Deita cá para fora

Até a Blimunda me podia olhar
Porque a minha vontade é nula, inexistente
Estou melhor, mas não o bastante
Estou melhor, mas ainda não o suficiente
O mundo requer mais para se viver
Do que deixar importâncias por fazer
Nos restos de noites anteriores

Eu sei que tenho de me mentalizar
Não sou menos que os outros,
Mas ainda faço menos que eles,
Vivo menos do que o suposto

Passo muito do tempo indiferente,
Mergulhada no que me oculta do puxão da realidade,
Mas lá está, sempre,
A desilusão,
A tortura da consciência
Eu sei, talvez demasiado para o que não faço,
Sei a teoria da vida
Esses truques em que nem muitos acreditam
Que funcionam...

Eu sei porque me recolho dela
Apenas quero sentir algo para além de inseguranças
Não as quero enfrentar
A ilusão corrompe-me
E eu, consciente, permito

Sei que posso mudar,
Parece-me que há um dia a cada dois meses
Que o meu saber é vivido
E eu sorrio como os outros
E sou feliz
Mas hoje não é esse dia
E esse dia não são a maioria das manhãs cansadas e das noites suprimidas
E porque não torno a maioria assim? 
Porque há certas batalhas em que ainda não projetei coragem,
Eu tenho-a, mas
Limitei-me a isto de ser nada
Era aquilo a que estava habituada!
Então agora, saber que posso ser mais,
Traz responsabilidade e traz vida
E estou estável há menos tempo do que estive a ver a panorâmica do abismo

Cobarde, eu sei que sou
Eu sei! Ora eu sei sobre tudo e eu faço-me de não entendida
Mas eu entendo e eu oiço e eu conheço a vida,
Apenas tenho medo de a viver...

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