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A mostrar mensagens de junho, 2017

De braços cruzados

Queria ter todas as estrelas que um dia já partilharam o mesmo espaço que o meu e à minha frente todos os momentos que me esquartejaram a alma. É que entrei neste modo sonâmbulo e nem me lembro de tudo que já superei… Talvez tenham sido demasiadas lágrimas, frustrações, desilusões e escondi-me, admito, fugi e não quis sair. Aceitei resignada que se o mundo não me abraçasse, também não iria viver no mundo de braços abertos. Queria andar sem excesso de consciência dos outros e falta da minha. Sem me importar se olham ou se não, se sorriem ou se falam ou nem tomam atenção. Tudo o que preciso está comigo e sou eu, o resto são acréscimos e refletores. Ninguém percebe porque estou em ansiedade constante, com pressa de ir a lado nenhum, para estar simplesmente sentada, eu também não entendo. O que me aconteceu, marcou-me, vincou muito do que hoje sou. Depois disso, nunca mais tive coragem de me apaixonar pela vida, pelos outros e por mim. O céu não me quis de volta, por mais que tenha imp...

Está tudo bem?

Mesmo os que me conhecem, não me conhecem o todo. Muitos dos que me conheciam não me achavam capaz de estar onde estou a escrever isto. Gosto e ressinto esse meu lado imprevisível, que até a mim me surpreende. Eu e os outros temos um problema de comunicação, eu e eu mesma também. Sou uma contradição ambulante, sou capaz de amar alguém para além de realidades e mágoas, mas praticamente incapaz de sentir amor por alguém construído na realidade. Não é que eu não sinta, acho que isto resultou de sentir demais. E das bocas de serpente, das bocas de desprezo, das bocas de desconfiança por parte de muitos que me rodearam por anos. Daí resultou este molde de mim, que se restringe de partilhar o que penso, o que gosto, de quem gosto, o que me estilhaça a alma, o que me deslumbra na vida… então escrevo e, apesar de tudo, escrevo daqui. Com os meses que passaram, sinto como se não estivesse longe sequer porque esta foi a primeira vida que construí uma vida sozinha durante quase um ano. Está mais...