Mesmo os que me conhecem, não me conhecem o todo. Muitos dos que me conheciam não me achavam capaz de estar onde estou a escrever isto. Gosto e ressinto esse meu lado imprevisível, que até a mim me surpreende. Eu e os outros temos um problema de comunicação, eu e eu mesma também. Sou uma contradição ambulante, sou capaz de amar alguém para além de realidades e mágoas, mas praticamente incapaz de sentir amor por alguém construído na realidade. Não é que eu não sinta, acho que isto resultou de sentir demais. E das bocas de serpente, das bocas de desprezo, das bocas de desconfiança por parte de muitos que me rodearam por anos. Daí resultou este molde de mim, que se restringe de partilhar o que penso, o que gosto, de quem gosto, o que me estilhaça a alma, o que me deslumbra na vida… então escrevo e, apesar de tudo, escrevo daqui. Com os meses que passaram, sinto como se não estivesse longe sequer porque esta foi a primeira vida que construí uma vida sozinha durante quase um ano. Está mais...