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A mostrar mensagens de agosto, 2015

Se a alma se apagar

Leva-me na mão, como quem guia. Apega-te como quem acredita. Atira-me água fria à cara e grita-me aos ouvidos, vida. Chama-me, grita o nome pelo qual nasci. Diz que estou aqui, impõe-te por mim.
Em todo o progesso, constantes regressos, renasço, descresço enquanto envelheço. Semi lua, um vazio incompreendido, porquê por preencher? As ausências deixaram marca assim como presenças tóxicas que ainda me cravam. A hora passa sem consciência de que foi embora e eu continuo e continuo sem saber o que sou.
As madrugadas em que me encontro são projetos de outros dias, efémeros. Deito-me, encaixo-me, tento pertencer ao que sou, ao meu físico. A minha alma não entra, abstrai-se flutuando no véu que separa a vida da morte. Sem noção do espaço que habito e do que gravita à minha volta. Não houve êxtase nem dor forte o suficiente que me empurrassem para o que sou, humana. Uma constante disconcertante chacina, que é ruína do que construí. Não há calor que me desfigure ou raiva que me ateie, no meio dos meios, subterrânea, subhumana, sobrevivente. Vivendo num reflexo de uma inócua pausa.
No teu sossego O sussurro por baixo dos lençóis Que cobriam duas almas frias Arrepios de tempo Da altura a que estávamos Com medo de saltar Já tínhamos caído, Já estávamos Deitados.
Diante de um inferno gélido e cinzento Pálidas areias incobertas do sol Cubículo que mente demente noite dentro Dias prometidos de joelhos rasgados de gravilha Gravura de dias felizes Registos nobres das fantasias Vivências abundantes, transbordam Desaguando num mar morto