Ouves as palavras como facas, acumulas e calas. Riem-se das tuas falas, dos teus tiques e manias, das tuas ideias e crenças, de ti. As lágrimas caiem em silêncio e apenas no escuro. Não há alguém ao teu lado que te pergunte como estás querendo saber a resposta a sério. Alcanças as pessoas, elas querem lá saber. Quando tentam saber de ti, desistem. É como se andasses num patamar diferente de todos os outros, sempre um passo a mais ou a menos. Falam-te como fosses idiota. Uma idiota coberta de nevoeiro. Uma alma qualquer que pensa demasiado sobre tudo, que prevê as vidas dos outros, que sabe o que sentem, que sente por eles. Uma idiota que idealiza, que deixou de sonhar ou se esqueceu que sonhos lhe pertencem. Eu, idiota? Uma idiota que acham que tem problemas, depois riem. Riem sem saber que as minhas falhas são ténues reflexos de um todo bem mais problemático. Oiço demais, sei demais e pesa-me demais porque não ouvem de volta, nem tentam fingir que querem saber. É um caminho demasiado ...
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A mostrar mensagens de outubro, 2016
O meu bem
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Não enviem mantimentos, não é um refúgio que procuro. Encontrei um lugar que encerrou as estradas velhas em vez de me fa zer evitá-las . Um sítio para ser, não para me esconder, onde me chamam vozes e vontades, sítios e cidades em v ez de ecos. Nem tenho tempo de pensar se alguém sente saudades de mim, eu não. Não penso para não duvidar que devo continuar presente. Aqui é que devo estar. Já fui mais feliz aqui em menos de um mês do que durante mais de um ano inteiro em Portugal. O frio adoçou-me os sentidos. Não sinto que tenha mudado, sou eu na mesma forma, mas não da mesma maneira. Esqueço-me que tenho quem me espere mas não me pressionam um regresso. Percebem que isto era tanto para mim como para eles. Eu já não tinha que pertencer ali, nem a ninguém. As saudades chegam-me em forma de receio da despedida porque encontrei uma casa aconchegante, inconstantemente feliz, autenticamente desafiante. Mas quer o meu bem e eu quero estar aqui.
À miúda mais rabugenta que eu nunca vi
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Vai lá agora, chateia-te mais, fala ainda mais alto, satura tanto as teimas que só te restem sussurros doces e lágrimas ternas Pergunto-me se algum dia te vi realmente, se alguma das incontáveis vezes que senti, acertei no que sou, ou no que devia ser; Teimosa, chata, insegura... Que quando chora cria muralhas mas que quando ri quebra muros Podes culpar o mundo, não lhe deves nada, ele quer lá saber de ti Se há coisa pelo que tens de te culpar, é por teres chegado aqui, Magra, pálida, vesga, gorda, estranha, desfeita, de fora, A culpa é toda tua quem é que te mandou chegares até aqui? Tu. 3.09.2016
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Não sei desde quando se desvaneceu o impulso de despejar palavras. Talvez tenha ficado submersa no mundo e ficado surda da minha essência. Pelo bem ou quando mal, escrever tem sido algo que surge naturalmente, sem intenção, apenas sentido. Agora... não a encontro. A vontade. Não é que me falte algo sobre que escrever mas sim a inspiração. Talvez precise de alguém que me inspire. Mas mais certamente preciso de ficar inspirada por aquilo que sou e com aquilo que me faz feliz. Que por acaso, ainda não sei bem o que é. Costumava ser escrever. Tenho-me perdido demasiado no caos e no deslumbramento fugaz. Quando decidi ir embora, quando fui, deixei muito para trás que nunca mais vou voltar a ter. Escrever não era algo que queria ter deixado. Não escolhi deixar. Se há coisa que quero trazer comigo para o resto da vida são as palavras que ainda caiem honestas. Quero ter pelo menos esta voz.