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A mostrar mensagens de dezembro, 2014
Saudades... de quando senti a infinidade da alegria, num momento, parecia não ter fim, hoje é éfemero, morre sem avisar, é difícil agarrar-me, prender-me, nada me eleva a esse sentimento agora, estou tão sedada perante sentir, a morte é uma saida fácil e eu pondero-a como uma possibilidade mas perante tanto caminho já percorrido, tantos recursos gastos, seria em vão. Deparo-me presa entre a vida e a morte, e sem mais justificações, queria poder parar o tempo e desaparecer, apagar tudo o que de mim resta e o que me liga a alguns, ser o anjo de alguém ou ser apenas vigilante no céu... Nunca investi em mim ao ponto de me sentir potencial e porquê? Porque não acredito? É incrível como eu saboto tudo o que me faria bem, mas exijo que me tratem bem, incrível como dispenso tanto aos outros, invisto em estranhos por paixões platónicas e nem um mínimo desse investimento eu aplico em mim. Sei que desperdiço o previlégio que tenho e isso atormenta-me ainda mais ao existir, não mereço o lugar que...
Sonhei como sonho em quase todos os sonos e em todos me esqueço da maioria do seu conteúdo, restando apenas, na melhor das memórias, um sentimento latejante dessa quimera. Hoje restou-me mais do que com que tipicamente fico por me ter rendido completamente ao imaginário e não queria acordar por estar com alguém de quem gostava e a realidade ser monótona e amarga. Restou a sua presença num espaço partilhado, pessoas que não sei identificar, figuravam como amigos, eu estava ao balcão do bar a falar com uma rapariga que servia ali até que ele se aproxima e já só me lembro de ele poisar o queixo no meu ombro, dizer algo e sorrir tão caracteristicamente, encostei a minha cabeça na dele numa tentativa de expressar o que sentia sem palavras, acho que ele percebeu, não rejeitou, cedeu, mas entre pestanejar, abrir os olhos e tentar regressar ao sonho não sei bem o que aconteceu a seguir, e se há parte que não vai desvanecer a esquecimento foi tê-lo tão perto a sorrir assim.

Momentos Fictícios 2

Ele dormia, respirava como se a cidade ainda estivesse sobre o olhar presente da lua, o dia ia quase a meio, carros arranhavam o alcatrão, urgências lançavam-se para socorrer, gritos, discussões, música excessivamente alta, ele expirava pacificamente como se nada houvesse por fazer, como se estivesse de férias, como se nada o preocupasse. Instintivamente, toquei no seu rosto, tentei sentir como era, sentir-se tão pacífico, apático ao caos. Todo este tempo me questionei como o fazia, até que ele lentamente despertou, levantou o olhar e notou a minha presença, sem felicidade, sem desilusão, acho que deixei transparecer todo o caos que ele me causava, ele revoltava toda a minha pouca estabilidade, deixava-me irracional, sensível, desarmada. Aí percebi como ele vivia tão sereno, escolhera-me por lhe ser indiferente, um mero acessório, não o desafiava, não lhe causava raiva nem ódio, eu era apenas alguém, ali ao seu lado. Tudo o que ele gostava significativamente, despertava-o, atiçava-lhe ...

Castelo no mar

Tempo tempo Fica o tempo Não te deixes vê-lo passar Queria ver-te o vento ganhar Dança dança agora que é inverno Mergulha no deserto Deixa-te encontrar Semeia a tua ceia Ganha o gosto do teu corpo Movimento lento Amar Siga siga Essa briga interna Não fiques tão séria Berra mais Serena fica plena A tua mente e terra fértil Deslumbra o mar Eis que vem a lua Tu na tua inexistência não querendo pensar Sabes que é certeza certa Um dia amares Crê na transparência No teu choro que transborda Te faz mais brilhar Alguém te espera Tu te queres ver ficar Fica fica atenta Não te deixes ir embora Ainda tens hora para estar Acorda princesa o teu castelo tem defesas para se suportar

Propósito inflamável

Os dias têm sido cruéis, não me tenho organizado para fazer frente a isso por receio, sei que tenho algo para enfrentar, sei como, mas ganha o medo de falhar. Tenho dúvidas porque não encontro aquele caminho pelo qual irei dar tudo de mim para chegar ao topo sem incertezas, irei sofrer sem pensar em desistir porque tenho algo a atingir, aquele fogo pelo qual me deixaria consumir sem me queimar , iria arder sem isso se tornar cinzas. Um propósito, é isso que quero encontrar, não o sinto em nada que faço e sei que não sei o que é sentir-se assim mas já o vi, já vi o brilho irradiar de pessoas a viverem em propósito de algo, com um propósito que surge tão individualmente enraizado numa confiança própria e se expande ao mundo por ser tão brilhante. Um propósito só meu. Há fogos que nos queimam, os propósitos fazem-nos brilhar , sentir a luz e tenho medo que se abrir os olhos esteja escuro, não veja nada. Os outros nunca me trarão isto que procuro, é um percurso único, este gosto próprio, e...
De vez em quando, a rotina é interrompida, algo nos chama à realidade, tocam-nos nos ombros, olham-nos e convidam-nos até à beleza que o mundo sempre teve para oferecer, apenas nos esquecemos de olhar, de ouvir, de sentir. E apesar de há uns tempos dizeres odiar ou achares indiferente, desta fez sentido, quando te sentaram a olhar para o que tens passado ao lado enquanto estás demasiado ocupado a fugir, a gritar para não ouvir ninguém chamar, a fazer de tudo para estares oculto... eis que tocam o primeiro acorde, cantam a primeira palavra, as cores do céu ajustam-se ao esplendor e rendes-te a tudo a que a vida quer de ti, naquele momento, tudo faz sentido, todas as palavras, como se tivessem estado a avaliar-te durante todo este tempo em que estavas a tentar escapar, parece que cantam o que sentes e que lêem a tua verdade mesmo quando mentes dizendo que só gostas de uma ou duas, dás por ti já no meio do turbilhão, mas desta vez não te estás a afogar, estás a flutuar e sentes-te... feli...