Não sabem

Não reconhecem como parecia antes
Ou como agi antes
Ou não tanto como eu o sei
Lembro-me como setas certeiras que caiem aleatoriamente
Em mim
O que fiz, o que fiz...
Fiz tudo o que não devia ter feito
Ainda travo uma batalha com um passado
Ora tanto admiro em papel, ora tanto repugno na prática

Não me espelho nessa pessoa
Apenas sei que a fui
Tento vencer a vergonha disso
Comparando com o que hoje sou
Por me ter ensinado a não ser como fui

Sou erros perdoados, tornados em lições
E não carrego notas de vinganças a quem me magoou
Ainda ressinto e tanto até,
Mas não faço sentenças
Não desejo vinganças

Orgulho-me por já não ser assim
Ainda não sou totalmente eu
Não sei inteiramente quem sou
Mas saber que não sou mais criança ignorante com maldade
Deixa-me feliz
E a única razão que me faz querer voltar ao passado,
É para retirar as ações que causaram mágoa em quem nunca mal me fez.

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