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A mostrar mensagens de fevereiro, 2014

Solta o destino

Prende o meu nome nos teus lábios, enrola-o e guarda-o.  Falei de ti tantas vezes sem vergonha, mas hoje eu receio ter o teu nome preso nos meus lábios, eu quero cuspi-lo, mas, ao mesmo tempo, continuar a saboreá-lo. Porque é que me prendo tanto ao que sinto por ti? Segundo raciocínio, eu nunca serei pronunciada por ti, nós nunca seremos um par, eu sou ímpar e tu fazes par com outra pessoa, com uma pessoa melhor, mais feliz, mais bonita, mais inteligente, uma pessoa mais em tudo que eu. Porque é que eu quero consertar a tua dor quando te magoam? Porque te quero ter, proteger-te e fazer-te feliz? Não sei porquê, talvez nunca desvende estas questões, mas não ter respostas deixa-me esperançosa pela réstia de possibilidade que sempre sobrou. Se isto fosse apenas uma ilusão, eu acordava, mas tu fugiste dos meus sonhos e fizeste parte da minha realidade. Eu já estou acordada e ver-te, não me deixa dormir descansada, estou presa à possibilidade nunca desencadeada, não saberia nunca como...

Meu futuro

Desculpa, perdi o comboio que me levava ao teu destino. Desculpa, perdi-me quando tropecei em momentos Desculpa, se esperaste por mim, desesperaste e acabaste por desistir. Desculpa, se estás à minha espera e eu ainda não te vi. Desculpa, estou a tentar chegar a ti. Não deixes de me amar, não desistas de o sentir, eu estou a tentar alcançar-te, encontrar-te. Agarra essa réstia de esperança, rega-a e não a deixes morrer. Eu estou a caminhar, devagar mas sem parar. Espera por mim, não deixes o fogo cessar Ilumina o céu e guia-me como a Estrela de Belém Guia-me até ti, Por favor, espera por mim.

Chamam por mim

Chamaram-me insensível... Mas eu sinto o ódio queimar-me por dentro, as mágoas cravarem-me o peito, a minha alma cheia de névoa... é perigoso estar-se em mim. Mas eu sinto os olhares, as más falas cuspidas, sinto o desprezo, a ignorância... eu sinto-me sozinha. Mas eu sinto estar apaixonada e não ser recíproco, sinto quimeras serem rasgadas pela realidade, eu sinto quando me dizem que tenho defeitos, quando me dizem que eu não tenho uma boa aparência, quando me chamam burra, estúpida, arrogante, ignorante... eu quero conectar-me com o mundo, eu presto parte de mim a pessoas que me manipulam... eu sinto-me usada, gasta, nula. Mas eu sinto a rejeição por parte dos que supostamente me deviam amar desde o início, por parte daqueles que me deveriam demonstrar amor, rodear-me de amor, encherem-me de amor, eu sinto parte de mim morrer cada vez que se recusam agir como se partilhassem o mesmo sangue que eu... sinto cada vez que não agem... eles não agem quase nunca e eu sofro todas as vez...

Sozinha na madrugada

Às 3h da manhã estou só comigo A minha alma acesa Não penso em ti Durmo na esperança de sonhar contigo Se não te tenho Pelo menos que me pertenças na inconsciência Mas aquela parte de mim racional Não me deixa sonhar, não contigo Quando eu gosto, Não provo o gosto em utopias O fascínio por feitiçarias Cravam-me de feridas Deixa-me sonhar Deixa-me sonhar Deixa-me sonhar Esta utopia criada por mim, Porque não é espelhada na quimera? Ah... sei lá o que quero Já nem me culpo por errar Erro sem peso A medida já não a tiro Deixa ser Deixa-me ser Deixa-me imaginar Deixa-me sonhar Com aquilo que não posso ter Quão amargo é o sabor de quem não prova sequer o amor na ilusão? Esse gosto revela-se no vazio de um abraço, Na alma acesa de madruga Ansiar por alguém que atice a chama E aqueça o frio da noite Que fique até depois, Para iluminar o dia Trago amargo Estar-se sobre o feitiço de alguém que não é feiticeiro Eu quero ser enfeitiçada por um mago que me q...

