De braços cruzados
Queria ter todas as estrelas que um dia já partilharam o
mesmo espaço que o meu e à minha frente todos os momentos que me esquartejaram
a alma. É que entrei neste modo sonâmbulo e nem me lembro de tudo que já
superei… Talvez tenham sido demasiadas lágrimas, frustrações, desilusões e
escondi-me, admito, fugi e não quis sair. Aceitei resignada que se o mundo não
me abraçasse, também não iria viver no mundo de braços abertos. Queria andar sem
excesso de consciência dos outros e falta da minha. Sem me importar se olham ou
se não, se sorriem ou se falam ou nem tomam atenção. Tudo o que preciso está
comigo e sou eu, o resto são acréscimos e refletores. Ninguém percebe porque
estou em ansiedade constante, com pressa de ir a lado nenhum, para estar
simplesmente sentada, eu também não entendo.
O que me aconteceu, marcou-me, vincou muito do que hoje sou.
Depois disso, nunca mais tive coragem de me apaixonar pela vida, pelos outros e
por mim. O céu não me quis de volta, por mais que tenha implorado um regresso.
Talvez haja esperança, talvez volte a ver o azul do céu. Queria que as minhas
palavras correspondessem aos meus sentimentos, mas o que sai para fora vai
filtrado pelo medo.
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