De vez em quando, a rotina é interrompida, algo nos chama à realidade, tocam-nos nos ombros, olham-nos e convidam-nos até à beleza que o mundo sempre teve para oferecer, apenas nos esquecemos de olhar, de ouvir, de sentir. E apesar de há uns tempos dizeres odiar ou achares indiferente, desta fez sentido, quando te sentaram a olhar para o que tens passado ao lado enquanto estás demasiado ocupado a fugir, a gritar para não ouvir ninguém chamar, a fazer de tudo para estares oculto... eis que tocam o primeiro acorde, cantam a primeira palavra, as cores do céu ajustam-se ao esplendor e rendes-te a tudo a que a vida quer de ti, naquele momento, tudo faz sentido, todas as palavras, como se tivessem estado a avaliar-te durante todo este tempo em que estavas a tentar escapar, parece que cantam o que sentes e que lêem a tua verdade mesmo quando mentes dizendo que só gostas de uma ou duas, dás por ti já no meio do turbilhão, mas desta vez não te estás a afogar, estás a flutuar e sentes-te... feliz como há tanto não te sentias, feliz por ouvires cantarem as palavras que não consegues expressar, entregarem-te tudo sem precisar de nada de ti em troca, sentes que alguém te abraça, que te abana quase sacudindo toda a tristeza, toda a mágoa, todos os demónios, nesse momento, és tão feliz.

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