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A mostrar mensagens de junho, 2014

Deita cá para fora

Até a Blimunda me podia olhar Porque a minha vontade é nula, inexistente Estou melhor, mas não o bastante Estou melhor, mas ainda não o suficiente O mundo requer mais para se viver Do que deixar importâncias por fazer Nos restos de noites anteriores Eu sei que tenho de me mentalizar Não sou menos que os outros, Mas ainda faço menos que eles, Vivo menos do que o suposto Passo muito do tempo indiferente, Mergulhada no que me oculta do puxão da realidade, Mas lá está, sempre, A desilusão, A tortura da consciência Eu sei, talvez demasiado para o que não faço, Sei a teoria da vida Esses truques em que nem muitos acreditam Que funcionam... Eu sei porque me recolho dela Apenas quero sentir algo para além de inseguranças Não as quero enfrentar A ilusão corrompe-me E eu, consciente, permito Sei que posso mudar, Parece-me que há um dia a cada dois meses Que o meu saber é vivido E eu sorrio como os outros E sou feliz Mas hoje não...

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A lua não está deserta, apenas não acredita que tem habitação. A tua casa não me conforta, apenas me isola do habitual. Ele não me faz feliz, é apenas uma ilusão. Não me iludes, tu fazes-me sorrir. A lua é habitável, pensa que é confortável e sorri.

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Quem mais nos magoa É por quem mais nos preocupamos Deixamos porque gostamos Deixamos porque valorizamos Deixamos-nos magoar Valorizamos e deixamos-nos calar Deixamos e calamos E a caixa enche E o valor desvanece E a caixa parece cheia E deixar já não cabe

Bazingas

Nas música As letras No que escrevo As citações que vejo Há que defender Quando se sabe a pura intenção E a pura da vida É corrompida, por vezes, Pelo tremer perante o que ouvimos Ninguém irá ser sempre parede indestrutível A força reside na análise do ataque Repartição, desfaz-se Eu não sou quem fui, Tenho partes de então ainda Hoje não sou menos quanto achava Sou mais, para mim, E vou continuar a acrescentar-me Não para me classificar melhor que o outro Para me superar e ser melhor do que já fui Há sempre margem quando não há perfeição
ESTOU FARTA DE ESCREVER COM AS MESMAS PALAVRAS! E RIMAS E AS MESMAS COISAS MAS É O QUE SINTO QUERO APENAS UMA MANEIRA NOVA DE O EXPRESSAR UMA QUE EXPRESSE TAL E QUAL O QUE SINTO SEM TER DE DESCREVER TUDO MAS ESTAR TUDO DESCRITO NO QUE ESCREVO

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Na casa da aldeia, eu tenho medo de dormir sozinha, num quarto rodeado de nada citadino, assusta-me não ter vizinhos, residências ao lado, rodeado de terrenos, vegetação e animais sem dono. No prédio da cidade, eu tenho receio de piorar, ambiente preenchido de palavras aguçadas, temperamentos instáveis, luzes falíveis, espelhos errantes, janelas com vista para prédios, persianas a mais de meio, paredes com muitas coisas que não me trazem nada. Tenho medo de dormir na aldeia sozinha, mas tenho receio de estar acompanhada em casa. Não sou mais no campo do que sou aqui, mas sou eu, sem ataques, num ambiente em que posso ser o que quiser, ser eu sem ter receio de me atacarem por isso, sozinha, sorriu, riu, canto e durmo, mas acordo feliz, um dia até acordei a rir. Aqui, não riu quase nunca, não me sinto acordada quando estou, dormir é uma necessidade, acordar, não tenho vontade, estar aqui, não quero, não quero ter de me esconder num quarto com persianas quase baixas, debaixo de uma luz fr...

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Eu quero saber, eu preocupo-me, eu choro quando tu choras e, cada vez que te magoas, eu sinto a tua dor. Mas eu sou fria, não é? Eu pareço arrogante, distante, apática perante a vida, mas eu sinto-a, eu sinto-me, eu sinto-te. Então a vida é injusta? Faço a minha justiça, quero fazer justiças em vidas que não são minhas, em vidas com que me preocupo. Não penso na morte, agora penso porque referi, mas apenas de sábado a domingo, eu penso nela, eu não penso muito, quando penso, tenho medo que ela chegue e leve consigo as vidas daqueles que me fazem chorar com as suas lágrimas, eu choro por pensar, e os sonhos deles? e os planos? e as palavras que não disse? e as palavras que não me disseram? devia ter dito, devia ter mostrado, devia ter-me preocupado mais e ter estado mais presente na minha vida, para estar na deles. Eu acho que desenvolvi a capacidade de sentir o que sentem os outros, mesmo aqueles que não me preocupam, aqueles que não me são identificados, aqueles que apenas vejo, aque...

Alcançar

Tocam-se as dermes Entre germes e suor E peles secas e cortes e genes O sal arde as feridas O aperto fortalece-se Aquece o gelo da corrente, Desfigura a dor Já não são feridas Já não há ardor Já não há falta de amor Este aperto que termina o alcance Deixa-os despidos da dança que invoca estilhaços Quase Ainda não é um abraço Quase Já se sentem pulsações Quase Já pulsos estão prisioneiros de apertos Soltam-se os corpos, Não caiem as vontades, Agarrados, Afastados, Não é um abraço Ainda é quase