcas, as mossas, os cravos, as dobras, as covas, os trilhos rugosos, a derme, o interno, eterno eu. Estão a olhar, pensam, riem, olham, lobo - gritam, encolho-me...

O mundo perdido

O mundo anda perdido, seria de estranhar se eu não me perdesse, por vezes, também. O mundo vai sem volta, os carros já não regressam, vão embora, tentam fugir. O mundo anda perdido, todos sabem onde está, estamos todos nele, aqui, mas poucos páram para tentar causar o menos de mal ao que nos sustem, aos que nos acompanham. Tenho medo de me perder junto com tantos outros, por agora, tenho estado perdida em mim, na minha própria núvem de nevoeiro. Tenho tanto medo, de me deixar demover pela pressão da maioria, de ignorar as minhas crenças, de abandonar o que sou para encaixar melhor na visão dos outros, na vida deles. Porém, mais depressa me abandonaria do que os princípios que me mantêm firme para não causar dor a ninguém, a nada, prefiro sofrer, prefiro ser desprezada, observada de rasto, eles com narizes franzidos e sobrolhos questionantes, não vou abandonar quem sou, mantenho o meu pára-quedas aberto, uma vez que o foi, não se voltará a fechar. Enquanto não sei quem sou, sei o que d...