Mensagens

A mostrar mensagens de julho, 2014

29

Às vezes somos nada no meio de tudo Senti-mo-nos vazios entre o mundo Encontra-mo-nos em todo no silêncio A imensidão rebenta sobre nós Quebra o nosso pensamento imperfeito E eu não só isto...? E eu não sou só as três palavras com que me descrevi pela vida? As três palavras que me resumiram, Cortaram partes de mim, Para encaixar na parte de um todo Onde vários se rotulam com a mesma palavra Esse todo é farsa Porque cortar várias mãos e juntá-las numa caixa não forma um corpo Arrancar traços pessoais e atirá-los numa gaveta não forma uma pessoa É difícil evitar que nos roubem a identidade A certo ponto, algo nos faz falta E temos de ir assaltar o que sempre nosso foi E se eu sou mais que isto... O que faço com o que de mim sobra?

28

Nunca me adequei à faixa da minha idade Ou a fazer o que é normal na altura Então porque ainda me incomoda Se sei que cada passo que caminhei foi sempre mais tardio Tenho medo que, enquanto os outros estão a viver a vida, Eu esteja ainda à procura de uma para viver

27

Queria saber a magia Que faz acordar o sol e dormir a lua E porque eu acordo desentendida Estarei a sonhar ainda? O sonho desvanece até ser nada na minha memória Deixando apenas a doce fragrância Estes traços de sonhos sonhados Parecem rasteiras Querem fazer-me acreditar que são bem melhores que a realidade Ainda são Eu sinto que sim Esperava que não Tenho a sensação que deixarão de ser Ou talvez seja apenas um desejo Espero que não seja

26

Há um caos à volta deste corpo Vou embora Volto Ainda aqui Há uma porta E eu saio Mas regresso Está o mesmo Estou aqui Ir embora, fugir Não apaga o que existe no espaço As pessoas, as memórias, o passado Quero sair para aprender a gerir o espaço Que gravita em mim Que habita aqui Eu habito aqui No entanto Não me pertence Não me ajusto Não é justo É assim Vou sair, Vou aprender A ser feliz.
Onde somos nós onde ninguém está. Onde estamos a sós quando todos estão. Onde paramos quando todos andam. Onde corremos quando param. Onde respiramos quando sustêm. Onde nos suspendemos quando todos saltam. Onde somos nós? Onde vão todos? Onde é o lugar para cada um? Onde ficamos? Onde paramos? Onde andamos? Onde somos nós, paramos, onde nos sentimos melhor, ficamos, onde nos vêem como quando estamos sós, amamos.

Não sabem

Não reconhecem como parecia antes Ou como agi antes Ou não tanto como eu o sei Lembro-me como setas certeiras que caiem aleatoriamente Em mim O que fiz, o que fiz... Fiz tudo o que não devia ter feito Ainda travo uma batalha com um passado Ora tanto admiro em papel, ora tanto repugno na prática Não me espelho nessa pessoa Apenas sei que a fui Tento vencer a vergonha disso Comparando com o que hoje sou Por me ter ensinado a não ser como fui Sou erros perdoados, tornados em lições E não carrego notas de vinganças a quem me magoou Ainda ressinto e tanto até, Mas não faço sentenças Não desejo vinganças Orgulho-me por já não ser assim Ainda não sou totalmente eu Não sei inteiramente quem sou Mas saber que não sou mais criança ignorante com maldade Deixa-me feliz E a única razão que me faz querer voltar ao passado, É para retirar as ações que causaram mágoa em quem nunca mal me fez.