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A mostrar mensagens de julho, 2015
Encontrei um tal e qual igual que cheguei a acreditar que talvez não tivesse partido. Há "coincidências" de tirar o véu, de rasgar o céu. Os dias em que te faltei à atenção, carrego-os com espinhos de mágoa. Todas as lágrimas que chorei por ti, vi-as refletidas, por fim, nos teus olhos. Já nem me vias, talvez nem soubesses o que estava a acontecer, apenas sofrias sem lógica. Apesar de tudo, perdoaste-me e vieste de novo, como um destino que te foi traçado. Talvez não sejas mesmo tu, mas enviaste-o com uma parte de ti, como um teu. Só me resta fazer tudo para o ter nos meus braços, dar-lhe uma casa e um amor tão cheio como o que deixaste.
Mesmo depois no mergulho naquele mar translúcido, cor de lágrimas felizes, mesmo depois de o sal temperar a pele e ancorar-se à penugem, depois da água doce o enxaguar, fica absorvida a sensação. Talvez por isso, ao flutuar num mar tão próximo de casa, mar de casa, já tão conhecido e há tanto, aconteça várias vezes sentir um regalo tão refrescante, como se fosse sempre a primeira vez, o sorriso de criança ataca o rosto e aquela inquietude inrequietante assalta todos os remorsos. É tão bom, tão doce de salgado que é. O sol refletido nas pequenas ondas que bailam e reluzem a cada vaivém. O som das ondas a desintegrarem-se na areia e a renascerem, sempre, sem fim. Pergunto-me, porque não voltei mais vezes aqui? Se estou certa que é das poucas coisas que me faz feliz. Absorvo-me tanto naquela núvem cinzenta e densa que me esqueço que tenho um rio mágico a poucos quilómetros do meu passo. De noite, de dia, ao entardecer. Todas as fases são-me prediletas e todas únicas. Nunca verei o mesmo ...
Falo entre os silêncios das paragens de autocarros Em cantos esquecidos da cidade Onde raiam por entre as faixas Trilhos de possibilidades O sub humano na cidade O sub humano sob a liberdade Esquiva, num esquiço, escassa, Escapo. Praças sem latas lotadas Partidas e regressos em que me perco Sem nunca levar tudo de mim Nunca desfazendo o que trago Embarco em náus sem fundo Em que me afogo num sufoco

Às três e num quarto

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Acordas da sonolência que não consegues matar, com um dilúvio de culpa e ao som da chuva. As lágrimas caiem nessa almofada amassada, tristeza adormecida e cansada. O teu olhar não vê claro, certo, concreto e os teus lábios pronunciam sussurros discretos mesmo estando a arder para gritarem trovoadas. Desperta, cansada, sentada na cama de um quarto irreconhecível a esta hora da madrugada. A chuva cai, mas tu não.  Os relâmpagos explodem e tu com eles também. Ali alguém ou alguns te falam em tom de sabedoria, como dizendo, "eu estou aqui, eu sabia". Eles sabiam e tu também, eles sabem aquilo que em ti vêem, para além do que expões à luz de um dia, eles sabem o que escondes e sabem onde te escondes, acompanham-te e apanham-te desprevenida, relembram-te que a vida é para ser vivida e há mais na vida que uma despedida. Chamam-lhe insónias, eu chamo-lhe coisas não resolvidas, uma mente pesada, é uma mente de noite viva e uma mente livre, tranquila. Chamam-lhe peso na consciên...
Inconscientemente, tenho evitado escrever sobre ti, sobre o dia em que te deixei ir. A saudade desliza dos meus dedos e despeja-se em cima das letras. Desde aquele dia, tenho deixado uma marca desse aperto em tudo o que escrevo, as palmas das minhas mãos marcadas de culpa, de mor... Fico por aqui, não sei até que ponto escrever sobre isto me pode empurrar para ainda mais longe de mim, eu já tenho o medo fora do meu alcance a impedir-me de voltar. Não sei do que me protege, porque sentir eu sinto, a tua falta, há um espaço oco, que ecoa saudade. Continuo a fugir de mim, talvez um dia me apanhe, a tempo, espero, a tempo de voltar a correr com a minha vida, até ao dia em que nos voltemos a ver. Ursinho, estás aí, não estás? Não sinto que eu esteja. Ainda não é desta que te consigo homenagear.

