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A mostrar mensagens de janeiro, 2019

Quando

Quando as ondas pararem de desabar em terra, talvez o compasso finalmente me revele o norte, e caia a cortina que me separa da realidade. Tenho saudades de ser atingida pelo encantamento da vida, do efémero, da saudade, do tempo contado, do tempo mais vivido. Faz-me mal a rotina, a camada fica cada vez mais densa, o cinzento cada vez mais carregado. Não há carvão que incite fogo que não arde, que não queima. E eu prefiro queimar que arder sem chama e desvanecer-me em cinzas, do que nunca saber o que é arder tão intensamente que nada resta para queimar. Quando o sol abalar a sombra, e atravessar os meus olhos e as grades desta prisão, e eu pisar finalmente um caminho à luz, talvez tudo faça sentido. Só caminho com a quase invisível esperança que um dia tudo faça sentido, e que os porquês tenham resposta, que eu suba o mais desafiante dos degraus, mas a paisagem valha a pena. Quando sinta mais cor que vazio, talvez tudo faça sentido.

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Faz muito tempo desde a última vez que escrevi por sentir. E faz muito tempo porque há muito tempo que não sinto algo que me cative, que me desperte. A rotina cobre o que está a turbilhar por baixo da pele. Um caos silencioso que, por vezes, vê a luz do dia e está com a ponta dos dedos na falésia. Há um vazio, um eco sufocante. Então acrescento mais mantas, para sentir mais peso. Então anulo-me dormir menos, vidro-me em ecrãs para desfocar a minha vida. O vazio é tanto tudo, é o vazio de um espaço, de voz, de abraços, de amor.
If you can love me with open wounds just wait until I'm healed.