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A mostrar mensagens de 2018
Não é a hora do amanhã que nasce antes do despertar, não é o céu rosa algodão que se esconde antes de olhar, não é a brisa que se entala nas lágrimas nem os trovões que apagam as palavras. Um dia, sem me aperceber, deixei de olhar em frente, de sentir do avesso, de absorver a vida. Mais tarde acordei, como quem acorda a um domingo mas se deixa estar de olhos fechados, e pensava estar apenas a ouvir a chuva, embrulhada no caos na rotina. Depois olhei e percebi que não via, sabia a cor da parede mas não a sentia, sabia que estava perdida, mas sem pistas de saída. Fui perdendo os sentidos, e em vez de despertar rebeldia, com medo que a confusão me alucinasse mais ainda, hibernei todas as partes que me definiam, dissolvi tudo o que já me magoou e moldou na mesma água da alegria. É subtilmente fatal como a mente ergue barreiras quer se recue de medo ou se avance por coragem. Ainda espero acordar e ser segunda feira.

As distâncias na proximidade

Em retrospetiva, a distância fez-se sempre presente na minha vida. Inicialmente a familiar, a emocional e a que depois se transferiu à pessoal. A distância de ter pessoas por perto mas não sentir aconchego. Depois a distância entre a máscara que vestia para o mundo e o que por trás estava, mesmo não sendo bonita, escondia todas as assombrações que me confrontavam assim que estava sozinha. Não me conseguia fazer bem, feliz. Até que se transferiu à desconexão do que sou e do que sinto. Se toda a minha vida fui triste, me senti sozinha, rotulada amarga... quem sou eu agora? Nas ironias da vida, tive finalmente a oportunidade de pisar um palco onde tudo podia acontecer, e onde quase tudo aconteceu. Fui feliz durante quase um ano. Mas depois tive de ir embora, voltar ao lugar onde tudo começou, onde fui tudo o que não queria ser. E onde todas as amizades que tinha, não estavam. Aí conheci a distância física. Senti o que é ter amigos mas não os ter por perto. Passei a tirar férias par...
É incrivelmente infeliz a forma como sou capaz de evitar a vida, por escolha ou inconscientemente. E consegui, de facto, evitá-la muito bem durante estes últimos meses. Os sinais estavam lá, eu não estava bem no espaço que se associava a casa, não tinha tempo para viver nem onde trabalhava nem onde vivia, ou dormia. Desde que tive a oportunidade de viver autenticamente, nunca mais me consegui contentar com o medíocre ou a falta de vivências e experiências. Sentia há meses que me estava a sabotar, a trair as minhas vontades e bem estar. Não me estava a fazer bem, e eu sabia, eu sentia-o. Na mente, na saúde. Comecei a beber café como bebia água, não descansava bem, tinha-me confinado a esta rotina de morto-vivo. Adiei esta decisão por medo que a solidão fosse ainda mais sufocante se fosse viver por minha conta, sem ter nenhuma rede de segurança por perto naquela cidade. Mas a cada dia que passava, as discussões em casa tornavam-se cada vez mais ásperas, eu estava esgotada, cinzenta....
Describe me the colors of the rainbow because I have been seeing in gray scale Then I flipped the page, looked up, I thought I was safe Got home and I could remember the color of your eyes

Someone with seaside blue eyes

Your soul is a temple where I'd pray at, where the coloured crystals would keep me on the edge of its reflections on your eyes. Why do I feel like I missed out on who could be the soulmate of my life? That the fear and insecurities clouded my mind and now that I'm far and now that I've matured, I think I could easily fall for someone with seaside blue eyes. Am I a bad women for rejecting an honest heart? Or just a scared one that fears no heart can love her?

ouvi o silêncio

Já ouvi o silêncio. Já o ouvi nas mágoas, na saudade, nas lágrimas que se prendem nas pestanas. Na dor de se ter alguém, mas não a ter presente. No ressentimento, no arrependimento, no amargo das lágrimas que escaparam até aos lábios. Juro que ouvi o silêncio, quando a ignorância me cumprimentou, passou-me pelo ombro, me olhou com desdém, e se foi. Ouvi-o quando recebi uma prenda no natal à porta de minha casa, e a pessoa foi embora, e nunca mais entrou na minha casa, nem na minha vida. Acho que foi, sem ser, sem querer, uma despedida. E eu nunca disse adeus. Sinto que dói mais não saber se perdemos alguém, não saber se vai voltar, do que perder de vez. Porque se alguém ainda cá estiver, iremos sempre esperar que volte. Tenho medo de um altar vazio, de um caixão vazio de amor. Tenho medo da vida, que nunca me prove que é possível amar completamente, sem medo que alguém vá embora por ser quem sou. Fiz parte de histórias tristes, gostava de um dia ter um livro pesado de felicidades...

