Quando uma despedida desperta as angústias

Quando receio escrever com medo de me confrontar, é quando tenho ainda mais medo do que isso significa. Tenho justificações para ser feliz, então porque não me sinto? Há um vazio que ecoa cada vez com mais frequência. Sou eu a tentar pedir ajuda sem falar, são as minhas emoções a tentarem livrarem-se mas estão presas, em mim mesma, dentro de um sítio que tranquei sem saber como, e não sei qual é a chave para as libertar, não sei qual a chave que me irá libertar de mim.
Voltei ao sítio onde mais fui feliz com mais frequência, e ir-me embora depois disso fez-me ainda mais triste, fez-me chorar como não faço quase nunca, chorar em frente de pessoas, esse é o ponto de sufoco em que me encontro. Em que não morro asfixiada, mas não inspiro e respiro levemente. Há um nó na minha garganta, a comida não me sabe bem a não ser como distracção, custa-me provar do meu próprio sabor. E amarga, e azeda, e eu amarga, e azeda.
A vida assombra-me, mas como apenas um pesadelo, nem parece que faço parte dela. E eu não sei, eu não sei... nestas alturas penso no meu fim, somadas a todas as vezes que o quis.
Sinto-me só de mim própria, despegada do mundo, sem paixão, sem prazer, com falta de nervosismo que anteceda êxtase.
Mãe, porque não me abraçaste, porque não me disseste que me gostavas?
Pai, porque é que fechar a porta em que estava do outro lado foi tão fácil para ti?
Porque é tão fácil não marcar a diferença, não fazer falta?
Porque é que sinto que nem faço falta a mim?

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