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Daqui eu parti pouco, sumida de ser Desci tanto, tanto, que deixei de ver a luz do dia e as estrelas da noite Eu nunca fui tanto, nem muito, nem brilhante O brilho que me ofuscava, iludia-me, eram sentimentos de amor corruptos Fui alguém que hoje não vejo ao espelho, Fui quem hoje não sinto cá dentro Mas o espelho magoa-me, cada vez que insiste em refletir como eu parecia Mais magra, mais bela, mais esguia Eu sei espelho, eu sei que os meus olhos agora se vêem cansados que o sorriso perdeu o branco que a pele ganhou estrias e eu ganhei tanto e que ainda não perdi o excesso Porque não refletes então o passado que sofri? Não imagens, vivências, ardores, cristais que me feriram... Não há espaço? Não há espaço num pedaço teu para refletir isso?! Espelho meu, eu ainda não sou tanto ou suficiente, mas eu ardia em ódio e alimentava-me dele e agora sinto paz e amor interior e o fogo é apenas uma vela que se acende quando eu fraquejo Agora eu sei que mereço ser por mim...