Mesmo depois no mergulho naquele mar translúcido, cor de lágrimas felizes, mesmo depois de o sal temperar a pele e ancorar-se à penugem, depois da água doce o enxaguar, fica absorvida a sensação. Talvez por isso, ao flutuar num mar tão próximo de casa, mar de casa, já tão conhecido e há tanto, aconteça várias vezes sentir um regalo tão refrescante, como se fosse sempre a primeira vez, o sorriso de criança ataca o rosto e aquela inquietude inrequietante assalta todos os remorsos. É tão bom, tão doce de salgado que é. O sol refletido nas pequenas ondas que bailam e reluzem a cada vaivém. O som das ondas a desintegrarem-se na areia e a renascerem, sempre, sem fim.
Pergunto-me, porque não voltei mais vezes aqui? Se estou certa que é das poucas coisas que me faz feliz. Absorvo-me tanto naquela núvem cinzenta e densa que me esqueço que tenho um rio mágico a poucos quilómetros do meu passo. De noite, de dia, ao entardecer. Todas as fases são-me prediletas e todas únicas. Nunca verei o mesmo pôr do sol várias vezes, nem duas sequer. Cada momento, remisturam as paletas e fazem uma nova tela. Não me lembro de palavras na água, apenas existo na maravilha que sinto.

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