Eles irão perguntar
Porque é que não disseste nada? Porque as vezes em que disse, ignoraste ou soltaste aquele sorriso amargo de quem se acha estar perante um louco.
Porque foste? Porque apesar de saber que me estavam a iludir, era a única pessoa que me queria, mesmo de forma corrupta. Sabia que todas as palavras já tinham sido estudadas, gastas e usadas, as respostas eram certas porque tinha o jeito e hábito de ser questionado o mesmo.
Porque enquanto tu saías, eu ficava em casa, à espera, de ninguém, de todos, à espera de nada acontecer. Passei o pior verão da minha vida, com os melhores momentos, mas não os senti quase nunca. É nessa prisão que me encontro e não me visitam. Faço que não sei que me enganam, que me mentem, que me usam, que sou um mero acessório e nem tentam disfarçar. Sinto pena de me ver chorar e ter de ser eu carregar-me quando me desmancho, carreguei as dores dos outros e, quando precisei, a minha caiu em silêncio. Tornei-me num poço de desilusões, falhas combinadas, faltas de memória. Eu vou e sofro ou sorrio, e passa e eu esqueço-me porque foi, porém a dor, fica atada.
E a corrente sanguínea vai pulsando, cada vez mais lenta, e o meu coração vai parando, até ser totalmente gelo. Irei estagnar, todos os cortes irão secar, mas ficarão marcados para sempre. E direi-vos, até um dia, até nunca sempre.
Porque foste? Porque apesar de saber que me estavam a iludir, era a única pessoa que me queria, mesmo de forma corrupta. Sabia que todas as palavras já tinham sido estudadas, gastas e usadas, as respostas eram certas porque tinha o jeito e hábito de ser questionado o mesmo.
Porque enquanto tu saías, eu ficava em casa, à espera, de ninguém, de todos, à espera de nada acontecer. Passei o pior verão da minha vida, com os melhores momentos, mas não os senti quase nunca. É nessa prisão que me encontro e não me visitam. Faço que não sei que me enganam, que me mentem, que me usam, que sou um mero acessório e nem tentam disfarçar. Sinto pena de me ver chorar e ter de ser eu carregar-me quando me desmancho, carreguei as dores dos outros e, quando precisei, a minha caiu em silêncio. Tornei-me num poço de desilusões, falhas combinadas, faltas de memória. Eu vou e sofro ou sorrio, e passa e eu esqueço-me porque foi, porém a dor, fica atada.
E a corrente sanguínea vai pulsando, cada vez mais lenta, e o meu coração vai parando, até ser totalmente gelo. Irei estagnar, todos os cortes irão secar, mas ficarão marcados para sempre. E direi-vos, até um dia, até nunca sempre.
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