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A mostrar mensagens de novembro, 2015

Vais perdê-los para te encontrar

Nunca foi cheia de graça, nem de vivências, nem de luz inesgotável, mas em cada face da lua identificava partes de si, porque ela era de fases, era inconstante, e por mais discreta que fosse aos que a rodeavam, a sua luz continuava presente, invisivelmente a preencher os vazios dos outros. Disseram-lhe um dia que olhá-la, dava dores de cabeça e azar, mas isso nunca a impediu de olhar, até lhe deu mais vontade de a apreciar, de se embebedar naquela luz branca hipnotizante, que saciava temporariamente a vontade de um corpo quente abraçado ao seu, que acalmava a irrequieta alma viajante que queria experimentar e ver todos os lugares antes de decidir-se por um em que ficar. Nunca foi de certezas, nem de demonstrar o que sente, mas ontem adormeceu e viu pela segunda vez a lua cheia de perto, e fê-la feliz, fê-la querer mudar para voltar a sentir aquilo, para voltar a sentir que está perto da vida. Mudar para poder ver a lua mais de perto, ter alguém mais perto do peito. Mas também a avisar...

Acertar de mente

Quando se é vazio em si, quando já nem me oiço, nem me vejo, nem me apercebo que existo... faz sentido que ninguém note. Já nem tenho ninguém por perto que testemunhe que sou real. Queria poder dizer adeus, de vez, e saber que nunca iria voltar a ser o de agora ou que nunca ia a voltar a ser, estar ou não estar onde estou ou com quem estou, despedir-me e encerrar esta conta, de vez. É solitário e revolucionário e invisível, é intocável. São as vozes a dizerem para me agarrar a algo que está para vir. E às vozes digo que, há anos que estou a tentar, porque seria diferente agora? Porque não encerram de vez? Não há portas para eu abrir, assumam, eu já assumi. A saúde está débil, a mente está instável, é a ideal combinação para a ruína total. Empurra o que resta cair, resume-me de vez a pó. Vá, faz. Sem ressaltos entre isto e aquilo sem nunca ser nada de concreto, de vez, desta vez, define-me escrupulosamente, atira, o alvo está à espera, acerta-me.

Fica

Quanto tempo passei rodeada disto, aqui, tardes inteiras depois da escola, noites em que não queria ir para casa porque era demasiado fria e ruidosa. Ali era aconchegante, era um abrigo, era onde estava quem preenchia ou tentava preencher um vazio insubstituível, havia calor. Ali não se notava tanto a falta de quem nem me lembro ter um dia estado em minha casa. Só me lembro de ver em ante-porta aquela pessoa, e nunca com um sorriso, e nunca por afeto, e nunca por saudade, por obrigação. Passado anos a ser lidada como um "tem de ser", é inevitável que estas ideias não me assombrem, quando quem partilha do meu sangue, nem o sente pulsar. Eis que herdo isso, farta de sofrer com faltas, com ausências já contadas, na esperança de um convite, de uma resposta afirmativa, que foi não, que é quase sempre não. Agora sou eu que quase não sinto, que ao mínimo sentir, recuo. Se nem o sangue foi suficiente para fazer ficar por perto, quem é que vai querer ficar perto de mim? Quem é que...
Compaixão. Com muita paixão, curar-nos da ignorância, do ódio, para poder começar a curar o mundo. Não se lute com as mesmas armas, não haja revolta que não seja por amor, por humanidade pura. Estes últimos dias foram sobreexpostos, se os nossos olhos estavam tapados antes e só agora vêem, que se altere a projeção dessas luzes para onde nos esquecemos de olhar, de assimilar e assumir. O mundo está assim. Acredito no poder da humanidade, e se a maioria viver consoante o bem,será possível combater sem violência, vencer sem crueldade, para permitir e garantir que todos tenham direito à mesma liberdade de vida. Que não se subestime o poder do bem, se o alimentarmos tanto como alimentaram os que têm cometido estas brutalidades cruas, podemos ter o mesmo impacto. O poder do contraste, o poder da luz sobre o manto de luto, por todos os que foram, por todos os que fogem, por todos os que salvam, por todos os que acreditam num bem maior, pela salvação da humanidade.
Foi o demasiado sensível, demasiado sentir que me deixou assim. Com uma consciência fechada, em que a realidade não atravessa, onde o sentir se sobrepõe ao coerente, o passado ao presente. Foi falta de arriscar a sofrer por amor? Ou foi falta de o sentir? Foi falta de ser mais? O que foi?

Entre a Vista: Como seria o...?

- Teria de ser majestoso, imponente, imparável, crescente, intenso. Tudo o que nunca foi, e sempre mais. O começo, esse aí, teria de ser como papel antes de ser tirado da embalagem, o mais intocável e puro possível. Espera, risca isso. Teria de ser raíz, o ponto de partida mais puro, mais susceptível, mais sensível. O menos visível é o mais autêntico, por isso, teria de partir daí, o deslumbramento teria de começar lá e continuar aí. O presente é sedento, nunca bebeu de uma fonte, sempre foi das garrafas de plástico, que se amachucam assim que ficam vazias, depois vão fora, são recicladas, para saciarem outros. Se fosse da fonte, quando acabasse, acabava de vez, dali não floresceria mais, para ninguém. Gosto disso, da crueza dos humanos, que deixa transparente as fraquezas, os segredos expostos, e que são, de alguma forma, partilhados. Percebi isso quando alguém se demonstrou assim, inicialmente estranhei bastante. Espera, lembrei-me agora, daí nunca ouvi um “olá, tudo bem?” e isso diz...

