Vais perdê-los para te encontrar
Nunca foi cheia de graça, nem de vivências, nem de luz inesgotável, mas em cada face da lua identificava partes de si, porque ela era de fases, era inconstante, e por mais discreta que fosse aos que a rodeavam, a sua luz continuava presente, invisivelmente a preencher os vazios dos outros. Disseram-lhe um dia que olhá-la, dava dores de cabeça e azar, mas isso nunca a impediu de olhar, até lhe deu mais vontade de a apreciar, de se embebedar naquela luz branca hipnotizante, que saciava temporariamente a vontade de um corpo quente abraçado ao seu, que acalmava a irrequieta alma viajante que queria experimentar e ver todos os lugares antes de decidir-se por um em que ficar. Nunca foi de certezas, nem de demonstrar o que sente, mas ontem adormeceu e viu pela segunda vez a lua cheia de perto, e fê-la feliz, fê-la querer mudar para voltar a sentir aquilo, para voltar a sentir que está perto da vida. Mudar para poder ver a lua mais de perto, ter alguém mais perto do peito. Mas também a avisar...