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A mostrar mensagens de julho, 2020

O que perdoo

​Desculpa-me as promessas que sufoquei com o medo. Desculpa-me todas as vezes que me neguei a viver. Desculpa-me todas as vezes que não afirmei a minha verdade. Desculpa-me o pó que não limpei, desculpa-me todas as vezes que cheguei atrasada para ser feliz. Nunca acreditei ser possível ser tudo ou algo só sequer. Quero corrigir-me, alinhar-me e lutar por aquilo que mereço. Quero ser inteira. Por mim, pelo meu bem, e para que quando chegar o dia em que terei dado vida a alguém, saber rodeá-lo de um amor tão inteiro que transborde, e que para onde vá, saiba sempre que poderá nadar de volta. Um amor por inteiro começa pelas partes que cabem em nós. Um amor por inteiro não precisa de ninguém, mas quando tem alguém, é mais, nunca menos, nunca a metade, é mais do que tudo o que já era. Já tive de reviver vários episódios, corrigir o enredo, aprender de vez a lição para lá de cada erro. Há meses que não escrevo a sério, e hoje enquanto oiço um novo álbum, as palavras escorrem-me. Vêm do passa...

O que não faz mal, não faz bem.

O que não agita, não amedronta, não desafia, não transforma, não preenche, não faz espaço para caber uma alegria. No que hoje se vive, de não se poder viver sem limites, de não se saber bem onde está o risco que não se deve pisar, acabei por deixar que as paredes se fizessem prisões, de mim para mim, e de mim para o mundo. Desconectei de tudo. Até o mais fútil e superficial não tem presença. Um dia passa a outro sem nitidez. E algures no meio, perdi a capacidade de encher esse espaço com o que me fazia sentir que estava a viver a vida, e enfrentá-la, a confrontá-la, a conquistá-la.