Precisava que o tempo me pertencesse. O meu. O meu... Não o sol nem as nuvens mas o meu respirar, a minha comida, a minha cama, o meu riso, as minhas lágrimas, o meu amor. Isso é meu mas não está comigo. E devia. É que preciso mesmo do meu riso e de chorar. Preciso mesmo de abraçar alguém e chorar, seja lá quem for. Alguém que não me roube pouco do tempo que me resta. Que me deixe chorar sem pressas. Que me faça rir sem falsas promessas. Preciso da minha vida. De mim em criança aos pulos e inquieta para correr meio mundo. Preciso da miúda de volta, daquela que analisava tudo à exaustão e mesmo assim agia sobre impulso, que se atirava aos abismos e se desmontava a rir com gengivas à mostra.
Volta aqui, aqui para dentro. Volta para casa por favor. Por favor.
Volta aqui, aqui para dentro. Volta para casa por favor. Por favor.
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