180618

Pouca luz me resta, mas parece existir a suficiente para atrair alguns bons momentos, mas não estáveis o suficiente para me permitirem confiar nessa luminosidade, na maioria das vezes, nem a sinto sequer, duvido até que ainda cá esteja. Não consigo distinguir a sensação de pressentimento, do receio de viver, e nisso resulta, perder momentos e chances, ou quando decido arriscar viver, pensando estar a ir contra o medo, e acabar por descobrir que era um mau pressentimento. Parece-me também, que o mau de ter uma chama fraca, é que atrai os sanguessugas. Quando alguém tem um foco de luz radiante, é mais provável que os outros fiquem intimidados pela  sua luz, até encadeados, e aí costuma apenas chegar perto quem se empenhou a ir em contra luz por saber que o brilho valia a pena. Quando a chama é fraca, as oportunidades são menos, mas as que são, são mais traiçoeiras. Quando se passa mais tempo às escuras, fica difícil distinguir a luz natural, das artificiais, fica difícil disting...

O rascunho de um livro

Não estou aqui, nem nesta frase, nem em mim. As núvens passam, o céu abre, e ainda só vejo nevoeiro. Estou longe. Tão longe de estar em mim. Que os nervos são aniquilados, os filtros encravados, e o ritmo nem acelera, o amor não brota em mim quando não há algo para nutrir. Tenho saudades dos breves momentos em que fui feliz, de me lembrar como é sentir. Rir sem virar esconder o sorriso, andar sem temer o passo, falar ou contar. Mas nunca foi bem assim, só raras vezes. O ciclo impõe-se cada vez mais para que comece de mãos dadas, e enquanto eu não aprender a abraçar com tudo o que sou, o peso de tudo o que ficou por resolver será arrastado ao mesmo tempo que o destino me puxa. Aquilo que desde pequena me lembro de querer ser é feliz. Quero acordar um dia, e ver finalmente o sol, e sentir que sorriu.
I didn't tell them I was coming because I feared they might have not missed me at all.

Quando uma despedida desperta as angústias

Quando receio escrever com medo de me confrontar, é quando tenho ainda mais medo do que isso significa. Tenho justificações para ser feliz, então porque não me sinto? Há um vazio que ecoa cada vez com mais frequência. Sou eu a tentar pedir ajuda sem falar, são as minhas emoções a tentarem livrarem-se mas estão presas, em mim mesma, dentro de um sítio que tranquei sem saber como, e não sei qual é a chave para as libertar, não sei qual a chave que me irá libertar de mim. Voltei ao sítio onde mais fui feliz com mais frequência, e ir-me embora depois disso fez-me ainda mais triste, fez-me chorar como não faço quase nunca, chorar em frente de pessoas, esse é o ponto de sufoco em que me encontro. Em que não morro asfixiada, mas não inspiro e respiro levemente. Há um nó na minha garganta, a comida não me sabe bem a não ser como distracção, custa-me provar do meu próprio sabor. E amarga, e azeda, e eu amarga, e azeda. A vida assombra-me, mas como apenas um pesadelo, nem parece que faço parte...

O Universo, a Vida e as Montanhas

O universo fala sem palavras, comunica nas entrelinhas das emoções, tenuemente entre e sobre os momentos que compõem o dia. Muitas vezes pensei que não o conseguia ouvir por estar bloqueada, não conseguindo estabelecer ligações energéticas ou humanas. Não estava errada, porém o universo nunca deixa de comunicar, algo que se resume perceptível quando se supera aquele medo que estava enraizado ou quando se alcança um objectivo depois de aparentes infinitos momentos de frustração. Felizmente a vida não se divide geometricamente por etapas, mas infelizmente há quem a encare e se conforme com essa ideia, que apenas nos compõe o nascimento, a vida que acontece a meio, e a morte. Não vale a pena perder tempo a pensar no depois do fim, a não ser que se saiba estar perto e se consiga minimizar a dor que vai causar aos outros. Os outros é que têm de receber a chamada, de reencaminhar a notícia, confirmar se aquele corpo te pertence (mesmo já vaziou de alma), organizar o funeral, receber os pês...

