Ilusões não bastam
Entrego-me a quem não me vê como alguém, apenas algo, com um fim. Uma mera passagem para algo que lhes irá favorecer de alguma forma. Quem sou eu para eles? Apenas a utilidade que me dão. Eu sou também culpada, por já várias vezes me ter deixado ser roubada, eu dou parte de mim, talvez na esperança de regressar mais completa, na ingénua e cruel esperança de que poderão ver-me como alguém, para lá do uso que me dão, mas eu estou errada sempre que deposito fé e, quando o escolho não fazer, erro. Se eu me amasse mais, se eu me amasse, se eu me tratasse como trato quem eu abraço na vida, eu teria o controlo para não ceder por insegurança e por um complexo de inferioridade. E eu vivo torturada por saber o mal que faço, por saber que é errado, se eu fosse ignorante, eu errava e continuava com uma mente livre, mas os erros assombram-me porque eu sei que os são e porque são e que já um dia os cometi. Ainda me tento apoiar no ideal que seria ter alguém que me amasse para provar que tenh...