Dois
Há tempo que não paro para escrever mas é que agora sinto e percebo um pouco. Percebo que não tenho percebido nada, que não tenho estado completamente presente nos momentos - continua a ser o meu maior desafio. Mais ainda porque perco a noção e estou constantemente desfocada que nem consigo depositar-me. O pouco que consigo processar é que o tempo é muito fugaz. Admito que fugi e tento ainda fugir de tudo o que passei no meu país, de mim, de todas as minhas memórias e fases que não quero ver refletidas no que sou mas ainda me olho ao espelho e vejo a dor encarcerada, aquela que tentei pôr debaixo do tapete. Não o fiz de propósito mas a certa altura estava curada, sentia-me bem, a minha pele estava radiante e os meus olhos sorriam. Mas tornei-me adulta, fui para a faculdade e... sei lá, caiu sobre mim um manto de névoa e uma carga de inseguranças que abalaram todo o progresso. Desde aí, estou aqui, assim. Fugi mas também precisava de um sítio novo para começar algo, não sei ...