Gosto de fotografar pessoas de quem gosto. Gosto de lhes captar a essência boa. Ainda não consigo controlar totalmente, não capto exatamente como planeado. Às vezes as fotografias saem bem, não sei porquê. Saem melhor quando tenho calma ao tirá-las, quando estou bem naquele momento. A fotografia é como a condução. Ambas projetam a personalidade de cada um. Uma pessoa insegura não terá uma condução confiante e controlada. Eu não tenho. Tal como não capto controladamente e com à vontade. Mas enquanto que a conduzir essas qualidades podem levar à destruição, na fotografia podem acentuar sentimentos. Quer dizer, as duas situações causam sentimentos, mas às vezes uma fotografia dramática é bonita, e um acidente de carro nunca o é. Sei que ainda fotografo demasiado como são as coisas. A escrever não o faço. Mas a captar... talvez esteja em busca da autenticidade em cada um. Não a total, ninguém tem posse de toda. Mas a íntima, a pura essência. Ou a puta da essência, que não é puta nenhuma,...
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A mostrar mensagens de maio, 2016
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Quero ir embora. Afogar as mágoas e arrependimentos no rio, e viver só na terra. Com os meus pés descalços colados ao asfalto, senti-lo cravar-me de calos e a rasgar-me a sola enquanto inspiro o gelo e desperto para o que vejo. Quero ver o mundo na altura em que estou, e perder o mudo que se esconde em mim. Esquecer quem me esqueceu. As minhas mãos estão vazias de afeto, os meus olhos já nem de lágrimas transbordam, a minha boca já nem tem programação de fala. Quero escolher e decidir ao saber que quero. Não quero vingar-me. Ah. Claro que quero. Quero mostrar-lhes que sou capaz e que sou melhor pessoa do que alguma vez foram para mim. Quero que pensem, porra fui um filho da puta e devia mesmo pedir desculpa. Nunca me pediram desculpa. Especialmente aqueles que me magoaram de uma tal maneira que me esculpiram os defeitos. Tenho de ser eu a perdoá-los não é? Para aliviar os meus tormentos. Querem que confie, que me dê a conhecer... Depois de tudo? Depois das inúmeras vezes que me usar...
Não vos esqueço
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Nem que o mar se rompa nem que as placas façam estrondos nem que hoje volte a ser ontem nem que a luz se redima a estrela nem que a casa perca a tinta e fique apenas cinzenta Não vos esqueço nem que destruam o banco de cimento em que celebrávamos os anos dos nossos nem que não haja retorno ao dourado do monte nem que cortem todas as árvores e videiras nem que os pássaros comam todos os figos e fiquem apenas os pombos Têm a minha vida na vossa história e tenho-vos para sempre na história da minha vida Vou lembrar-me de quantas vezes o avô contou a mesma anedota e do saco que trazia sempre, ficava à porta, e para lá da porta tanto guardado só nosso O que vou fazer quando tudo o que traziam e cultivavam deixar de ser? quando não descascarem mais fruta e estiverem sempre prontos a dizer sim? Sempre lá... Vou continuar a ser eu, apenas e só com as memórias, com um terreno solitário mas tão carregado de histórias Um monte de nada depois de tantas vidas e hora...