15 de Novembro de 2013

Estou sentada num banco solitário qualquer de um jardim, ao olhar em frente, vejo uma árvore. O vento sopra, forte o suficiente para que algumas folhas dessa árvore caiam. Tu és como este vento, sopras forte o suficiente para que eu, como as folhas, caia por ti. Outono em inglês é "fall", tu és como o outono e eu caio por ti, és outro mas tens coroa e ocupas o trono em mim.

Talvez não ame mais

Eu não me apaixono facilmente mas nos poucos casos em que isso aconteceu, eu não quero chamar paixão porque nunca aconteceu. Ambas parecem agora ter seguido um padrão. Criam uma ideia boa de mim, alcançam-me, conhecem parte do que sou, eu tomo também iniciativa mas, eu insegura e consciente que facilmente encontravam melhor, não tomo segunda iniciativa... perdem o interesse, banem-me de vez, encontram melhor. Tudo começa com uma batida na porta e a minha voz interior a dizer "já sabes como vai acabar... já sabes que nem vai acontecer..." e outra voz me diz "podes ser mais feliz", então eu cedo à réstia de esperança e ignoro a voz realista. A voz realista sabe que há melhor, sabe que a intenção oposta não é conhecer-me é verificar se eu correspondo à imagem que criaram de mim, desiludidos, recuam e encontram a pessoa que encaixa no perfil e eu fico assim, com as expectativas elevadas e de seguida feridas e a voz realista diz-me "já sabia que ia ser assim" ...

Porque é que

Vestes a pele que te tapa o ser E usas o cabelo que mais te tapa o rosto Tens um casaco para te proteger Tens quase tudo a teu gosto Mas não te gostas "Não assim" Queres mudar, procuras a solução "Não há" Quase tudo a teu gosto Mas não te gostas "É assim" Mas não é assim que queres que seja Não é assim que queres ser Nasceste com a pele diferente E essa não a queres vestir Mas não há outra Não podes mudar Estima a que tens "Mas quem irá aceitar-me assim se nem eu aceito?" Porque é que nunca chegaste deixar a tua pele? Porque é que nunca a marcaste? Porque é que a tentaste mudar para depois valorizares como estava? Porque é que nunca deixaste a tua pele? Porque é que ainda estás nela? Porque é que ainda sofres com ela? Mas porque é que nunca a deixaste? Parte de ti, quer partir Outra parte, quer amar; Amar-te finalmente Amar alguém que aceite Estar com quem te aceite "Estou a tentar" Porque é que ainda ten...

Plano

Que vulgaridade! Que ridículo ter as soluções e não as atribuir! Eis que choro mudo, choro muda o choro que nada muda... eis o grito no escuro, grito no escuro o grito que não se ouve... eis solidão presente... só estou... Ai a luz que me lê a mente! O que sinto, quem mais sente? Só só só, só comigo, só e eu... e tu... o nós e só estou, só estou ausente de ser. Os bens materiais que me pesam tanto, que carregam os ombros mas eu, eu sem tanto! - Quem é? - Sou eu a querer ser...! - Faça favor.

O que define parte da felicidade

A estabilidade não é uma linha que defina a felicidade, o conforto é equilíbrio mas a alegria não se conforma, contrapõe-se e confunde, é a irregularidade que provém da vontade, não é permanecer, é prevalecer perante adversidades.

