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A mostrar mensagens de fevereiro, 2018

Sobre uma nova fase

Em retrospectiva consigo ver como agora encaro melhor a realidade, a cidade em que estou e a forma como lido com as pessoas. O ano passado foi o melhor ano da minha vida até agora, único e infinitamente memorável. Foi também um grande tempo de aprendizagem e crescimento, e influenciou como sou hoje e a forma como lido com a vida. Agora tenho o coração sempre a puxar-me para ir; conhecer, visitar, falar, fotografar, simplesmente viver. Adquiri uma vontade de viver e um entusiasmo jovial pela vida que me faltava há anos. Até nesta cidade que encarava com amargo, me sinto radiante. Estive fora vários anos, a não ser por breves fim de semanas enquanto estava ainda em Portugal, que inicialmente gastava em saídas inúteis, até me fartar da insignificância e esta cidade tornou-se um mero porto temporário de descanso do desgaste da faculdade. Sair de Portugal permitiu-me inspirar fundo pela primeira vez em muito tempo. O problema não era o país, não posso apontar culpados, foi um pouco de t...

Marés de boa fé

E agora chamo casa a vários cantos, a todos que me acolhem com momentos aconchegantes O retalho ao pé do mar poisado esteve cá sempre, mas a névoa e as tempestades que se revoltavam cá dentro não me permitiam vê-lo, que este retalho era o canto mais terno e apaixonante Hoje poiso-lhe o olhar e vejo para além da silhueta, não se demove pelo sopro insistente do vento, é um pano precioso bordado ponto a ponto com amor por um plano maior, com a dedicação de olhos colados na agulha e lábios que beijam os pontos falhados que calharam em dedos, que deixaram de lado o dedal e se entregaram a sentir tudo o que fizessem, Retalho bordado que apesar da dor estende a mão, flete um sorriso de rugas nos olhos, e ama com tudo o que é Tive de ir para fora, adoptar o desconhecido como familiar, dormi sonos profundos em camas de quartos vagabundos, aprendi a confiar no mundo e que o vazio de um espaço, não corresponde à falta de conteúdo Encostaram-me à parede para me beijar e também para me c...

Medo de Sentir

As minhas mãos não te alcançaram como deviam, agarraram com a força precisa, te entrelaçaram nos sítios onde devíamos ficar. Queria dizer-te que te queria, mas e se só querias o que não se via de dia? Podíamos ser um plural paralelo... vou voltar a ver-te e vais estar no meu mundo, virás-me de dia e de noite, de onde sou e como desfiz e fiz disto o meu mundo. Vou apresentar-te a este lugar e querer que fiques por aqui. Já tantos se deslumbraram por este canto, se ficasses mais um bocado, seria um plano Até podia nem resultar, senão a conexão mais autêntica que tive, com alguém que me fala directamente, me olha para lá da lente e quer que eu fique. O problema é que tenho receio de pôr o que sinto em actos e tu tens medo de sentir o que fazes.