As madrugadas em que me encontro são projetos de outros dias, efémeros. Deito-me, encaixo-me, tento pertencer ao que sou, ao meu físico. A minha alma não entra, abstrai-se flutuando no véu que separa a vida da morte. Sem noção do espaço que habito e do que gravita à minha volta. Não houve êxtase nem dor forte o suficiente que me empurrassem para o que sou, humana. Uma constante disconcertante chacina, que é ruína do que construí. Não há calor que me desfigure ou raiva que me ateie, no meio dos meios, subterrânea, subhumana, sobrevivente. Vivendo num reflexo de uma inócua pausa.