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A mostrar mensagens de abril, 2015
Noto quando as estrelas se espalham demasiado, deixo de as ver. Às vezes nem a luz da lua eu avisto, não há nada que vista que me faça mais que isto. Há um amargo cravado debaixo da minha língua, que reveste o que sinto, como se fosse causar ardor a qualquer momento e receio o que irá doer. Reparo quando se afastam, dizem-me que sou eu que apenas vejo as coisas assim, por me sentir fora da parte, acho que não é ilusão. Uma pessoa dedicou-se vários dias a fazer-me indiretas, uma delas, que tentava demasiado. Se tentasse mais, não estaria assim, porém, o que tentei trouxe-me aqui. Essa conotação que associou ao tentar demasiado é complicada de descontruir. Não há mal em querer relacionar-me com mais alguém, querer conectar-me com o que me rodeia, fazer parte de vários momentos. É triste ser apenas uma vaga memória quase totalmente desvanecida, não é isso que quero ser. Às vezes sinto que sou a única a puxar a corda, insisto, sinto que por isso me rebaixo, me faço de ignorante, às vezes,...

Irreal

Mordo os meus lábios enquanto troco olhares de relance com a dor, afasto depois o olhar e tento trancar o choro. As vezes que o fiz notam-se pela quantidade de cortes e peles que tenho nos lábios, pelas semi luas cavadas por baixo dos meus olhos, a forma como estou pálida perante quase tudo, guardei demais, interiorizei tanto de quase tudo que me perdi cá dentro, os meus olhos não me pertencem, vejo perante várias lentes que encobrem o que está à frente deles. A falta de gosto por mim revela-se em cravos, em estrias ainda não esbranquiçadas, na celulite que se acumula, demasiado cedo para uma menina da minha idade - dizem-me. Tentava sentir algo de bom através da comida, comia até ficar enjoada, cheguei a ficar doente desses ciclos constantes, acumulava-se a gordura saturada de repugnância. Horas replicadas diariamente em frente a um ecrã ignorando as janelas, as portas, o sol... quando o via tinha de arrancar tudo o que me cobria, para não se ver quando tivesse descoberto, à conta dis...
Um dia não haverão mais cartas a escrever, os teus sonhos não estarão mais na almofada, mas no chão em que pisares. O cansaço arrasta-me para debaixo dos lençóis, ali pasmo perante o que nem sequer vejo em primeiro plano. A trovoada rompe e não me sobressalta, não sei como acordar na realidade. Tenho-a mesmo à minha frente, foi revelada em factos e verdades, a minha saúde deterioziou-se, a minha mentalidade encobriu-se, o meu corpo cedeu, apenas aqui moro eu, prestes a desvanecer, prestes a ir dormir e com receio de acordar e já não ver nada do que vê o meu corpo. Não há raio de sol forte o suficiente para desencadear a conexão entre mim e o meu corpo. Há quem deseje isto, o estado de passar pela vida como um fantasma para evitar dificuldades, eu preferia ter a depressão comigo, saberia lidar com ela, com isto, como é que lido com algo que me faz ver como se não existisse, como se eu não estivesse em nada do que presencio?

Até amanhã "ursinho"

Conhecer alguém tão bem e ver os seus olhos já sem o brilho, baços, cansados e quase fechados deixa-me um ardor cá dentro... Já não me lembro do primeiro dia em que te recebi em casa, mas lembro-me de ser pequena e ignorante e chatear-te e tu nunca te assanhares comigo, pegar num atacador velho e encorajar-te a brincar, correr atrás de ti na brincadeira para depois te mimar. A forma como as tuas pupilas se dilatam quando algo te cativa a atenção, aquele miar doce e meio desesperado por um bocadinho de comida. Noites frias em que saltavas para a minha cama para ires enroscar-te debaixo das lençóis, deixares-me na posição mais desconfortável e picares-me com as unhas quando me tentava mexer, adormecer a ouvir o teu ronronar ou aquela vez em que estava a chorar e ficaste comigo até adormecer. Sei que te chateei muito, mas arrependo-me mais de, agora que estou longe, chegar cansada a casa e não ter tanta disponibilidade para ti, ceder ao teu mano mais novo porque é mais mimoso para mim, s...
Só me fala quando vai contra uma das setas perdidas, quando precisa. Rasguei camadas, criei outras, corrompeu-se o inocente, nem por aí, não querem saber o que sinto. Se pergunto, é porque me preocupo, mas desgasta-me ter de fazer pergunta atrás de pergunta para conversar com o mundo, sem nunca retribuirem a questão. Preocupo-me e quero o melhor do mundo, mesmo assim, provocam, gozam, atacam, mas calam-se quando matam, assistem a humilhações e não se levantam. Nem levanto crenças à mesa porque se revoltam, revoltam-se contra alguém a querer fazer algo para tornar melhor o que se pode mudar, deixar melhor para quem venha e fique depois. De que vale terem uma fé se o único que fazem perante isso é ir a sítios e recitar? Não seguem as doutrinas a não ser aquelas que foram distorcidas pelos homens. Revoltam-se contra a vida de pessoas que em nada interfere com a deles, porém é a isso que escolhem levantar a voz com o ego cheio de falsa razão. Quando aclamam um laço de sangue como sujo e d...
Não me conformo com a incoerência da ordem, engenhos inertes que me fazem questionar, silêncio que me atormenta, me desacorda enquanto tento não ouvi-lo. Refugio-me nos desejos provados que alimentaram ilusões, quando o medo me enrola, agarro-me como quando ele me levantou do chão, repito a memória desfocada que tenho do seu sorriso, do abraço, do adeus. Tento acalmar a revolução com quem nunca pertenceu à minha vida, apenas viajantes passageiros, quando vão embora, eu fico à espera que voltem, mas nunca regressam. Não devia esperar por ninguém, não deveria tentar salvar-me com coletes imaginários, deveria ter momentos meus como salvação, conquistas, orgulhos aos quais me pudesse prender para voltar a respirar. Não me satisfaço com ilusões, embora sejam centenas, apenas procuro com elas sentir realização, sei que nunca resultará. Sei a resposta, crava-se em mim e magoa-me, a sua essência nunca me alcança.