Vou estilhaçar-te, espezinhar-te e deixar agoniar, partir-te, rasgar-te, para te permitir amar. Já tiveste tanto pó de ouro atirado aos olhos que não te agarras a nada, a não ser para espremer o doce e partir para a próxima. Odeias-me, eu sei, também eu, por te deixar chegar tão perto, quando já sabia o desfecho. Já me tinham enganado assim, mas contigo, sabia, fizeste-me saber e eu deixei. Espero que o meu nome te tatue, mas sei que não vai, se já tiveste musas e não as foste capaz de manter, não sou eu prestes a ser. Fui um passa-tédio, foste um passa-choro e não é engraçado, não é de todo, como tudo se resume a ficar como era. Mas enquanto eu tenho de carregar o tempo perdido tu tens apenas um tempo esquecido. Podias ter-me usado, mas não devias ter-me manchado com o teu sangue.
Não foi nada, já passou.

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