Sobre uma nova fase
Em retrospectiva consigo ver como agora encaro melhor a realidade, a cidade em que estou e a forma como lido com as pessoas.
O ano passado foi o melhor ano da minha vida até agora, único e infinitamente memorável. Foi também um grande tempo de aprendizagem e crescimento, e influenciou como sou hoje e a forma como lido com a vida. Agora tenho o coração sempre a puxar-me para ir; conhecer, visitar, falar, fotografar, simplesmente viver. Adquiri uma vontade de viver e um entusiasmo jovial pela vida que me faltava há anos. Até nesta cidade que encarava com amargo, me sinto radiante.
Estive fora vários anos, a não ser por breves fim de semanas enquanto estava ainda em Portugal, que inicialmente gastava em saídas inúteis, até me fartar da insignificância e esta cidade tornou-se um mero porto temporário de descanso do desgaste da faculdade. Sair de Portugal permitiu-me inspirar fundo pela primeira vez em muito tempo. O problema não era o país, não posso apontar culpados, foi um pouco de tudo. A falta de vontade, a saturação do ambiente, vazio emocional, cativação inexistente.
Não deixei de estar despersonalizada, mas a vida passou a ter cor, ritmo contagiante, risos incontroláveis... a inspiração floria, os sentimentos bailavam e arrepiavam a pele, o coração percutia rápido, e as novas pessoas, momentos e lugares ocupavam em mim espaços vazios com um carinho gigante. E foi assim que reaprendi a viver com significado, a valorizar o presente, a sentir saudade e a lidar com a distância. Tive a oportunidade de ver o meu país e o meu passado de longe, com uma perspectiva geral e percebi que, mesmo tudo o que de angustiante passei, me tinha levado até ali, e isso trouxe-me paz porque justificou um propósito. Esse ano ensinou-me a viver o presente.
Por cá finalizei o curso no meio de dias repletos de sol, apesar dos dias em que cedi à sedução do verão. Abracei alguém que veio da Alemanha para Portugal para estudar na minha faculdade, e ficámos amigas de vez, e despedi-me de amizades que sairiam de Portugal.
Entretanto eu, tímida de nascença, entrei no mundo dos adultos e passei a ir a entrevistas, aprendi a lidar com a rejeição, inicialmente atingiu-me ao ponto de duvidar se iria voltar a estar bem, mas surpreendi-me ao voltar a sorrir outra vez. Os nervos são agora domados, e em cada vez que tenho de me deslocar até uma entrevista, aproveito para conhecer um novo sítio.
Festejei o ano novo no Porto que se tornou um lugar tão querido para mim, pelas memórias que lá estabeleci e pelo ambiente brilhante que me transmite sempre.
Após meses de introspecção, solidão, e inexistência de ligações, tudo se começou subtilmente a compor e a interligar. Apenas estava a trabalhar nos projectos que tinha, a reorganizar fotografias e a partilhá-las, e a ser eu enquanto visitava novos sítios, e isso alinhou-se com o mundo à minha volta, e eventualmente com este lugar. Criei ligações que se têm ramificado. Um caso que até a mim me surpreendeu. Novas pessoas numa cidade que pensava não ter rumo para mim? Agora sinto estar numa maré com uma corrente e direcção.
Isto é prova suficiente que o que sucede depende da causa em que se investe interiormente. Eu estava apenas a entreter-me a ser eu e a fazer-me feliz, nem tive de falar, o mundo recebeu finalmente a minha ligação e atendeu a chamada que esperava de mim há anos.
Já passei por tanto que pensava ser o fim, e tenho orgulho de agora conseguir chamar começo ao que estou a viver.
O ano passado foi o melhor ano da minha vida até agora, único e infinitamente memorável. Foi também um grande tempo de aprendizagem e crescimento, e influenciou como sou hoje e a forma como lido com a vida. Agora tenho o coração sempre a puxar-me para ir; conhecer, visitar, falar, fotografar, simplesmente viver. Adquiri uma vontade de viver e um entusiasmo jovial pela vida que me faltava há anos. Até nesta cidade que encarava com amargo, me sinto radiante.
Estive fora vários anos, a não ser por breves fim de semanas enquanto estava ainda em Portugal, que inicialmente gastava em saídas inúteis, até me fartar da insignificância e esta cidade tornou-se um mero porto temporário de descanso do desgaste da faculdade. Sair de Portugal permitiu-me inspirar fundo pela primeira vez em muito tempo. O problema não era o país, não posso apontar culpados, foi um pouco de tudo. A falta de vontade, a saturação do ambiente, vazio emocional, cativação inexistente.
Não deixei de estar despersonalizada, mas a vida passou a ter cor, ritmo contagiante, risos incontroláveis... a inspiração floria, os sentimentos bailavam e arrepiavam a pele, o coração percutia rápido, e as novas pessoas, momentos e lugares ocupavam em mim espaços vazios com um carinho gigante. E foi assim que reaprendi a viver com significado, a valorizar o presente, a sentir saudade e a lidar com a distância. Tive a oportunidade de ver o meu país e o meu passado de longe, com uma perspectiva geral e percebi que, mesmo tudo o que de angustiante passei, me tinha levado até ali, e isso trouxe-me paz porque justificou um propósito. Esse ano ensinou-me a viver o presente.
Por cá finalizei o curso no meio de dias repletos de sol, apesar dos dias em que cedi à sedução do verão. Abracei alguém que veio da Alemanha para Portugal para estudar na minha faculdade, e ficámos amigas de vez, e despedi-me de amizades que sairiam de Portugal.
Entretanto eu, tímida de nascença, entrei no mundo dos adultos e passei a ir a entrevistas, aprendi a lidar com a rejeição, inicialmente atingiu-me ao ponto de duvidar se iria voltar a estar bem, mas surpreendi-me ao voltar a sorrir outra vez. Os nervos são agora domados, e em cada vez que tenho de me deslocar até uma entrevista, aproveito para conhecer um novo sítio.
Festejei o ano novo no Porto que se tornou um lugar tão querido para mim, pelas memórias que lá estabeleci e pelo ambiente brilhante que me transmite sempre.
Após meses de introspecção, solidão, e inexistência de ligações, tudo se começou subtilmente a compor e a interligar. Apenas estava a trabalhar nos projectos que tinha, a reorganizar fotografias e a partilhá-las, e a ser eu enquanto visitava novos sítios, e isso alinhou-se com o mundo à minha volta, e eventualmente com este lugar. Criei ligações que se têm ramificado. Um caso que até a mim me surpreendeu. Novas pessoas numa cidade que pensava não ter rumo para mim? Agora sinto estar numa maré com uma corrente e direcção.
Isto é prova suficiente que o que sucede depende da causa em que se investe interiormente. Eu estava apenas a entreter-me a ser eu e a fazer-me feliz, nem tive de falar, o mundo recebeu finalmente a minha ligação e atendeu a chamada que esperava de mim há anos.
Já passei por tanto que pensava ser o fim, e tenho orgulho de agora conseguir chamar começo ao que estou a viver.
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