O meu bem

Não enviem mantimentos, não é um refúgio que procuro. Encontrei um lugar que encerrou as estradas velhas em vez de me fazer evitá-las. Um sítio para ser, não para me esconder, onde me chamam vozes e vontades, sítios e cidades em vez de ecos. Nem tenho tempo de pensar se alguém sente saudades de mim, eu não. Não penso para não duvidar que devo continuar presente. Aqui é que devo estar.
Já fui mais feliz aqui em menos de um mês do que durante mais de um ano inteiro em Portugal. O frio adoçou-me os sentidos. Não sinto que tenha mudado, sou eu na mesma forma, mas não da mesma maneira. Esqueço-me que tenho quem me espere mas não me pressionam um regresso. Percebem que isto era tanto para mim como para eles. Eu já não tinha que pertencer ali, nem a ninguém.
As saudades chegam-me em forma de receio da despedida porque encontrei uma casa aconchegante, inconstantemente feliz, autenticamente desafiante. Mas quer o meu bem e eu quero estar aqui.

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