Traça, ponteiro a ponteiro, as horas que passaram desde que o silêncio poisou na tua boca, te envenenou. Adormeceste, sem descanso. Mergulhas nesse mar sem veres o fundo, receio em pedra, escadas incompletas. No meio, despertas, foge um sorriso, corre a alegria, a tempo de te agarrar a mão e te levar a nadar em plenitude. Juventude desperdiçada em constante solidão, há muito que não é a tua escolha, apenas se torna ocasião, afastaram-se, quando tu mais precisavas que te puxassem do quarto com persianas baixas, pouco chão onde andar. Há tão pouco onde andar como a tua presença. As lágrimas escorrem em vão, não há quem te desate os nós que atam os teus batimentos sufocantes. Pequenas manchas negras que nem sabes onde ganhaste, estrias novas sob brancas, manchas e camadas de tanto... inútil. Tenho uma intermitência a pulsar num canto recostado algures em mim, espasma lentamente, sem me conseguir despertar. Tenho medo de mergulhar em mim, por não ser claro o que há no fundo, por baixo de todas as camadas. Receio afundar-me e não voltar ou nunca emergir. Os dias iriam passar como até hoje andaram, pergunto-me, quanto tempo iria demorar para perceberem que teria ficado presa nos corais? Quanto tempo até sentirem a falta de algo que renunciaram? Talvez todo até ao dia em que precisarem. A conveniência é o nó que me ata aos outros, enquanto eles não precisarem, estarei comigo, neste quarto, ou a nadar no mar já me habituado.

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