O futuro é uma carta em branco
Numa conversa casual e descomprometida sobre planos para o futuro, surge a conclusão a toda a confusão e receio que me tem assombrado. Estou farta das perguntas sobre o que vou fazer depois, da pressão, da decisão em cima de joelhos que só há pouco começaram a correr. Não vou tentar correr mais depressa para acompanhar os outros, para depois não cair perante uma falta de ar. Vou ao meu ritmo, ao meu passo, mantendo a minha respiração regulada.
Seis meses mudaram o curso da minha vida, mudaram os meus pré-conceitos e antes disso nunca tive de me confrontar com o que se seguiria depois.
Nesta conversa, concluímos que até agora sempre se soube o que viria a seguir ou que depois haveria algo concreto; depois do ciclo o secundário e depois do secundário a faculdade. O medo crucial surge agora, quando o futuro é uma carta em branco em que se pode escrever qualquer coisa. O medo é não saber o que se segue e não haver nada concreto a seguir. E poder sair do caminho pré-definido pela sociedade, poder assumir total liberdade e responsabilidade por quem somos. Não tenho necessariamente de fazer mestrado, nem de ir logo trabalhar, nem de estagiar, mas tenho de decidir fazer algo.
Os meus ciclos parecem marcar-se cruciais de 3 em 3 anos, este é o terceiro ano deste segundo ciclo. É uma enorme responsabilidade para comigo, não me quero falhar, não me quero desiludir, quero fazer o que for melhor para mim, o que me faça feliz. Os terceiros anos dos ciclos são difíceis, mas o que mais compensam. São confrontos, perdas, reencontros, perdões, descobertas.
Só por isso consigo ver que estes meses já me deram um senso de querer manter o meu bem estar. Tenho de aplicar a mim os conselhos que distribuo aos outros, qualquer que seja o próximo caminho, será o que tem de ser, aquele em que terei de aprender a ser mais eu, a dar mais de mim e a fazer-me finalmente feliz.
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