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A mostrar mensagens de 2017

Tu

Faltas-me.

O que escrevi quando fiz 21

A minha geral insatisfação fez com que procurasse saídas e rotas alternativas até que, eventualmente, tive a felicidade de finalmente pisar os trilhos certos. 21 anos trapalhões; este último ano desafiou-me e ensinou-me muito da pior forma e da melhor maneira, com muitas alegrias e momentos inesquecíveis pelo meio. Obrigada a quem esteve a meu lado durante estes anos todos e esteve lá nos momentos cruciais e a quem partilhou comigo este último ano, que ficará para sempre guardado com muito carinho. Obrigada pelas felicidades e pelas felicidades.

Quinze diferenças

A certa altura, lá no início, quis livrar-me dele. Que não me falasse mais, que não me olhasse, que não me tentasse. Ainda fui atravessada por outra opção e quis respeitá-la, sem que merecesse tanta preocupação minha. Até que descartei a opção, ignorei o medo, silenciei o que diria de mal a sociedade e deixei que me alcançasse, deixei que me sentisse, entrou na minha zona de conforto e ouviu de mim verdades e teve de mim a intimidade emocional que quase ninguém tem. E depois... nunca mais voltou. Dizem que não posso pensar que sou eu, mas sou eu que estou sozinha desde sempre. Vejo formarem-se conexões, aconselhei dezenas de pessoas, mas a minha rede não parece ser compatível com outra. Os poucos que aqui calharam, foram embora. Então como não pensar que sou eu? Como é que posso acreditar que vale a pena esperar por alguém que não me faça duvidar, que me queira com todo o meu bem e com os meus defeitos? Depois de muito tempo vi-o outra vez, e como sempre deixou-me nervosa. Por mais m...

Para ti, Portugal

Prometo gostar de ti para sempre. Enquanto o mar me deslumbrar e qualquer luz que brilhe mais forte me lembrar do teu sol quente, eu vou voltar. Seja por um dia ou por meses. Para mim casa já deixou de ser um lugar único e definido há algum tempo. Agradeço tanto por ter tido a oportunidade de chamar "casa" a sítios que me permitiram sentir assim. Mas como um colo de avó, como um abraço apertado de saudade, voltar será sempre uma palavra, mesmo que viver não seja. O meu berço, a minha capital de ternura, será sempre Portugal. Nada apaga isso e não há nada que se aproxime à sensação de ver este país desde as núvens e aterrar com uma bagagem cheia de saudade e memórias. É bem verdade que é preciso não ter ou não estar, para dar mais valor. Por mais tempo que esteja longe, mantenho-me a par, orgulho-me das vitórias, entrego a minha solidariedade nas derrotas. Obrigada por poder crescer aí, num país de gente quente, de braços abertos, prontos a rasgar sorrisos a qualquer mome...

De braços cruzados

Queria ter todas as estrelas que um dia já partilharam o mesmo espaço que o meu e à minha frente todos os momentos que me esquartejaram a alma. É que entrei neste modo sonâmbulo e nem me lembro de tudo que já superei… Talvez tenham sido demasiadas lágrimas, frustrações, desilusões e escondi-me, admito, fugi e não quis sair. Aceitei resignada que se o mundo não me abraçasse, também não iria viver no mundo de braços abertos. Queria andar sem excesso de consciência dos outros e falta da minha. Sem me importar se olham ou se não, se sorriem ou se falam ou nem tomam atenção. Tudo o que preciso está comigo e sou eu, o resto são acréscimos e refletores. Ninguém percebe porque estou em ansiedade constante, com pressa de ir a lado nenhum, para estar simplesmente sentada, eu também não entendo. O que me aconteceu, marcou-me, vincou muito do que hoje sou. Depois disso, nunca mais tive coragem de me apaixonar pela vida, pelos outros e por mim. O céu não me quis de volta, por mais que tenha imp...

Está tudo bem?

Mesmo os que me conhecem, não me conhecem o todo. Muitos dos que me conheciam não me achavam capaz de estar onde estou a escrever isto. Gosto e ressinto esse meu lado imprevisível, que até a mim me surpreende. Eu e os outros temos um problema de comunicação, eu e eu mesma também. Sou uma contradição ambulante, sou capaz de amar alguém para além de realidades e mágoas, mas praticamente incapaz de sentir amor por alguém construído na realidade. Não é que eu não sinta, acho que isto resultou de sentir demais. E das bocas de serpente, das bocas de desprezo, das bocas de desconfiança por parte de muitos que me rodearam por anos. Daí resultou este molde de mim, que se restringe de partilhar o que penso, o que gosto, de quem gosto, o que me estilhaça a alma, o que me deslumbra na vida… então escrevo e, apesar de tudo, escrevo daqui. Com os meses que passaram, sinto como se não estivesse longe sequer porque esta foi a primeira vida que construí uma vida sozinha durante quase um ano. Está mais...

O futuro é uma carta em branco

Numa conversa casual e descomprometida sobre planos para o futuro, surge a conclusão a toda a confusão e receio que me tem assombrado. Estou farta das perguntas sobre o que vou fazer depois, da pressão, da decisão em cima de joelhos que só há pouco começaram a correr. Não vou tentar correr mais depressa para acompanhar os outros, para depois não cair perante uma falta de ar. Vou ao meu ritmo, ao meu passo, mantendo a minha respiração regulada. Seis meses mudaram o curso da minha vida, mudaram os meus pré-conceitos e antes disso nunca tive de me confrontar com o que se seguiria depois. Nesta conversa, concluímos que até agora sempre se soube o que viria a seguir ou que depois haveria algo concreto; depois do ciclo o secundário e depois do secundário a faculdade. O medo crucial surge agora, quando o futuro é uma carta em branco em que se pode escrever qualquer coisa. O medo é não saber o que se segue e não haver nada concreto a seguir. E poder sair do caminho pré-definido pela socieda...

Uma partida ainda por chegar

Obrigada. Nada mais claro me ocorre porque passam pela minha memória centenas de momentos e sentimentos. Mas obrigada tem de se sobrepôr porque é desde que parti, a quem me possibilitou estar aqui, a quem me incentivou, àqueles que fizeram partes dos mesmos meses que os meus e os fizeram valer. Obrigada por saber que podia tanto voltar como ficar, e estaria bem. Obrigada pelos risos, as lágrimas, as discussões e as loucuras. Pelas noites desertas no terraço, pelos jantares no quarto em que se arranjava sempre lugar para mais alguém. Por todos os momentos infantis nos dias de neve. Pelos segredos, pelos medos com que aprendi a lidar, pelas adversidades que aprendi a ultrapassar. Ficar foi uma decisão, poder ficar foi um privilégio. A vista que tenho não se compara a nada do que já vi, já me deslumbrei mais vezes neste tempo do que na minha vida inteira, e não quero que pare de me surpreender. Quando for hora de ir embora, eu vou sem remorsos porque tentei, errei e voltei a falhar, e apr...