As palavras que ficaram à mesa

Clic, clac. O enconsto dos talheres nos pratos pouco fundos. Vozes cheias de silêncio, garfo a garfo, as pernas querem correr para fora dali. Um espaço fisicamente amplo, mas claustrofóbico. Nesta mesa, caíram lágrimas, cuspiram-se gritos, contemplou-se o passado, com muita saudade, com muito remorso. Mas agora, é como uma prisão, em que há regras e limitações, à conta de um centro de mesa que não deveria lá estar. Senta-te aqui, num lugar onde tens de esconder as lágrimas. não só comer mas engolir o orgulho e respeitar quem não te respeita. Falta alguém. O equilíbrio, a paz. Eras tu quem a impunha, nem aquele centro ignorante se conseguia impôr a ti. Eras tanto e eu sem ver isso durante tanto tempo, sem te sentir. A tua qualidade não era chamar à atenção e ser carente, era seres o silêncio no meio da confusão, o recosto, o encosto. Eras aquilo que eu precisava de ser, serena perante agressões infernais e ataques que não me deviam alcançar. Tiveste de ir? Não tinhas, eu tive de te deix...
Fui retratos de agonia Em telas vazias no roupeiro Na roupa lavada engelhada por todo o meu quarto Fui fotografias forçadas Sob lágrimas inconstantes Incoerência Rebelde Reverência Fui gritos e gritada Rebaixada Silenciada Por uma defesa não assumida Defendi quando ninguém o fez Defendi-os Porque o apego é maior que o râncor Dói tanto quando me é dirigido quando lhes és Por isso digo Que talvez não seja sina minha Ser algo para mim Eles viram o que sofri E as marcas Por vezes, vincaram-nas Mas e agora, que o que tenho não se nota? Sufoco, afogo-me tão lentamente Que nem eu reparo As poucos Me desfaço.

Lembrete invisível

Precisava de ti lá, em tantas fases em que sorri, sofri e mudei. Nunca soube como é perder, mas certamente sei o que é ser e não te ter. Quando saiste, assumiste uma separação à qual acrescentaste dois dos teus, para deixarem de ser. Não sei se foi isso que querias, mas foi isso que tu deixaste acontecer. Esta carência é tal que, depois de tudo, se voasses até mim, eu aceitaria, mas um dia, já não será assim e tenho mesmo muita pena, talvez mais por ti, porque tu é que terás a consciência sobrecarregada quando perceberes que atiraste fora o que um dia muito desejaste ter. Não serei o teu orgulho, ele não será o teu legado. Descartaste a hipótese de teres mais para amares, comprova-se assim que o teu amor é limitado. Porque é isso que o teu deixa-andar acarreta, não pertenceres à minha vida, e à dele, não saberes como somos todos os dias, o que nos faz sorrir, os disparates que dizemos, as angústias que nos sufocam, nunca serás o motivo do nosso sorriso, a memória num momento, o ar num ...
Traça, ponteiro a ponteiro, as horas que passaram desde que o silêncio poisou na tua boca, te envenenou. Adormeceste, sem descanso. Mergulhas nesse mar sem veres o fundo, receio em pedra, escadas incompletas. No meio, despertas, foge um sorriso, corre a alegria, a tempo de te agarrar a mão e te levar a nadar em plenitude. Juventude desperdiçada em constante solidão, há muito que não é a tua escolha, apenas se torna ocasião, afastaram-se, quando tu mais precisavas que te puxassem do quarto com persianas baixas, pouco chão onde andar. Há tão pouco onde andar como a tua presença. As lágrimas escorrem em vão, não há quem te desate os nós que atam os teus batimentos sufocantes. Pequenas manchas negras que nem sabes onde ganhaste, estrias novas sob brancas, manchas e camadas de tanto... inútil. Tenho uma intermitência a pulsar num canto recostado algures em mim, espasma lentamente, sem me conseguir despertar. Tenho medo de mergulhar em mim, por não ser claro o que há no fundo, por baixo de t...