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A mostrar mensagens de setembro, 2015
Recorta-me, espalha tudo por aí. Deita-me fora, vai embora, nunca digas que sim. Grita-me, nunca me fales. Apego-me, largas-me. Mãos que não agarram sentidos, Agarram vontades. Reviver a mágoa e desilusão é voltar a sentir o azedo a fazer arder feridas. A boca pálida, os olhos secos, enquanto se jura que se podia chorar. As cordas nunca arranharam tanto enquanto se quer desembarcar da ilusão e partir do cais, a maré continua a puxar, mas o cais continua a amarrar-te.
Vou estilhaçar-te, espezinhar-te e deixar agoniar, partir-te, rasgar-te, para te permitir amar. Já tiveste tanto pó de ouro atirado aos olhos que não te agarras a nada, a não ser para espremer o doce e partir para a próxima. Odeias-me, eu sei, também eu, por te deixar chegar tão perto, quando já sabia o desfecho. Já me tinham enganado assim, mas contigo, sabia, fizeste-me saber e eu deixei. Espero que o meu nome te tatue, mas sei que não vai, se já tiveste musas e não as foste capaz de manter, não sou eu prestes a ser. Fui um passa-tédio, foste um passa-choro e não é engraçado, não é de todo, como tudo se resume a ficar como era. Mas enquanto eu tenho de carregar o tempo perdido tu tens apenas um tempo esquecido. Podias ter-me usado, mas não devias ter-me manchado com o teu sangue. Não foi nada, já passou.
Não há prefácio depois do inverno Como quem quebra o gelo, Quebro o inferno.
Um livro é a alma refletida por um dom exprimido Espremido para o papel São histórias traídas por memórias, Vitórias sobre noites mortas de céu.
Não sou o mundo colorido Nem a vida acordada Onde é agora inverno, É verão em minha casa O mundo interessa-me Mas tem demasiada pressa E eu demasiado sono.
I'm starting to think my heart is forever broken and I can't point out why. I'm afraid of a day when I wake up and I'm not able to aknowledge I'm here, that I am me.
Veio e atracou nessa dúbia escada.  Talvez caísse, talvez me elevasse. Me levasse a outro patamar. Com o gosto no rosto e o sol no meu colo. O calor que não sufoca, o vento que não revolta.

Eles irão perguntar

Porque é que não disseste nada? Porque as vezes em que disse, ignoraste ou soltaste aquele sorriso amargo de quem se acha estar perante um louco. Porque foste? Porque apesar de saber que me estavam a iludir, era a única pessoa que me queria, mesmo de forma corrupta. Sabia que todas as palavras já tinham sido estudadas, gastas e usadas, as respostas eram certas porque tinha o jeito e hábito de ser questionado o mesmo. Porque enquanto tu saías, eu ficava em casa, à espera, de ninguém, de todos, à espera de nada acontecer. Passei o pior verão da minha vida, com os melhores momentos, mas não os senti quase nunca. É nessa prisão que me encontro e não me visitam. Faço que não sei que me enganam, que me mentem, que me usam, que sou um mero acessório e nem tentam disfarçar. Sinto pena de me ver chorar e ter de ser eu carregar-me quando me desmancho, carreguei as dores dos outros e, quando precisei, a minha caiu em silêncio. Tornei-me num poço de desilusões, falhas combinadas, faltas de memór...
Pode ser que um dia Sem que por magia Se quebre o vitral, Que o sangue inunde o que passou Para que nunca mais passe Para aqui já sofrido. Neste andar A chuva não intimida, Desinibe. Desarma-me a rotina Desalma-me, Ficarei descontida. Será um dia em outubro Onde sou primavera Enquanto apenas vêem tons terra Estou certa, Que serei eterna Quente no frio Enquanto me desvio E faço sol.
Um tanto de coisas em monte à espera de caírem, à espera de serem mais que uma altura, mais que nada acumulado.
Esta cena é rosa. A podridão é que corrói isto tudo. Faz o verde musgo, o azul desvanecido o vermelho do cérebro espremido. O cinzento fumo que expelem sem cessar. A cor de fogo ateado, natureza morta. Rosa? Já nem a pantera permanece rosa, A pantera é cor de burro quando foge.
Talvez o meu coração seja demasiado grande para o amor que precisa, talvez não haja amor suficiente que o preencha.
Tenho estado a escrever sobre ti desde que adormeceste. A casa está tão cheia de inútil, de velho, venenoso e de um constante sufoco. Contigo podia respirar liberdade, inspirar uma saída. Podia ser real, podia sentir-me. Há quanto tempo não sou eu... Há mais de seis meses e eu não sei como voltar até mim. Como volto a um sítio do qual não sei como saí? Vomitei o que sou e fiquei para fora de mim. Quero ser eu. A vida não tem sabor. Sinto-te a dor, a agonia, a morte, mas o sol não me toca. O bom não consigo saborear mesmo estando de caras. Nada sacode esta embriaguez sonâmbula. Aquilo de existir e não sentir que se existe no corpo que se tem.
Em vez do fogo morto aos pés Soube contar suspiros reprimidos Fechados em mãos ásperas de tentar evitar Mas como evitar o que atinge sem magoar? Magoa na mesma, Dói como era Sabes em quantas cores se divide o oceano? Eu sei em quantos anos