Desta vez sem ofensas. Vou embora daqui a uns tempos. Depois de já ter ido a uma nova praia, depois de ter ido a concertos, depois de acabar um trabalho, depois de fazer duas décadas, depois de ir ao Alentejo, depois de nadar no rio Sado. Depois disso vou embora. E que me vai restar? Saudades e quero encher este verão de momentos recheados de boa energia, boa companhia, boa comida, boa saúde. Sair outra vez de casa mas sem antes derramar ao abraçar os meus bichinhos, o meu Osí, o meu Xuma, a Zuca. Se desatar a chorar pelo menos desato a fugir. Quero ter saudades mas não as suficientes que me façam querer voltar. Este tempo é meu e é para nutrir-me até literalmente. Está mais que no ano (sim porque já passaram vários) de ouvir o que diz a ciência do meu corpo, ela bem grita mas eu aprendi a não ouvir bem. Está no momento de descansar, de acordar a sorrir, de equilibrar a saúde, abusar dos risos, dos abraços, dos beijos escondidos. Está na hora de ser vida, não de voltar a ser o que era...
Mensagens
A mostrar mensagens de julho, 2016
Sobre não ter urgência de escrever
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Esta é a minha primeira vez. A escrever sobre não escrever ou sobre não ter vontade de escrever. Passaram-se duas semanas desde que acabei as aulas. Duas semanas? Parece que passou um mês, estou tão exausta, mais cansada do que estive durante as aulas ou até durante a semana mais stressante de trabalhos. Há tanto tempo que não me surge a urgência de despejar letras. Este texto provavelmente vai parecer robótico ou esquemático, como se de uma lista de compras se tratasse. Vamos lá rever o que se passou nestas duas semanas para me roubar a possibilidade de expirar de alívio por estar de férias. Pois estou mas não bem. Voltei para Setúbal e no dia a seguir soube que a minha avó tinha sofrido um problema de saúde e caído e estava há dias sem ir ao hospital. Estava completamente desorientada, assustada, desamparada, sem a clareza e perspicácia que a tanto caracterizava. Algo não estava bem e confirmou-se. Depois de passar um dia inteiro no hospital, o que desconfiava ser, confirmou-se e f...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Precisava que o tempo me pertencesse. O meu. O meu... Não o sol nem as nuvens mas o meu respirar, a minha comida, a minha cama, o meu riso, as minhas lágrimas, o meu amor. Isso é meu mas não está comigo. E devia. É que preciso mesmo do meu riso e de chorar. Preciso mesmo de abraçar alguém e chorar, seja lá quem for. Alguém que não me roube pouco do tempo que me resta. Que me deixe chorar sem pressas. Que me faça rir sem falsas promessas. Preciso da minha vida. De mim em criança aos pulos e inquieta para correr meio mundo. Preciso da miúda de volta, daquela que analisava tudo à exaustão e mesmo assim agia sobre impulso, que se atirava aos abismos e se desmontava a rir com gengivas à mostra. Volta aqui, aqui para dentro. Volta para casa por favor. Por favor.