Dançámos uma vez

Dançámos à chuva, ao ritmo dela. Entrelaçamos as nossas mãos e girámos ao correr como tempo corre sem o vermos. As lágrimas divinas percorriam os nossos rostos e o teu riso misturava-se com a água. O rádio, por vezes, parava mas nós continuávamos a dançar, o ritmo estava em nós e era coerente. O rádio voltou a funcionar mas o tempo parou de correr, os braços viajantes relaxaram e o ritmo aumentou, os nossos corpos pararam de dançar, o ritmo aproximou-se, senti a chuva parar e as últimas gotas caírem em mim, saboreei o mar salgado em ti e o doce amargo de se ser feliz ali e nunca mais se voltar a repetir.  Talvez um dia chova outra vez e eu te tenha a meu lado e possamos ficar juntos até ao sol nascer e ver o céu plantar o arco, entrelaçarmos os braços e percorrermos a cidade, dançarmos lado a lado e percorrermos todas as estações sem nunca nos separarmos e entrar no mesmo comboio e não ter receio de uma despedida, porque o destino é o mesmo que o ponto de partida.

Depois de sexta

Sentes que te olho enquanto estás de costas, Que custa suportar o custo de amar um vulto Mas não a própria sombra? Drogas são os teus temperos, Ilusões são os meus. Passada a sexta-feira não me és tanto, O fim de semana é quando eu não saio da cama, O meu espírito em coma Como o meu corpo na cama, Eu de pijama, Quente eléctrico que compensa o vazio de calor humano. Talvez desapareça semanas Me perca nelas de vez E nem se perto estivesse Sentiam a minha ausência, Saudade permanente, Fé. És ciente de ti? O que sentes depois de sexta? Eu sinto-me só e só fico por ti.

Sem ti

Quero um Sábado contigo, Sábado estou sozinha, Sábado estou sem ti. Quero parte de um abraço teu. Sozinha, no estado de te querer tanto, Mas eu nunca te tive E depois de destruíres a ponte, Nunca te quis tanto, No entanto, Eu sinto arder por dentro Porque a possibilidade de te ter Tornou-se nula, Mas em nada anulou este sentimento Qual é a cura? Deixar o fogo enfraquecer, Deixar de te querer tanto Eu sabia desd'o começo que querer-te era acreditar num vulto Mas aquele deslumbre de me envolver, Enfeitiçante Ainda te quero, Quero-te tanto.

Recapitulando

Tal como é impossível dizer exatamente o dia em que alguém se torna adolescente, é impossível eu dizer o dia em que nem num dia de sol eu sentia o calor dentro de mim. Assim como gradualmente, à medida que se cresce, ganhamos mais consciência de quem somos, de como nos sentimos e do mundo, eu fui tendo consciência de que não era feliz. Um sinal que na altura não reparei, hoje referencio: passei a apreciar a noite e a desprezar o dia. O dia passou a representar algo desconfortável, passou a ser desconfortável, o dia era enfrentar a realidade e estar em sociedade mantendo uma máscara para passar despercebida como "normal" e "bem" perante os outros, outros aqueles a quem eu intitulava amigos, amigos os quais não ajudaram a pessoa por trás da máscara, amigos os quais que, quando se deparavam com a pessoa escondida atrás da máscara diziam "hoje vais à psicóloga, não é?" em vez de tentarem ajudar mas eu, aceitava esse plano, de não ter amigos verdadeiros e de o ...

Um novo capítulo

Esta não é a primeira vez que estou a escrever para um blogue, tinha um anteriormente mas já não me sentia bem a escrever consoante o nome pelo qual me apresentava, o anonimato que pretendia ter para escrever livremente, já não o tinha, o que fazia com que a minha escrita fosse limitada expressivamente por saber que sabiam quem eu era. Daí então, surgiu na minha mente este nome Pétalas da Alma que achei adequar-se ao que eu irei escrever, sendo que irei aqui partilhar conteúdos marcados por partes do meu ser. Não sou escritora, escrevo aquilo que penso e que sinto consoante a minha forma de estar no mundo. Por vezes, poderei postar textos antigos, se for o caso, irei indicá-los como tal. Espero que apreciem com uma mente disponível o que irei aqui partilhar e que, sempre que possível, partilhem a vossa opinião. Sejam então bem-vindos e uma boa estadia.