Recapitulando
Tal como é impossível dizer exatamente o dia em que alguém se torna adolescente, é impossível eu dizer o dia em que nem num dia de sol eu sentia o calor dentro de mim. Assim como gradualmente, à medida que se cresce, ganhamos mais consciência de quem somos, de como nos sentimos e do mundo, eu fui tendo consciência de que não era feliz. Um sinal que na altura não reparei, hoje referencio: passei a apreciar a noite e a desprezar o dia. O dia passou a representar algo desconfortável, passou a ser desconfortável, o dia era enfrentar a realidade e estar em sociedade mantendo uma máscara para passar despercebida como "normal" e "bem" perante os outros, outros aqueles a quem eu intitulava amigos, amigos os quais não ajudaram a pessoa por trás da máscara, amigos os quais que, quando se deparavam com a pessoa escondida atrás da máscara diziam "hoje vais à psicóloga, não é?" em vez de tentarem ajudar mas eu, aceitava esse plano, de não ter amigos verdadeiros e de o resto não ser meu amigo e intitularem-me descaradamente o que queriam fazendo-me sentir inútil. Por outro lado, a noite era o refúgio, o silêncio, a solidão e, apesar de alcançar os meus piores estados nessa altura, eu não tinha de me mascarar, estava eu comigo, só e não tinha de estar com pessoas que não se importavam, não tinha de fingir. Logo, na altura em que eu passei a negligenciar o dia e o sono e comecei a apreciar e ansiar a noite, foi quando eu perdi a luz da vida de vista.
Hoje, eu continuo a apreciar a noite mais que o dia por ainda ter erros a corrigir, maus hábitos a desfazer mas vejo a luz, já a vejo e já a sinto e consigo senti-la no dia mais sombrio. A razão pela qual foi um processo demorado, foi talvez porque me apercebi que sempre fui infeliz mesmo quando era criança e demorei a perceber que para se ser feliz não é requisito ter um bom passado. Quando atingi o limite, quando me arrastei para o pior estado possível, estalou algo em mim e foi quando eu pedi ajuda pois percebi que não ia conseguir ultrapassar sozinha o meu mau estado e, não me arrependo, pelo contrário, se não o tivesse feito não sei mesmo onde estaria neste momento, o mais provável era não estar.
Se não sentires a luz, se não a vires, se não tens esperança de um dia seres feliz, não te deixes afogar por esses sentimentos, não te deixes levar pelos teus pensamentos. Se até hoje não desististe pergunta-te porquê. Há uma parte em ti que não quer morrer e essa parte é a luz que podes agora não estar a ver mas eu garanto-te, tu tens essa luz, todos têm e não há mal grande o suficiente que a apague. Talvez tenhas de chorar mais um bocado, se for o caso, chora, limpa a visão e verás mais claro. Um passo mal dado é melhor que um passo não caminhado.
Continua a caminhar.
Hoje, eu continuo a apreciar a noite mais que o dia por ainda ter erros a corrigir, maus hábitos a desfazer mas vejo a luz, já a vejo e já a sinto e consigo senti-la no dia mais sombrio. A razão pela qual foi um processo demorado, foi talvez porque me apercebi que sempre fui infeliz mesmo quando era criança e demorei a perceber que para se ser feliz não é requisito ter um bom passado. Quando atingi o limite, quando me arrastei para o pior estado possível, estalou algo em mim e foi quando eu pedi ajuda pois percebi que não ia conseguir ultrapassar sozinha o meu mau estado e, não me arrependo, pelo contrário, se não o tivesse feito não sei mesmo onde estaria neste momento, o mais provável era não estar.
Se não sentires a luz, se não a vires, se não tens esperança de um dia seres feliz, não te deixes afogar por esses sentimentos, não te deixes levar pelos teus pensamentos. Se até hoje não desististe pergunta-te porquê. Há uma parte em ti que não quer morrer e essa parte é a luz que podes agora não estar a ver mas eu garanto-te, tu tens essa luz, todos têm e não há mal grande o suficiente que a apague. Talvez tenhas de chorar mais um bocado, se for o caso, chora, limpa a visão e verás mais claro. Um passo mal dado é melhor que um passo não caminhado.
Continua a caminhar.
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