Sobre uma nova fase

Em retrospectiva consigo ver como agora encaro melhor a realidade, a cidade em que estou e a forma como lido com as pessoas. O ano passado foi o melhor ano da minha vida até agora, único e infinitamente memorável. Foi também um grande tempo de aprendizagem e crescimento, e influenciou como sou hoje e a forma como lido com a vida. Agora tenho o coração sempre a puxar-me para ir; conhecer, visitar, falar, fotografar, simplesmente viver. Adquiri uma vontade de viver e um entusiasmo jovial pela vida que me faltava há anos. Até nesta cidade que encarava com amargo, me sinto radiante. Estive fora vários anos, a não ser por breves fim de semanas enquanto estava ainda em Portugal, que inicialmente gastava em saídas inúteis, até me fartar da insignificância e esta cidade tornou-se um mero porto temporário de descanso do desgaste da faculdade. Sair de Portugal permitiu-me inspirar fundo pela primeira vez em muito tempo. O problema não era o país, não posso apontar culpados, foi um pouco de t...

Marés de boa fé

E agora chamo casa a vários cantos, a todos que me acolhem com momentos aconchegantes O retalho ao pé do mar poisado esteve cá sempre, mas a névoa e as tempestades que se revoltavam cá dentro não me permitiam vê-lo, que este retalho era o canto mais terno e apaixonante Hoje poiso-lhe o olhar e vejo para além da silhueta, não se demove pelo sopro insistente do vento, é um pano precioso bordado ponto a ponto com amor por um plano maior, com a dedicação de olhos colados na agulha e lábios que beijam os pontos falhados que calharam em dedos, que deixaram de lado o dedal e se entregaram a sentir tudo o que fizessem, Retalho bordado que apesar da dor estende a mão, flete um sorriso de rugas nos olhos, e ama com tudo o que é Tive de ir para fora, adoptar o desconhecido como familiar, dormi sonos profundos em camas de quartos vagabundos, aprendi a confiar no mundo e que o vazio de um espaço, não corresponde à falta de conteúdo Encostaram-me à parede para me beijar e também para me c...

Medo de Sentir

As minhas mãos não te alcançaram como deviam, agarraram com a força precisa, te entrelaçaram nos sítios onde devíamos ficar. Queria dizer-te que te queria, mas e se só querias o que não se via de dia? Podíamos ser um plural paralelo... vou voltar a ver-te e vais estar no meu mundo, virás-me de dia e de noite, de onde sou e como desfiz e fiz disto o meu mundo. Vou apresentar-te a este lugar e querer que fiques por aqui. Já tantos se deslumbraram por este canto, se ficasses mais um bocado, seria um plano Até podia nem resultar, senão a conexão mais autêntica que tive, com alguém que me fala directamente, me olha para lá da lente e quer que eu fique. O problema é que tenho receio de pôr o que sinto em actos e tu tens medo de sentir o que fazes.

O Tamanho do Mundo

O mundo é pequeno, para aqueles que não se libertam das correntes culturais, tradicionais, pessoais e quotidianas. O mundo é pequeno quando olhamos o sofrimento nos olhos e lhe viramos a cara, quando deixamos coisas mal resolvidas, perdão por entregar ou devolver ou quando não agradecemos pelo que temos e somos agora. O mundo é pequeno quando somos filhos dos nossos pais e não devolvemos o afeto com que nos nutriram, quando nem lhes damos uma décima do tempo que investiram em nós, quando são eles que precisam. É pequeno quando os pais desprezam a integridade e sonhos dos seus filhos, quando são usados como arma e escudo, esquecendo-se que uma criança é pura e livre de camadas, as palavras aguçadas cravam no centro e não à superfície, e que a falta de amor levará à dificuldade em florir enquanto crescer. Os erros serão para sempre erros se deles não retirarmos lições e não aplicarmos perdões. O mundo é enorme, para aqueles que se predispõem a olhar para lá do horizonte, mesmo sem sa...