Deita cá para fora
Até a Blimunda me podia olhar Porque a minha vontade é nula, inexistente Estou melhor, mas não o bastante Estou melhor, mas ainda não o suficiente O mundo requer mais para se viver Do que deixar importâncias por fazer Nos restos de noites anteriores Eu sei que tenho de me mentalizar Não sou menos que os outros, Mas ainda faço menos que eles, Vivo menos do que o suposto Passo muito do tempo indiferente, Mergulhada no que me oculta do puxão da realidade, Mas lá está, sempre, A desilusão, A tortura da consciência Eu sei, talvez demasiado para o que não faço, Sei a teoria da vida Esses truques em que nem muitos acreditam Que funcionam... Eu sei porque me recolho dela Apenas quero sentir algo para além de inseguranças Não as quero enfrentar A ilusão corrompe-me E eu, consciente, permito Sei que posso mudar, Parece-me que há um dia a cada dois meses Que o meu saber é vivido E eu sorrio como os outros E sou feliz Mas hoje não...