O antídoto sempre foi a verdade

Será que aquela irrigação ainda está ligada a um humano? Não sei como é que alguém consegue mentir tantas vezes sem tormentos ao adormecer. Tinha vontade de chegar mais perto e mostrar que existo, mas cada vez menos valia a pena tentar mostrar um sentimento a alguém que não o procura. Esteve sempre um passo a mais e um a menos. Algumas verdades mantiveram-se, surpreendentemente, as palavras não pararam de chegar. Ensinaram-me indiretamente, não sabem que apanho as manhas e os tiques rápido. Apanhei aquele "sotaque", e que bem, se era para jogar, aprendi e tracei uma estratégia sem passos definidos, mas com um objetivo. Na segunda noite em que saí, estive feliz outra vez e, como fui honesta na primeira, fui também nessa, disse tudo o que estava ainda em segredo. E não sobrou mesmo nada. Deixei todas as provas na mesa e fui embora. Fui embora, fui mesmo, de vez, acredita. E por maior que seja um ego, acho que desta não recupera, os mentirosos esqueceram-se que o antídoto semp...
Ei, agora a sério . Fala sobre o tempo, sobre aquelas merdas que te irritam diariamente seriamente, sobre aquele gajo chato, mas sempre presente quando precisas, sobre aquele pôr do sol feito de algodão doce que viste pôr-se um ou dois segundos antes de desvanecer. Sobre aquela vez que te apaixonaste a sério e doeu para caraças, como nunca pensaste que gostar de alguém doesse. Percebes? Fala sobre a vida, o que se passa? Não sabes conservar ou é assim que tens de forçar? Porque é que a conversa flui mais com um desconhecido qualquer? E desde quando é que é normal eu saber mais de um desconhecido do que vice-versa em vários meses?  A vontade dita muita coisa e se a tua realmente falasse, se a tua fosse esta, se fosse isto, se fosse eu, falavas de tudo menos de uma coisa. E de uma só coisa é precisamente do que falas. 2NOV.
Talvez tenha sido idiota, com certeza não disse toda a verdade, mas tinha motivos para isso. Não é suposto ser tão fácil, certo? Não é suposto ser logo metade quando nem foi começo. Não é suposto, ser eu a perguntar, eu a tentar, eu a tentar perceber em vão, porque sei que estou a manter uma linha ligada a uma extensão. As paredes têm um interior, sabes? Mas ninguém as conhece se não as destruírem. E por mais que se pintem, da cor mais mórbida à cor de torrada, o interior vai continuar a ser o mesmo. Eis que vejo uma parede em construção, sem querer cobrir o que é. É suposto ser assim, não é? Mas era suposto visitar a que construí, se fosse para ser. Parece que apenas me deparo, e nunca ao contrário. Então mais vale ir comprar pão, manteiga vegetal, torrar isto tudo e deixar queimar, ou comer.
Pior que não saber ler entre as linhas, é quem nem as linhas sabe ler.

Solstício

Quis curar-me da dor, mais que isso, redimir-me, agir por um perdão que sabia que nunca ia receber. Tinha as mãos manchadas de culpa, do peso de um corpo vazio nos meus braços e tinha algumas opções, ficar fechada a deixar-me consumir ou dar de mim por uma causa que precisava de alguém. Deixei-me ir contra os meus princípios e cedi, sem volta a dar. Decidi redimir-me, tentar, e o conforto que não dei como devia, dei-o onde era preciso. Já não o faço por perdão porque, algures nestes meses, o peso aliviou, e sei que não posso alterar nada do que deixei acontecer, mas talvez possa salvar uma vida. Ninguém me apontou como culpada mais do que eu e, apesar de tudo, fui perdoada, por ele, que nunca me apontou como tal, e, por fim, por mim, Algo ou alguém guiou-me para o fazer. Mas que se lixe isso agora, ainda tenho saudades e se pudesse voltar atrás, voltava porque este tempo que dispenso de mim, era suposto tê-lo dado a ti.
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Para além de acreditar e viver diariamente consoante ideologias, é preciso (vi)vê-las de perto, experimentar, provar, sentir os cheiros, tocar, sentir, estar. Estar em várias realidades. Então, por mais longe que esteja de regressar a mim, continuo a respirar, a ir, a visitar, a conversar, a sentir. A conhecer novos sítios, novas pessoas, a fazer o que me dá gosto. A falhar, a tentar, a não fazer e a tentar outra vez. E, se me esquecer, ou se me perder de vez, terei fotografias, se perder a voz, terei gravações, se desaparecer, haverão pessoas que estiveram comigo nesses momentos que sabem que lá estive, que poderão comprová-lo. E, por enquanto, é isso, é o melhor que sei fazer. De qualquer modo, vou e faço. Vou, mesmo quando a minha mente não consegue processar tudo o que me rodeia, mesmo quando o tempo passa muito mais depressa do que eu o acompanho. Sei que há mais fundo do que a minha imagem, mas ainda tenho um resto de mim como tenho uma réstia de esperança que um dia volte, n...