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A mostrar mensagens de janeiro, 2015
No mundo em que acordo O sol fica longe da minha cabeça O meu corpo está comigo Mas não o sinto A lua já nem a vejo Já nem subo as persianas Para deixá-la iluminar O escuro cá dentro Está guardado, Preso Esta roupa já é velha Não retoma o que era Tentei ser os outros Não consigo Nem sei ser quem sou As fotos, o espelho Que engenho têm eles que eu não tenho? Peles cativantes Ruínas ambulantes Talvez se entrelaçasse a minha mão na tua Aquecesse o meu coração
Percebi que não é a aprovação de outros que eu preciso, que não é alguém que me ame para repôr o que me falta sentir por mim, arrependo-me de quando o desejei. Reconheço que ser amada por alguém por quem eu sinta o mesmo possa ser fatal para a minha melhoria, porque tenho receio de que me ampare demasiado nesse amor e deixe de nutrir o meu, mas tal como se revelou errado o que achava, também pode ser este o caso. Tornarei o arrependimento em aprendizagem, em coragem, em carvão para fazer arder o que falta queimar, iluminando o que me falta ver e derretendo o gelo que falta para me fazer sentir. Que venha a tempestade, as lágrimas, o aperto no coração, os gritos de agonia, para que surja o sol, para que se revele dia.
Planta o caminho com o teu peso, como a certeza de que estás presente em tudo o que fazes. Perde-se tanto tempo e alegrias ao vaguear demasiado, ao sumir-se dentro da própria existência, perde-mo-nos dentro do nosso corpo. Sem dispensar o nosso ser, deveríamos abraçá-lo, ter a certeza que preenche cada canto do nosso produto exterior, deixá-lo ver pelas janelas, incentivá-lo a imperar perante o que parecemos. Há uma beleza que ninguém vê nos outros, a forma como interagimos no mundo a sós. Onde as pessoas se suportam, entrelaçam os seus braços à volta do corpo, se embalam e acalmam o choro. Deitam-se no sofá, tapam-se com uma manta, ao colo uma refeição quente e, perante o olhar, um gosto que tenham. Cuidam-se, nutrem-se, sozinhas. Acredito que é necessário estabelecer essa relação, de nos cuidarmos como um filho, temos o mesmo valor, pertencemo-nos. Saber dizer sem vergonha "hoje fico em casa porque quero estar sozinha", sem inventar desculpas de tanto ter para fazer, faz po...
No dia em que tiver certeza de que quero tatuar os meus pulsos, beijar feridas e correr por aí, estarei eu feliz. O tempo assombra-me, grita-me e chama por mim, eu fico, fico aqui, com medo de ser, finjo ser alguém lá para fora, finjo ser alguém para mim, mas a fachada é fraca e desfaz-se. Não me posso continuar a construir a partir de restos de erros, de momentos passados, de mentiras que me alimentam para continuar. Eu continuo, continuo aqui, mas não quero estar, se eu deixar cair a máscara, eu caio e tudo cai comigo, tenho medo que quando me deixar sentir eu desabe sobre mim. Acho que estas paixões que sinto são distrações que sem querer arranjo para deixar de me sentir alguém, deixar de me sentir, constantemente à procura de um molde a que me adaptar, para ser aceite, mas eu nunca irei preencher um molde que não o meu, o problema está em não querer o meu, o meu não tem qualidade e eu não me quero preencher, então limito-me ao vazio, a rabiscos com canetas permanentes e as mágoas a...
Hope is the hand that holds you as you close your eyes to cry It is the presence that sits still even when you push her away Even when you swear there's nothing worth fighting for anymore Hope is the embrace that carries you when you feel like falling At some point you stop believing it Hope destroys me because it makes me expect something that never happens Those are expectations Hope is not something you expect It is already there It is life inside you Making sure you're here to see every sunrise Hope is the light blurred by your tears at the end of the darkness calling for you It's what kept you going even when you couldn't see reasons to It's what brought you here You are here And she's right beside you

Altura certa

O que desejo vem ter comigo nas alturas em que não estou pronta para o receber. Querer, quero, mas como estou, não iria resultar, quase que prevejo que iria ainda piorar mais. Tenho de pensar que é pelo melhor, certas coisas não acontecerem, o estado em que me encontro faz com que essas coisas regressem em ricochete, estou implacável enquanto não me conseguir estabelecer na vida. Acho que sempre estive assim, um sempre desde que estou presente no mundo, agora está pior porque estou mais consciente, porque já não há como fugir, ignorar, evitar, está lá, está aqui, o primeiro passo é admiti-lo. Enquanto tenho isto para enfrentar e curar, certas questões incomodam-me, será que estas oportunidades irão voltar, será que ficam em espera enquanto não é momento certo? Ou será que as perco? De momento eu deveria pensar que, mesmo que não volte a tê-las, irei ter melhores, de momento... não tenho esperança para pensar em assim, tudo está oco, vazio, sem sentido e enquanto assim o vir, não irei v...