Traça, ponteiro a ponteiro, as horas que passaram desde que o silêncio poisou na tua boca, te envenenou. Adormeceste, sem descanso. Mergulhas nesse mar sem veres o fundo, receio em pedra, escadas incompletas. No meio, despertas, foge um sorriso, corre a alegria, a tempo de te agarrar a mão e te levar a nadar em plenitude. Juventude desperdiçada em constante solidão, há muito que não é a tua escolha, apenas se torna ocasião, afastaram-se, quando tu mais precisavas que te puxassem do quarto com persianas baixas, pouco chão onde andar. Há tão pouco onde andar como a tua presença. As lágrimas escorrem em vão, não há quem te desate os nós que atam os teus batimentos sufocantes. Pequenas manchas negras que nem sabes onde ganhaste, estrias novas sob brancas, manchas e camadas de tanto... inútil. Tenho uma intermitência a pulsar num canto recostado algures em mim, espasma lentamente, sem me conseguir despertar. Tenho medo de mergulhar em mim, por não ser claro o que há no fundo, por baixo de todas as camadas. Receio afundar-me e não voltar ou nunca emergir. Os dias iriam passar como até hoje andaram, pergunto-me, quanto tempo iria demorar para perceberem que teria ficado presa nos corais? Quanto tempo até sentirem a falta de algo que renunciaram? Talvez todo até ao dia em que precisarem. A conveniência é o nó que me ata aos outros, enquanto eles não precisarem, estarei comigo, neste quarto, ou a nadar no mar já me habituado.
Linha correspondente
Entre linhas soltas Entrelaçados De cores diferentes Realmente separados Se esta parede não cai Caio eu Se a luz não entra Apago-me Se a voz não me alcança Eu calo-me Isolo-me E canto Em tom médio Será que se ouve ao lado? Não como podia, Como temo ser ouvida, canto Até as cordas entalarem o som E as cordas não soam acordo vontade Quero que acordes agora Deixes de tentar reanimar memórias Que foram apenas um momento E o rasto que te deixaram foi temporário Então solta a linha, Pois está solta do outro lado Só por um momento foi mútuo, Agora separado, Agora nada, Nada. Se o sol não atravessa a janela Sai Se a parede separa a realidade Sai Se não te falam Fala Diz Se cantar te magoa Canta como podes No tom que devias Não temas Não temas não obter resposta Um dia terás E pode não ser da mesma linha Ou na mesma linha, Mas irá corresponder, Responde ao que tu sentes Não esperes ser remetente
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