O rascunho de um livro
Não estou aqui, nem nesta frase, nem em mim. As núvens passam, o céu abre, e ainda só vejo nevoeiro. Estou longe. Tão longe de estar em mim. Que os nervos são aniquilados, os filtros encravados, e o ritmo nem acelera, o amor não brota em mim quando não há algo para nutrir. Tenho saudades dos breves momentos em que fui feliz, de me lembrar como é sentir. Rir sem virar esconder o sorriso, andar sem temer o passo, falar ou contar. Mas nunca foi bem assim, só raras vezes. O ciclo impõe-se cada vez mais para que comece de mãos dadas, e enquanto eu não aprender a abraçar com tudo o que sou, o peso de tudo o que ficou por resolver será arrastado ao mesmo tempo que o destino me puxa. Aquilo que desde pequena me lembro de querer ser é feliz. Quero acordar um dia, e ver finalmente o sol, e sentir que sorriu.